Como luteranismo entende-se a teologia, a liturgia e a disciplina eclesiástica que corresponde ao pensamento de Martin Lutero. Os luteranos, assim como as igrejas orientais e os católicos, aceitam a autoridade das Sagradas Escrituras e os tres credos mais antigos: apostólico, niceno e anastasiano - mais especificadamente aderem ao livro de concórdia de 1580 que compreende, alem dos tres credos citados, a “Confissão Augustana” e a sua apologia: o Grande Catequismo, o Catequismo para as crianças de Lutero, os artigos de Smalcalda e a formula da concórdia.
A doutrina de Lutero assume-se através de tres citações:
• “sola fide” = O homem obtém a sua salvação só através da sua fé e não com a sua atividade ou suas obras.
• “sola gratia” = A fé é um exclusivo dom da graça de Deus.
• “sola scriptura” = A fé encontra seu fundamento tão somente na palavra de Deus, ou seja, na Sagrada Escritura, e não na sua interpretação ou na meditação por parte do Magistério da igreja ou na tradição histórica.
Desta forma, este “foco” na palavra de Deus, faz com que os luteranos dêem muita importância á utilização da predicação. Alem disso, refutando a “tradição” – segundo a tradição católica são os ensinamentos que Jesus deu aos apóstolos, oralmente, e que conseqüentemente não foram escritos - os luteranos aceitam somente dois sacramentos: o batismo e a eucaristia, porque são os únicos citados nos Evangelhos. Neste segundo que é a comunhão, os luteranos acreditam que naquele momento existe a real e substancial presencia do corpo e do sangue de Cristo no pão e no vinho e que, depois da consagração, as substancias “corpo-pão e vinho-sangue”, coexistem em perfeita união entre eles. Isso é a consubstanciação.
• Na doutrina católica existe a transubstanciação, ou seja, a transformação total da substancia do pão e do vinho na substancia do corpo e do sangue de Cristo. Só o aspecto exterior não muda.
• Na doutrina Zwingliana o valor da eucaristia é só um simbolismo da ultima ceia do Senhor Jesus, e é considerada uma solene comemoração da morte de Cristo. Assim sendo, espiritualmente ele está presente, mas não materialmente.
• Na doutrina Calvinista - um compromisso entre a Zwingliana e Luterana - a comunhão é entendida como se existisse uma real participação da carne e do sangue de Jesus Cristo, mesmo se isso não significa a presencia no local de Cristo no momento da eucaristia, porque Ele permanece no seu reino que é o céu.
A historia do luteranismo.
A data tradicionalmente aceita como sendo o inicio desta doutrina é o dia 31 de outubro de 1517 quando Lutero fixou suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittemberg. Contudo, o ano da sua ruptura definitiva foi 1520 quando Lutero, ameaçado de ser excomungado com a bolla do papa Leão X “Exsurge Domine”, queimou, no dia 10 de dezembro diante dos estudantes de Wittemberg, este documento, o código de direito canônico e a “Summa theologiae” de são Tomé, sendo definitivamente excomungado o dia 3 de janeiro de 1521 com a bolla “Decet Romanum Pontificem”.
Desde o inicio da reforma, no entanto, devido á discordâncias teológicas, se acentuaram as divisões internas.
• Em 1522 Lutero teve que intervir pessoalmente para por um fim no extremismo de Andréas Bodenstein e dos fanáticos radicais chamados abecedarianos, apelidados de profetas de Zwickau e liderados por Nicholas Storch.
• Em 1525 aconteceu a revolta dos colonos liderara por Thomas Muenster e Heinrich Pfeiffer, que percorreu a Alemanha saqueando, devastando e massacrando, cujas conseqüências golpearam profundamente Lutero. O reformista, diante deste cenário, teve que formular o principio “cuius régio, eius religio” - na sua região [dos príncipes] a sua religião - convencido de que, somente recorrendo à autoridade dos príncipes e a um novo re-ordenamento eclesiástico, era possível garantir a paz necessária ao desenvolvimento da reforma.
Mesmo assim as cisões no núcleo do movimento reformista continuaram e causaram grande desconforto ao seu fundador: no mês de outubro de 1529 foi convocado o “colóquio de Marburg”, com o objetivo de encontrar um consenso, mas contrariando esta esperança, as divergências entre Lutero e Zwingl - relativas ao tema da eucaristia - se aprofundaram, mesmo com a conciliatória “Confessio Augustana” elaborada por Philipp Schwarzerd – Melanchton - apresentada na primeira dieta de Augusta em 1530. Desta forma, a “quebra” com os protestantes suíços aconteceu de fato.
A paz entre luteranos e zwinglianos, celebrada em 1536 na Concórdia de Wittemberg, foi formal e pouco duradoura, mas conseguiu integrar os luteranos alemães do norte com os reformadores da Germânia do sul liderados por Martin Butzer.
O luteranismo depois de Lutero.
Martim Lutero morreu o dia 18 de fevereiro de 1546 e Melanchton, que assumiu o comando da igreja luterana, se dedicou à sua reorganização baseado em um conceito semi-episcopal e à reforma das escolas e das universidades da Alemanha. Por este seu esforço foi apelidado “praeceptor Germaniae”, mas isso não evitou que freqüentemente tivesse que se empenhar em frustrantes e polemicas discussões com os demais teólogos luteranos.
Naquele período os luteranos se dividiram em duas facções: de um lado os seguidores puristas de Lutero, os chamados “gnesioluteranos”, com Nikolaus Von Amsdorf, Mattia Flacio Illirico e Martin Chemniz e os extremistas ubiquitari de Johannes Brenz, e do outro os moderados, representados por Melanchton e seus seguidores, que vieram a ser chamados filipistas.
Mas outros posicionamentos se distinguiram: a antinomiana de Johann Agrícola, a progressiva santificação da alma de Andréas Hosemann e a espiritual mística extrema de Caspar Schwenckfeld Von Ossig.
Depois do livro da Concórdia de 1580 o luteranismo oficial se envolveu em uma cristalização escolar e uma observância rígida e superficial da vida religiosa, que mereceu a ação do movimento dos “pietisti”, movimento este que se desenvolveu entre o XVII e XVIII séculos na Alemanha graças à ação do teólogo Philipp Jakob Spener, inspirado por sua vez pelo trabalho de Johannes Arndt -o pai teológico dos “pietisti” - e do místico francês Jean de Labadie. A atividade dos pietisti prosseguiu sendo desenvolvida pelo discípulo de Spener, August Hermann Francke, na Universidade de Halle.
Em 1817 Frederico Guilherme III da Prússia - 1797-1840 - ao longo das celebrações do terceiro centenário da fixação das 95 teses de Lutero, compeliu a igreja luterana prussiana e a calvinista a formarem uma união evangélica que em pouco tempo foi imitada em todos os demais estados Alemães, mas esta adesão provocou a cisão daqueles que se consideravam os “Velhos Luteranos”.
No século XX a fase mais dramática para o luteranismo alemão foi o período do nazismo, período esse em que o regime de Hitler favoreceu a fundação, em 1933, da igreja evangélica Alemã, o “Deutsche Chisten” - cristãos alemães - de Reichsbischof Ludwig Muller - 1883-1946 - declaradamente de cunho racista ariano. A reação veio através da fundação, em 1934, da igreja “Bekennende Kirche” do pastor Martin Niemoller - 1892-1984 - que acabou sendo preso em 1937
O luteranismo de hoje.
Depois da segunda guerra mundial os luteranos Alemães confluíram para a “EKD - Evangelische Kirche Deutschlands” - igreja evangélica Alemã - e para a “VELKD – Vereinigte Evangelische Lutherische Kirche Deutschlands” - igreja universal evangélica luterana da Alemanha - que age no interior da “EKD” através de uma orientação doutrinal estritamente luterana. Nos dias atuais o luteranismo está presente em quase todas as partes do mundo. A maioria das igrejas luteranas do mundo participa da Federação luterana mundial:
Fonte:http://lutheranworld.org .
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