Muitos protestantes ingleses que no reinado de Maria Tudor - posteriormente executada pela rainha Elisabeth I - haviam abandonado o continente e no exterior, freqüentaram igrejas calvinistas, ao retornar à Inglaterra passaram a exigiram uma igreja mais coerente com a reforma: sem episcopado e sem as cerimônias religiosas similares as católicas.
Estes se tornaram responsáveis pelo nascimento da seita dos “puritanos” - 1580 - que já nos últimos anos do reinado de Elisabeth I passaram a solicitar a purificação de todas as coisas que, interiormente ou externamente, recordavam o culto católico. Foram os puritanos que em seguida, no reinado de Jaime I - o que sucedeu Elisabeth I entre os anos 1603 a 1625, traduziram a Bíblia para a língua inglesa.
Os puritanos eram contrários a qualquer tipo de adorno, templos, imagens, altares, vidros coloridos, órgãos, rituais, sinal da cruz, genuflexão etc. deste modo, oficiavam somente em residências privadas. A atividade comercial e industrial, para eles, era uma espécie de vocação divina e a lucratividade um sinal que estavam no caminho certo. Entre os expoentes que mais se destacaram podem ser citados John Ponet, Edmund Spenser, George Buchanan e Henry Parker.
Os puritanos, por sua vez, também se dividiram em algumas correntes.
• Os presbiterianos: exigiam a substituição dos bispos anglicanos por sínodos presbiterianos, idosos, escolhidos pelos fieis entre os mais ricos, aceitando depois disso manter um relacionamento do tipo organizativo com os anglicanos
• Os separatistas independentes: se negavam a manter qualquer tipo de relacionamento, seja com os anglicanos como com os sínodos presbiterianos. Sua igreja era organizada similarmente a uma confederação de unidades autônomas e independentes entre elas, administradas segundo o desejo da maioria.
Resumindo, o puritanismo pregava a necessidade de um contrato social entre a coroa e a sociedade, prevendo, inclusive, a insurreição armada se a coroa viesse a transgredir o acordo. Neste sentido, durante o reinado de Carlos I - 1625-1649 - o filho de Maria Stuart que sucedeu Jaime I e reuniu as coroas da Inglaterra e da Escócia, teve que enfrentar a revolução armada que fora estimulada pela oposição puritana e os presbiterianos escoceses - os calvinistas mais radicais guiados por John Knox - que instauraram o calvinismo da “Confissão de Westminster” depois de executar Carlos I e o arcebispo Laud.
Na Escócia o calvinismo havia se fortalecido acentuadamente e, como no mesmo território não podia existir mais do que uma religião, o conflito com os anglicanos tornara-se inevitável. Este conflito, que tinha suas raízes fincadas mais na liturgia do que na teologia, tornara-se totalmente intolerante em relação à organização eclesiástica: os escoceses viam a expressão fundamental de uma religião na confissão de fé, mesmo porque entendiam que desta forma teriam mais chances de se manterem autônomos em relação ao Governo de Londres, enquanto que para os anglicanos era suficiente um manual litúrgico.
Naquele momento John Knox era o capelão de um bando que havia sido o responsável pela morte do cardeal católico Beaton, um radical que abertamente pregava a rebelião contra os governos que tentavam obstácular a difusão do calvinismo.
Com o rei Carlos II - 1660-1685 - foi restabelecido o anglicanismo com a condição que o rei prestasse juramento contra a doutrina da “transubstanciação” o dogma estabelecido no concilio de Trento que afirmava que na eucaristia a substancia do pão e do vinho se transforma na substancia do corpo e do sangue de Jesus, porém este conceito continuo sendo observado até o inicio do século XX. Na contrapartida, o rei exigia que todos os empregados estatais, que como vimos incluía os ministros religiosos, aceitassem o ”Prayer Book”. Depois disso, quando os puritanos começaram a ser perseguidos, a grande maioria migrou para a Holanda e para os Estados Unidos.
Jaime II - 1685-1688 - fez promulgar a “declaração de indulgência” e através dela, todos os súditos da coroa passaram a serem considerados iguais diante da lei, sem nenhuma discriminação, inclusive a religiosa. A conseqüência foi à suspensão do juramento que proibia a transubstanciação. Este ato beneficiou os principais quatro grupos dissidentes: presbiterianos, congregacionalistas, batistas e quaquers, mas a minoridade católica e os socinianos antitrinitários - a igreja unitária - foram excluídos. Todavia, com a revolução de 1866, a que colocou no poder Guilherme III - 1689-1702 - o calvinismo retomou seu vigor porque se adaptava perfeitamente à nova mentalidade burguesa que se desenvolvia na Inglaterra. Quem permanecia pondo obstáculos era a plenipotenciária aristocracia feudal e a monarquia.
Com a morte de Guilherme de Nassau, que não deixou herdeiros, assumiu o trono Ana Stuart -1702-1714 - e ela conseguiu que legalmente fosse confirmada a plena submissão da igreja à coroa. “Ato de Uniformidade”- 1713 - e “Ato do cisma” -1714. Não faltaram, porem, tentativas de resistência. No fim do século XVIII a predicação dos irmãos Wesley e Law fortaleceu o metodismo, enquanto o partido evangélico, que constituía a chamada igreja baixa “Low Church”, valorizava a tradição calvinista. Foi só após a morte da rainha que os interessados chegaram ao consenso que permitiu a definição das tres tendência que se mantém até hoje:
• A igreja alta que, preferida pela aristocracia e o alto clero, mantém a colaboração entre a igreja e o estado; apóia os conservadores; acentua sua continuidade com a igreja antiga; admite sete sacramentos e assim se considera uma variante do cristianismo em linha com o catolicismo e a ortodoxia. Não desdenha a vida monástica e é de fato à que é mais similar à igreja católica porque, depois de 1860, pelo influxo do movimento litúrgico, chegou perto de Roma no plano do ritualismo, das invocações a Maria e aos santos, da confissão auricular e outras manifestações.
• A igreja baixa, ou seja, o movimento evangélico que, nascido no fim do XVIII século é substancialmente calvinista, ainda se aceita os sacramentos do batismo e da eucaristia, mesmo se este ultimo é simbólico. Outras características são a simplicidade dos rituais, uma acentuadissima ação missionária e um forte empenho social favorecendo os mais pobres, além de pouco interesse à especulação teológica. A eles deve-se a abolição da escravatura em 1833, a lei que em 1847 limitou a jornada de trabalho a dez horas e a fundação da maior sociedade missionária em 1799.
Esta igreja considera o anglicanismo uma corrente do protestantismo, e em 1804 fundou a sociedade para a difusão da Bíblia traduzindo-a para mais de mil línguas e dialetos.
• A igreja larga, nascida no inicio do XIX século, que se posiciona perto do deismo racionalista - os que crêem em Deus mas rejeitam toda à revelação - porque tenta exprimir a fé cristã de forma que seja compreensível ao homem moderno. No campo social afirma um socialismo cristão que a levou a se chocar com a igreja Alta. É a menor das tres e é também chamada igreja modernista.
Contudo, na medida em que seguem a orientação ritualística da igreja Alta, ou a simplicidade dos cultos da igreja Baixa, as varias comunidades anglicanas ostentam notáveis diferencias litúrgicas, em particular a igreja episcopal da Escócia, enquanto que as igrejas do País de Gales e da Irlanda - mesmo fazendo parte da comunidade anglicana - são separadas da igreja da Inglaterra.
Com a morte de Ana Stuart em 1714, a casa de Hanóver subiu ao trono com Jorge I - 1714-1727 - e durante o seu reinado o anglicanismo foi quase sufocado devido à controvérsia de Bangor; pela suspensão das convocações decenais dos bispos decidida por Jorge I; pelo advento das teorias racionalistas de Locke; as antitrinitárias de Clarke e as deistas de Toland. Resumindo, desde a metade do século XVII e até meados do século XVIII, as dificuldades perseguiram o anglicanismo.
Da reação contra esta crise nasceu o “metodismo”, um movimento “pietista” fundado sobre a experiência mística que acredita que todos serão salvos. E a partir de 1833 cresceu o chamado “anglo-catolicismo”, um movimento espiritual de Oxford com o objetivo de reivindicar a independência da igreja do Estado, de obstácular a secularização da igreja e favorecer uma reabertura para o catolicismo romano no campo doutrinal e litúrgico. Este movimento, entre seus maiores expoentes, teve J. Newman, J. Keble e E. Pusey, que pertenciam à igreja Alta. Newman tornou-se católico em 1845, enquanto os outros dois fundaram o Anglo-catolicismo que, em muitos aspectos doutrinais e litúrgicos, é similar ao catolicismo.
Com a imigração inglesa aos vários continentes do mundo, e através da intensa obra missionária, o anglicanismo difundiu-se ao redor do Planeta. Surgiram assim 16 igrejas internacionais autônomas que não dependem do governo inglês e que reconhecem no arcebispo de Canterbury tão somente uma autoridade moral. A mais importante destas igrejas é a igreja protestante episcopal dos Estados Unidos e depois dela a igreja anglicana do Canadá.
Estima-se que o numero de anglicanos no mundo é superior a 50 milhões, dos quais 30 milhões estão na Inglaterra. 1/3 dos presidentes dos EUA foram anglicanos.
Fonte:
http://www.tudorhistory.org/
www.englishhistory.net/tudor
www.britainexpress.com/History/Tudor_index.htm
www.geocities.com/marilee-cody/images.html
www.pinkmonkey.com/studyguides/subjects/euro_his/chap1/e0101801.htm
www.historylearningsite.co.uk/Mary1.htm
www.cronologia.it/cronobio1.htm
www.culturacristiana.net/galleria.html
www.likesbooks.com/tudor.html
www.utenti.rete039.it/plankton/elisab.htm
www.luminarium.org/renlit/eliza.htm
www.istitutogriselli.it/Riforma/
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