domingo, 28 de março de 2010

( IX ) ADVENTISTAS DO 7 DIA

A igreja adventista também surgiu para responder às eternas perguntas existenciais. Nasceu da reflexão, em alguns aspectos totalmente originais, de um grupo de crentes oriundos de varias denominações protestantes. Eles julgavam que redescobririam na Bíblia as respostas que Deus oferecia às interrogações que a humanidade sempre formulara: Quem é o homem? De onde vem? Qual é seu destino?
A igreja adventista é uma igreja jovem, e, como outras igrejas evangélicas, não é uma igreja tradicional e nacional. Não se identifica com a cultura de um povo ou de uma nação como, por exemplo, a igreja católica romana na Itália, a igreja católica ortodoxa na Rússia ou a igreja luterana na Alemanha e na Suécia. Não obstante, seu nascimento está ligado à mentalidade e a cultura de um povo e de uma nação: Os Estados Unidos da América.
O mito americano foi plasmado por uma geração de homens firmemente radicados nas idéias protestantes: eram os calvinistas, os puritanos e os republicanos e humanistas. O chamado “novo mundo” é o seu testemunho mais evidente. Estavam convencidos de estar obrando para a fundação de um mundo novo de acordo com a vontade de Deus.
Quando em 1620 os padres peregrinos desembarcaram nas costas da “nova Inglaterra”, acreditavam que estavam sendo “chamados” para serem o povo de Deus, e estavam convencidos que seu dever era colaborar para estabelecer seu reino no mundo. Um reino de liberdade e justiça fundado sobre os princípios indiscutíveis da palavra de Deus.
Eles nutriam a esperança de poder viver com liberdade a própria fé, e construir, sobre os fundamentos da Bíblia, uma nova sociedade, diferente da que era vivida por aqueles que habitavam as nações da velha Europa da qual haviam fugido.
Identificando a sua historia com à do povo de Israel, eles estavam persuadidos que o continente que os hospedava era a terra prometida. Nela, Deus criaria um novo mundo, uma nova sociedade que se transformaria em uma luz pra as outras nações. Em outras palavras, um exemplo á seguir.
Com as gerações sucessivas, a força espiritual dos primeiros colonos do novo mundo enfraqueceu. A chegada de novos imigrantes, a difusão das idéias deistas inspiradas pela revolução francesa e, sobretudo, as crises políticas que uma nação em crescimento tinha que enfrentar - como as guerras de independência e as conseqüentes dificuldades econômicas – frearam o ímpeto daqueles religiosos. Por cerca de tres séculos na América se alternaram períodos de frieza religiosa e grandes retornos à fé que vieram a ser chamados: “Great Awakenings”. Em particular, estes fenômenos coletivos caracterizaram o XVIII e o XIX século com dois grandes movimentos que foram chamados “o primeiro grande despertar” - por volta de 1740 e o segundo “grande despertar” em 1800. Inúmeras igrejas evangélicas vieram à luz nestes dois momentos.
Nestes movimentos largamente populares, através do estudo da Bíblia, os americanos redescobriam o significado da sua missão e de seu dever patriótico. A convicção de que a nação americana havia sido eleita por Deus para uma missão mundial era indestrutível.
Desde o fim de 1700 e até a metade de 1800, ou seja, duas gerações, a onda do segundo grande despertar protestante percorreu a nação e uniu, em um único esforço para cristianizar a América, Batistas, Congregacionalistas, Metodistas, Presbiterianos e Quaquers, enquanto nos vários Estados floresciam as leis que apadrinhavam o controle dos costumes, particularmente no que dizia à respeito do repouso semanal e à proibição do consumo de bebidas alcoólicas. Concomitantemente, as reuniões sobre temáticas e reflexões religiosas uniam milhares de pessoas em grandes acampamentos chamados “Camp-meetings”.
O termo milenarismo define a fé daqueles que esperavam o segundo advento do Senhor sobre a Terra, estudando nas profecias bíblicas as épocas e os tempos desta chegada. As profecias relativas ao retorno de Jesus sempre estiveram no centro da atenção dos crentes, e, em quase todos os séculos da era cristã, o Milenarismo teve seus representantes.
Porém, no século que marcou o fim de 1700 e o inicio de 1800, um grande numero de estudiosos da Bíblia - no ocidente cristão - endereçou suas atenções às profecias do fim do mundo. Mesmo no meio do segundo grande despertar se desenvolveu um forte componente Milenarista.
Um agricultor do Massachussetts, William Miller, aborrecido pela violência e dramaticidade da guerra contra os ingleses - 1812-1814 - na qual combatera com o grau de capitão, não se sentiu satisfeito com as convicções deistas até então sustentadas, e decidiu procurar na Bíblia as respostas a respeito do sentido da vida humana.
Programou-se, então, para dedicar dois anos ao estudo das Sagradas Escrituras e buscar a sua verdadeira mensagem. Na sua concepção, os textos da Bíblia se auto-explicariam pela própria Bíblia, ou seja: ela se constitui em uma mensagem que contem em si mesma tudo o que é necessário para interpretá-la. Influenciado pela preocupação geral em relação a historia e ao fim do mundo, Miller endereçou sua atenção aos livros do profeta Daniel e do apocalipse. Do livro de Daniel, em particular, deduziu - baseado em cálculos cronológicos precisos - que o retorno de Cristo, e o conseqüente fim do mundo, se verificaria entre os anos 1843 e 1844.
Naqueles anos se desenvolveu um novo grande movimento, o “Second Great Awakenings”, e com ele voltou-se a ter como iminente o retorno de Cristo. Miller, por esta razão, foi convidado a discursar nas igrejas da maior parte das denominações religiosas.
O numero de pessoas que acolhiam satisfatoriamente a sua mensagem aumentou rapidamente, e com a mesma velocidade, seus pontos de vista acabaram sendo plagiados por muitos pastores das comunidades batistas, metodistas e presbiterianas. Simultaneamente, acreditando estar se aprofundando no estudo das profecias, Miller e seus discípulos chegaram a fixar a data do evento que eles anunciavam: seria o dia 22 de outubro de 1844.
Na iminência do acontecimento as conferencias se multiplicaram e alguns encontros passaram a contar com a presença de até 5000 ouvintes. Este sucesso, no entanto, provocou uma reação de rejeição por parte das igrejas protestantes tradicionais, e depois disso, as posições de intolerância recíproca se radicalizaram. Os que haviam aderido ao movimento passaram a ser chamados “mileritas” e foram expulsos das igrejas oficiais, e uma vez fora, passaram a afirmar que as igrejas que os haviam expulsado praticavam apostasia. Segundo os estudiosos, por volta de um milhão de americanos passaram a acreditar que a profecia de Miller se realizaria na data por ele anunciada.
Mas no dia 22 de outubro de 1844 nada aconteceu, e a desilusão dos mileritas foi indescritível. Com isso, Miller e os demais responsáveis pelo movimento, tiveram que fazer uma declaração publica admitindo seu erro. Apesar do acontecido, no entanto, William Miller não perdeu a fé, e continuou acreditando que o evento se realizaria. Morreu cego no dia 20 de dezembro de 1849. Muitos dos que haviam aderido ao movimento retornaram às suas igrejas de origem, e os demais formaram novos grupos. Entre estes, os que prosseguiram acreditando que Miller cometera um erro na interpretação das profecias, continuaram a fixar novas datas para o fim do mundo. Contudo, passou a existir uma nova interpretação em relação a data fixada por Miller: a data estava certa, mas ele cometera um erro ao acreditar que a Terra seria o plano de purificação, porque em verdade o santuário adequado era o céu, uma vez que era lá que Jesus vivia e iria aparecer.
Neste grupo amadureceram outras convicções relativas à ética cristã: a importância da saúde física como valor espiritual, o respeito integral aos mandamentos de Deus – incluindo o mandamento a respeito do dia de repouso, e a convicção que a desilusão que haviam experimentado era uma prova colocada por Deus diante deles para experimentar sua fé. Acreditaram ainda que a voz de uma moça chamada Hellen G. Harmon – que a eles se juntara - era uma inspiração divina.
O grupo dos mileritas que se convenceu da síntese destes quatro elementos, criou à igreja adventista do sétimo dia e conservou a crença que o evento que Miller havia sinalizado ainda estava para acontecer. Destarte, os expoentes deste pensamento em 1848 se reuniram ao redor de uma mesa: Joseph Bates - o feitor de uma reforma na área da saúde que discursou a respeito do quarto mandamento que prescrevia a observação ao sétimo dia, Hiran Edson - que defendia a tese que o santuário purificado no fim dos 2300 anos da profecia de Daniel não era a terra mas o céu, James White e a própria Ellen G. Harmon, persuadidos que estavam que a experiência dos mileritas havia sido obra de Deus com o objetivo de indicar o caminho que devia ser seguido. Acreditavam que os dons proféticos que reconheciam em Ellen, e em outros crentes, estavam se manifestando com este fim. Fortalecidos por estes pensamentos, dedicaram-se a novos estudos da Bíblia e estes lhe enrobusteceram suas convicções. A conseqüência foi a preparação do credo da igreja adventista do 7 dia.
Transcorreram ainda alguns anos antes que o grupo maturasse a decisão de autonomear-se e adotar uma estrutura organizativa. Finalmente, no ano de 1860, escolheram o nome da associação: “Igreja adventista do 7 dia”, e em 1863 definiram as bases da estrutura eclesiástica que a representaria, baseando-se no modelo presbiteriano. Nasceu assim - segundo eles - uma das igrejas mais ativas do mundo evangélico no plano da evangelização e do empenho social.
Dos Estados Unidos o espírito missionário dos adventistas alcançou a maior parte das nações do mundo, levando a mensagem de esperança abalizada na certeza que Deus dirige a história. Esta mensagem contém um convite para que as pessoas se preparem para a segunda vinda do Senhor, através da adoção de saudáveis hábitos de vida e o respeito à vontade de Deus segundo o que é expresso pela sua palavra.
Que sentido tem a vida? A resposta dos adventistas é: o sentido que Deus lhe da. Ele criou o homem, o salvou, e agora se prepara para lhe devolver definitivamente a felicidade que inicialmente teve e perdeu. Quando? A resposta é dada por Mateus.
Mateus 24:44. Por isso, estais também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.
Fonte: R. Lehmann, Les Adventistes du septième jour, éditions Brépols, 1987

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