Presbiterianismo é o nome assumido pelo Calvinismo no mundo da língua inglesa devido a sua particular estrutura organizativa eclesiástica que se baseia em um governo de anciãos, e faz parte da comunidade mundial das igrejas reformadas, ou seja, as que antes eram calvinistas.
A reforma que prevaleceu nas “Lowlands” escocesas em 1560, começou quando em 1562, em Londres, a coroa apoiou os 39 artigos de fé - uma reformulação das 42 do rei Eduardo - feita através da participação do arcebispo Parker, com o objetivo de tentar um compromisso entre o catolicismo, o luteranismo e o calvinismo. Contudo, como este acordo não satisfez o pastor John Knox - discípulo de Calvino - porque considerava o culto anglicano muito similar ao católico, guiou à igreja Escocesa a se separar do anglicanismo e lhe impôs o calvinismo como religião nacional.
Na Escócia, como em outros paises, a Reforma difundiu-se em um contesto social que já era hostil à igreja de Roma, e engrossaram esta hostilidade os seguidores da doutrinas de John Wycliff.
Os mercadores e a pequena nobreza foram particularmente ativos na sustentação da reforma Escocesa, utilizada como instrumento para alavancar a autodeterminação nacional e a independência da Inglaterra. Foi assim que o movimento de protesto contra o anglicanismo difundiu-se rapidamente mesmo com as medidas repressivas impostas pela monarquia. O primeiro movimento de reforma assemelhava-se ao luteranismo, mas, sob a liderança de Knox - que em 1560 persuadiu o Parlamento Escocês a adotar uma profissão de fé e um manual de disciplina moldado naqueles utilizados em Genebra - tomou o rumo calvinista. Em seguida, através de um ato do Parlamento, criou-se a igreja escocesa e seu governo foi confiado a reuniões da “Kirk” – que em escocês significa igreja local - e a uma assembléia geral da qual eram participes todas as igrejas de todo o país.
Maria Stuart, a rainha católica Inglesa, tentou combater a nova igreja da Escócia mas, depois de lutar sete anos, teve que deixar o país. Por esta razão o catolicismo se manteve forte só em determinados distritos, especialmente entre as famílias nobres.
Os Presbiterianos, como já vimos, obtiveram a liberdade de culto em 1688 no reinado de Jaime II, través do Ato de Tolerância - Declaração de Indulgência - que beneficiou os principais grupos dissidentes, e entre eles, além dos Presbiterianos, os Congregacionalistas, os Batistas e os Quaquers, e, migrando para a América do Norte com os súditos ingleses que formaram as treze grandes colônias, desenvolveram este culto naquele país. Hoje estão presentes em muitos outros países, entre estes a Austrália, a Nova Zelândia e o Canadá.
O termo “presbiterianismo” do grego presbyteros – ancião - indica que o governo eclesiástico desta igreja é confiado aos anciões da comunidade, sejam eles ministros de cultos ou leigos de ambos os sexos.
A unidade base da igreja presbiteriana é a congregação de cada local, dirigida pelos anciãos eleitos, aqueles que também participam da sustentação financeira da congregação, enquanto que na republica teocrática instaurada por Calvino em Genebra, era o povo que elegia os presbíteros. São os anciãos ainda que escolhem o seu pastor, ou seja, o ministro do culto.
As congregações reúnem-se em presbíteros - o conselho dos anciões - em termos territoriais, e cada congregação envia o seu respectivo presbítero, acompanhado por um ancião, seu pastor. Anualmente todos os presbíteros se reúnem em Assembléia geral para tratar de todos os aspectos pertinentes à gestão das igrejas.
Esta forma democrático-representativa do governo das igrejas presbiterianas, adversas á autoridades de “direito divino”, contribuiu entre o XVII e o XVIII século, ao desenvolvimento e a difusão das idéias democráticas e revolucionárias em varias partes do mundo.
A origem da ordenação presbiteriana é o calvinismo que João Calvino organizou na cidade de Genebra. Uma comunidade religiosa dirigida por anciãos que foi estruturada de forma semelhante às primeiras comunidades cristãs segundo as descrições contidas em Atos dos Apóstolos.
O calvinismo foi levado para à América do Norte pelos puritanos ingleses que se radicaram em Massachusetts no início do século XVII. O primeiro grupo se estabeleceu em Plymouth em 1620, e o segundo constituiu as cidades de Salem e Boston dez anos depois. Nas décadas seguintes mais de 20 mil puritanos cruzaram o Atlântico em busca de liberdade religiosa e novas oportunidades. Todavia, esses calvinistas ao se organizarem religiosamente preferiram um governo congregacional, não presbiteriano. Os calvinistas que mantiveram a organização presbiteriana foram aqueles que haviam partido do continente europeu. Dentre estes, coube aos primeiros que la chegaram - os holandeses - a fundar a cidade que originalmente foi chamada Nova Amsterdã e depois Nova York. Isso aconteceu em 1623.
Um grande numero de huguenotes franceses, fugindo da perseguição religiosa em sua pátria, também foram para a América do Norte, assim como fez um numeroso contingente de reformados alemães entre 1700 e 1770. Esses imigrantes formaram suas próprias denominações e mais tarde muitos deles ingressaram na Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos.
Da Escócia, nos primeiros tempos da civilização, muitos presbiterianos seguiram para os Estados Unidos, todavia, foram os escoceses-irlandeses os principais responsáveis pela introdução do presbiterianismo naquele país. Somente no século XVIII mais de 300 mil cruzaram o Atlântico para se radicarem principalmente em Nova Jersey, Pensilvânia, Maryland, Virgínia e nas Carolinas. No oeste da Pensilvânia fundaram Pittsburgh que por muito tempo foi à cidade mais presbiteriana dos Estados Unidos.
No século XVII as comunidades presbiterianas que viviam nos Estados Unidos eram dispersas, só no início do século seguinte que começaram a se unir em concílios. Um dos responsáveis por este fato foi o Rev. Francis Makemie (1658-1708), que devido a isso acabou sendo considerado o pai do presbiterianismo americano. Ordenado na Irlanda do Norte em 1683, em seguida foi para a América ali fundando diversas igrejas. Como a Igreja Anglicana havia sido escolhida a religião oficial em várias colônias, ele sofreu muitas perseguições. Em 1706 chegou a ser preso em Nova York em 1706. Sob a sua liderança em 1706 foi disposto o Presbitério de Filadélfia, e em 1717 organizou o Sínodo deste locar composto por quatro presbitérios. Naquela época, a igreja presbiteriana contava com dezenove pastores, quarenta igrejas e cerca de três mil membros.
Em 1729 foi aprovado o “Ato de Adoção,” e através dele foi adotada a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster como padrões doutrinários. Entre os anos 1741 a 1758 o movimento presbiteriano sofreu uma cisão devido a diferentes pontos de vista acerca da educação teológica: O grupo original, chamado Ala Velha, continuou no Sínodo de Filadélfia, e o outro, a Ala Nova, com o Sínodo de Nova York.
Durante a Revolução Americana os presbiterianos foram atuantes. O Rev. John Witherspoon, um escocês, foi presidente da Universidade de Princeton por vinte e cinco anos, e foi o único pastor que em 1776 assinou a Declaração de Independência dos Estados Unidos.
Em 1788 o Sínodo de Nova York e aquele de Filadélfia dividiram-se em quatro:Nova York e Nova Jersey; Filadélfia; Virgínia e Carolinas, e no dia 21 de maio do ano seguinte foi organizada pela primeira vez a “Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América.” Em 1800, segundo os presbiterianos, a sua Igreja era a mais influente do país: possuía 450 igrejas, contava com 180 pastores e cerca de 100 mil membros.
Em 1801 os presbiterianos e os congregacionalistas iniciaram um trabalho cooperativo - Plano de União - com o objetivo de evangelizar com mais eficiência a população que estava se deslocando para o oeste. Esse foi o período que passou a ser conhecido como Segundo Grande Despertar. Em decorrência deste trabalho, em 1837 a Igreja Presbiteriana possuía quase 3 mil igrejas, 2140 pastores e 200 mil membros.
Devido a uma controvérsia sobre os requisitos para a ordenação de ministros, em 1810 surgiu a Igreja Presbiteriana de Cumberland, no Tennessee. Uma divisão mais séria ocorreu entre os grupos conhecidos como ala velha e ala nova, e depois disso, em 1837, a ala velha obteve a maioria na Assembléia Geral: cancelou o Plano de União de 1801 e excluiu quatro sínodos inteiros dividindo ao meio a denominação. No mesmo ano, foi criada a Junta de Missões Estrangeiras, sediada em Nova York, que 22 anos mais tarde enviaria o seu primeiro missionário ao Brasil.
Entre 1857 e 1861 ocorreram novas divisões, desta vez ocasionadas pelo problema da escravidão. As igrejas da ala nova e ala velha do sul, favoráveis à escravidão, separaram-se das do norte, criando-se assim, duas grandes denominações presbiterianas: a Igreja do Norte (PCUSA) e a Igreja do Sul (PCUS).
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