Presbiterianismo é o nome assumido pelo Calvinismo no mundo da língua inglesa devido a sua particular estrutura organizativa eclesiástica que se baseia em um governo de anciãos, e faz parte da comunidade mundial das igrejas reformadas, ou seja, as que antes eram calvinistas.
A reforma que prevaleceu nas “Lowlands” escocesas em 1560, começou quando em 1562, em Londres, a coroa apoiou os 39 artigos de fé - uma reformulação das 42 do rei Eduardo - feita através da participação do arcebispo Parker, com o objetivo de tentar um compromisso entre o catolicismo, o luteranismo e o calvinismo. Contudo, como este acordo não satisfez o pastor John Knox - discípulo de Calvino - porque considerava o culto anglicano muito similar ao católico, guiou à igreja Escocesa a se separar do anglicanismo e lhe impôs o calvinismo como religião nacional.
Na Escócia, como em outros paises, a Reforma difundiu-se em um contesto social que já era hostil à igreja de Roma, e engrossaram esta hostilidade os seguidores da doutrinas de John Wycliff.
Os mercadores e a pequena nobreza foram particularmente ativos na sustentação da reforma Escocesa, utilizada como instrumento para alavancar a autodeterminação nacional e a independência da Inglaterra. Foi assim que o movimento de protesto contra o anglicanismo difundiu-se rapidamente mesmo com as medidas repressivas impostas pela monarquia. O primeiro movimento de reforma assemelhava-se ao luteranismo, mas, sob a liderança de Knox - que em 1560 persuadiu o Parlamento Escocês a adotar uma profissão de fé e um manual de disciplina moldado naqueles utilizados em Genebra - tomou o rumo calvinista. Em seguida, através de um ato do Parlamento, criou-se a igreja escocesa e seu governo foi confiado a reuniões da “Kirk” – que em escocês significa igreja local - e a uma assembléia geral da qual eram participes todas as igrejas de todo o país.
Maria Stuart, a rainha católica Inglesa, tentou combater a nova igreja da Escócia mas, depois de lutar sete anos, teve que deixar o país. Por esta razão o catolicismo se manteve forte só em determinados distritos, especialmente entre as famílias nobres.
Os Presbiterianos, como já vimos, obtiveram a liberdade de culto em 1688 no reinado de Jaime II, través do Ato de Tolerância - Declaração de Indulgência - que beneficiou os principais grupos dissidentes, e entre eles, além dos Presbiterianos, os Congregacionalistas, os Batistas e os Quaquers, e, migrando para a América do Norte com os súditos ingleses que formaram as treze grandes colônias, desenvolveram este culto naquele país. Hoje estão presentes em muitos outros países, entre estes a Austrália, a Nova Zelândia e o Canadá.
O termo “presbiterianismo” do grego presbyteros – ancião - indica que o governo eclesiástico desta igreja é confiado aos anciões da comunidade, sejam eles ministros de cultos ou leigos de ambos os sexos.
A unidade base da igreja presbiteriana é a congregação de cada local, dirigida pelos anciãos eleitos, aqueles que também participam da sustentação financeira da congregação, enquanto que na republica teocrática instaurada por Calvino em Genebra, era o povo que elegia os presbíteros. São os anciãos ainda que escolhem o seu pastor, ou seja, o ministro do culto.
As congregações reúnem-se em presbíteros - o conselho dos anciões - em termos territoriais, e cada congregação envia o seu respectivo presbítero, acompanhado por um ancião, seu pastor. Anualmente todos os presbíteros se reúnem em Assembléia geral para tratar de todos os aspectos pertinentes à gestão das igrejas.
Esta forma democrático-representativa do governo das igrejas presbiterianas, adversas á autoridades de “direito divino”, contribuiu entre o XVII e o XVIII século, ao desenvolvimento e a difusão das idéias democráticas e revolucionárias em varias partes do mundo.
A origem da ordenação presbiteriana é o calvinismo que João Calvino organizou na cidade de Genebra. Uma comunidade religiosa dirigida por anciãos que foi estruturada de forma semelhante às primeiras comunidades cristãs segundo as descrições contidas em Atos dos Apóstolos.
O calvinismo foi levado para à América do Norte pelos puritanos ingleses que se radicaram em Massachusetts no início do século XVII. O primeiro grupo se estabeleceu em Plymouth em 1620, e o segundo constituiu as cidades de Salem e Boston dez anos depois. Nas décadas seguintes mais de 20 mil puritanos cruzaram o Atlântico em busca de liberdade religiosa e novas oportunidades. Todavia, esses calvinistas ao se organizarem religiosamente preferiram um governo congregacional, não presbiteriano. Os calvinistas que mantiveram a organização presbiteriana foram aqueles que haviam partido do continente europeu. Dentre estes, coube aos primeiros que la chegaram - os holandeses - a fundar a cidade que originalmente foi chamada Nova Amsterdã e depois Nova York. Isso aconteceu em 1623.
Um grande numero de huguenotes franceses, fugindo da perseguição religiosa em sua pátria, também foram para a América do Norte, assim como fez um numeroso contingente de reformados alemães entre 1700 e 1770. Esses imigrantes formaram suas próprias denominações e mais tarde muitos deles ingressaram na Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos.
Da Escócia, nos primeiros tempos da civilização, muitos presbiterianos seguiram para os Estados Unidos, todavia, foram os escoceses-irlandeses os principais responsáveis pela introdução do presbiterianismo naquele país. Somente no século XVIII mais de 300 mil cruzaram o Atlântico para se radicarem principalmente em Nova Jersey, Pensilvânia, Maryland, Virgínia e nas Carolinas. No oeste da Pensilvânia fundaram Pittsburgh que por muito tempo foi à cidade mais presbiteriana dos Estados Unidos.
No século XVII as comunidades presbiterianas que viviam nos Estados Unidos eram dispersas, só no início do século seguinte que começaram a se unir em concílios. Um dos responsáveis por este fato foi o Rev. Francis Makemie (1658-1708), que devido a isso acabou sendo considerado o pai do presbiterianismo americano. Ordenado na Irlanda do Norte em 1683, em seguida foi para a América ali fundando diversas igrejas. Como a Igreja Anglicana havia sido escolhida a religião oficial em várias colônias, ele sofreu muitas perseguições. Em 1706 chegou a ser preso em Nova York em 1706. Sob a sua liderança em 1706 foi disposto o Presbitério de Filadélfia, e em 1717 organizou o Sínodo deste locar composto por quatro presbitérios. Naquela época, a igreja presbiteriana contava com dezenove pastores, quarenta igrejas e cerca de três mil membros.
Em 1729 foi aprovado o “Ato de Adoção,” e através dele foi adotada a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster como padrões doutrinários. Entre os anos 1741 a 1758 o movimento presbiteriano sofreu uma cisão devido a diferentes pontos de vista acerca da educação teológica: O grupo original, chamado Ala Velha, continuou no Sínodo de Filadélfia, e o outro, a Ala Nova, com o Sínodo de Nova York.
Durante a Revolução Americana os presbiterianos foram atuantes. O Rev. John Witherspoon, um escocês, foi presidente da Universidade de Princeton por vinte e cinco anos, e foi o único pastor que em 1776 assinou a Declaração de Independência dos Estados Unidos.
Em 1788 o Sínodo de Nova York e aquele de Filadélfia dividiram-se em quatro:Nova York e Nova Jersey; Filadélfia; Virgínia e Carolinas, e no dia 21 de maio do ano seguinte foi organizada pela primeira vez a “Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América.” Em 1800, segundo os presbiterianos, a sua Igreja era a mais influente do país: possuía 450 igrejas, contava com 180 pastores e cerca de 100 mil membros.
Em 1801 os presbiterianos e os congregacionalistas iniciaram um trabalho cooperativo - Plano de União - com o objetivo de evangelizar com mais eficiência a população que estava se deslocando para o oeste. Esse foi o período que passou a ser conhecido como Segundo Grande Despertar. Em decorrência deste trabalho, em 1837 a Igreja Presbiteriana possuía quase 3 mil igrejas, 2140 pastores e 200 mil membros.
Devido a uma controvérsia sobre os requisitos para a ordenação de ministros, em 1810 surgiu a Igreja Presbiteriana de Cumberland, no Tennessee. Uma divisão mais séria ocorreu entre os grupos conhecidos como ala velha e ala nova, e depois disso, em 1837, a ala velha obteve a maioria na Assembléia Geral: cancelou o Plano de União de 1801 e excluiu quatro sínodos inteiros dividindo ao meio a denominação. No mesmo ano, foi criada a Junta de Missões Estrangeiras, sediada em Nova York, que 22 anos mais tarde enviaria o seu primeiro missionário ao Brasil.
Entre 1857 e 1861 ocorreram novas divisões, desta vez ocasionadas pelo problema da escravidão. As igrejas da ala nova e ala velha do sul, favoráveis à escravidão, separaram-se das do norte, criando-se assim, duas grandes denominações presbiterianas: a Igreja do Norte (PCUSA) e a Igreja do Sul (PCUS).
domingo, 28 de março de 2010
( IX ) ADVENTISTAS DO 7 DIA
A igreja adventista também surgiu para responder às eternas perguntas existenciais. Nasceu da reflexão, em alguns aspectos totalmente originais, de um grupo de crentes oriundos de varias denominações protestantes. Eles julgavam que redescobririam na Bíblia as respostas que Deus oferecia às interrogações que a humanidade sempre formulara: Quem é o homem? De onde vem? Qual é seu destino?
A igreja adventista é uma igreja jovem, e, como outras igrejas evangélicas, não é uma igreja tradicional e nacional. Não se identifica com a cultura de um povo ou de uma nação como, por exemplo, a igreja católica romana na Itália, a igreja católica ortodoxa na Rússia ou a igreja luterana na Alemanha e na Suécia. Não obstante, seu nascimento está ligado à mentalidade e a cultura de um povo e de uma nação: Os Estados Unidos da América.
O mito americano foi plasmado por uma geração de homens firmemente radicados nas idéias protestantes: eram os calvinistas, os puritanos e os republicanos e humanistas. O chamado “novo mundo” é o seu testemunho mais evidente. Estavam convencidos de estar obrando para a fundação de um mundo novo de acordo com a vontade de Deus.
Quando em 1620 os padres peregrinos desembarcaram nas costas da “nova Inglaterra”, acreditavam que estavam sendo “chamados” para serem o povo de Deus, e estavam convencidos que seu dever era colaborar para estabelecer seu reino no mundo. Um reino de liberdade e justiça fundado sobre os princípios indiscutíveis da palavra de Deus.
Eles nutriam a esperança de poder viver com liberdade a própria fé, e construir, sobre os fundamentos da Bíblia, uma nova sociedade, diferente da que era vivida por aqueles que habitavam as nações da velha Europa da qual haviam fugido.
Identificando a sua historia com à do povo de Israel, eles estavam persuadidos que o continente que os hospedava era a terra prometida. Nela, Deus criaria um novo mundo, uma nova sociedade que se transformaria em uma luz pra as outras nações. Em outras palavras, um exemplo á seguir.
Com as gerações sucessivas, a força espiritual dos primeiros colonos do novo mundo enfraqueceu. A chegada de novos imigrantes, a difusão das idéias deistas inspiradas pela revolução francesa e, sobretudo, as crises políticas que uma nação em crescimento tinha que enfrentar - como as guerras de independência e as conseqüentes dificuldades econômicas – frearam o ímpeto daqueles religiosos. Por cerca de tres séculos na América se alternaram períodos de frieza religiosa e grandes retornos à fé que vieram a ser chamados: “Great Awakenings”. Em particular, estes fenômenos coletivos caracterizaram o XVIII e o XIX século com dois grandes movimentos que foram chamados “o primeiro grande despertar” - por volta de 1740 e o segundo “grande despertar” em 1800. Inúmeras igrejas evangélicas vieram à luz nestes dois momentos.
Nestes movimentos largamente populares, através do estudo da Bíblia, os americanos redescobriam o significado da sua missão e de seu dever patriótico. A convicção de que a nação americana havia sido eleita por Deus para uma missão mundial era indestrutível.
Desde o fim de 1700 e até a metade de 1800, ou seja, duas gerações, a onda do segundo grande despertar protestante percorreu a nação e uniu, em um único esforço para cristianizar a América, Batistas, Congregacionalistas, Metodistas, Presbiterianos e Quaquers, enquanto nos vários Estados floresciam as leis que apadrinhavam o controle dos costumes, particularmente no que dizia à respeito do repouso semanal e à proibição do consumo de bebidas alcoólicas. Concomitantemente, as reuniões sobre temáticas e reflexões religiosas uniam milhares de pessoas em grandes acampamentos chamados “Camp-meetings”.
O termo milenarismo define a fé daqueles que esperavam o segundo advento do Senhor sobre a Terra, estudando nas profecias bíblicas as épocas e os tempos desta chegada. As profecias relativas ao retorno de Jesus sempre estiveram no centro da atenção dos crentes, e, em quase todos os séculos da era cristã, o Milenarismo teve seus representantes.
Porém, no século que marcou o fim de 1700 e o inicio de 1800, um grande numero de estudiosos da Bíblia - no ocidente cristão - endereçou suas atenções às profecias do fim do mundo. Mesmo no meio do segundo grande despertar se desenvolveu um forte componente Milenarista.
Um agricultor do Massachussetts, William Miller, aborrecido pela violência e dramaticidade da guerra contra os ingleses - 1812-1814 - na qual combatera com o grau de capitão, não se sentiu satisfeito com as convicções deistas até então sustentadas, e decidiu procurar na Bíblia as respostas a respeito do sentido da vida humana.
Programou-se, então, para dedicar dois anos ao estudo das Sagradas Escrituras e buscar a sua verdadeira mensagem. Na sua concepção, os textos da Bíblia se auto-explicariam pela própria Bíblia, ou seja: ela se constitui em uma mensagem que contem em si mesma tudo o que é necessário para interpretá-la. Influenciado pela preocupação geral em relação a historia e ao fim do mundo, Miller endereçou sua atenção aos livros do profeta Daniel e do apocalipse. Do livro de Daniel, em particular, deduziu - baseado em cálculos cronológicos precisos - que o retorno de Cristo, e o conseqüente fim do mundo, se verificaria entre os anos 1843 e 1844.
Naqueles anos se desenvolveu um novo grande movimento, o “Second Great Awakenings”, e com ele voltou-se a ter como iminente o retorno de Cristo. Miller, por esta razão, foi convidado a discursar nas igrejas da maior parte das denominações religiosas.
O numero de pessoas que acolhiam satisfatoriamente a sua mensagem aumentou rapidamente, e com a mesma velocidade, seus pontos de vista acabaram sendo plagiados por muitos pastores das comunidades batistas, metodistas e presbiterianas. Simultaneamente, acreditando estar se aprofundando no estudo das profecias, Miller e seus discípulos chegaram a fixar a data do evento que eles anunciavam: seria o dia 22 de outubro de 1844.
Na iminência do acontecimento as conferencias se multiplicaram e alguns encontros passaram a contar com a presença de até 5000 ouvintes. Este sucesso, no entanto, provocou uma reação de rejeição por parte das igrejas protestantes tradicionais, e depois disso, as posições de intolerância recíproca se radicalizaram. Os que haviam aderido ao movimento passaram a ser chamados “mileritas” e foram expulsos das igrejas oficiais, e uma vez fora, passaram a afirmar que as igrejas que os haviam expulsado praticavam apostasia. Segundo os estudiosos, por volta de um milhão de americanos passaram a acreditar que a profecia de Miller se realizaria na data por ele anunciada.
Mas no dia 22 de outubro de 1844 nada aconteceu, e a desilusão dos mileritas foi indescritível. Com isso, Miller e os demais responsáveis pelo movimento, tiveram que fazer uma declaração publica admitindo seu erro. Apesar do acontecido, no entanto, William Miller não perdeu a fé, e continuou acreditando que o evento se realizaria. Morreu cego no dia 20 de dezembro de 1849. Muitos dos que haviam aderido ao movimento retornaram às suas igrejas de origem, e os demais formaram novos grupos. Entre estes, os que prosseguiram acreditando que Miller cometera um erro na interpretação das profecias, continuaram a fixar novas datas para o fim do mundo. Contudo, passou a existir uma nova interpretação em relação a data fixada por Miller: a data estava certa, mas ele cometera um erro ao acreditar que a Terra seria o plano de purificação, porque em verdade o santuário adequado era o céu, uma vez que era lá que Jesus vivia e iria aparecer.
Neste grupo amadureceram outras convicções relativas à ética cristã: a importância da saúde física como valor espiritual, o respeito integral aos mandamentos de Deus – incluindo o mandamento a respeito do dia de repouso, e a convicção que a desilusão que haviam experimentado era uma prova colocada por Deus diante deles para experimentar sua fé. Acreditaram ainda que a voz de uma moça chamada Hellen G. Harmon – que a eles se juntara - era uma inspiração divina.
O grupo dos mileritas que se convenceu da síntese destes quatro elementos, criou à igreja adventista do sétimo dia e conservou a crença que o evento que Miller havia sinalizado ainda estava para acontecer. Destarte, os expoentes deste pensamento em 1848 se reuniram ao redor de uma mesa: Joseph Bates - o feitor de uma reforma na área da saúde que discursou a respeito do quarto mandamento que prescrevia a observação ao sétimo dia, Hiran Edson - que defendia a tese que o santuário purificado no fim dos 2300 anos da profecia de Daniel não era a terra mas o céu, James White e a própria Ellen G. Harmon, persuadidos que estavam que a experiência dos mileritas havia sido obra de Deus com o objetivo de indicar o caminho que devia ser seguido. Acreditavam que os dons proféticos que reconheciam em Ellen, e em outros crentes, estavam se manifestando com este fim. Fortalecidos por estes pensamentos, dedicaram-se a novos estudos da Bíblia e estes lhe enrobusteceram suas convicções. A conseqüência foi a preparação do credo da igreja adventista do 7 dia.
Transcorreram ainda alguns anos antes que o grupo maturasse a decisão de autonomear-se e adotar uma estrutura organizativa. Finalmente, no ano de 1860, escolheram o nome da associação: “Igreja adventista do 7 dia”, e em 1863 definiram as bases da estrutura eclesiástica que a representaria, baseando-se no modelo presbiteriano. Nasceu assim - segundo eles - uma das igrejas mais ativas do mundo evangélico no plano da evangelização e do empenho social.
Dos Estados Unidos o espírito missionário dos adventistas alcançou a maior parte das nações do mundo, levando a mensagem de esperança abalizada na certeza que Deus dirige a história. Esta mensagem contém um convite para que as pessoas se preparem para a segunda vinda do Senhor, através da adoção de saudáveis hábitos de vida e o respeito à vontade de Deus segundo o que é expresso pela sua palavra.
Que sentido tem a vida? A resposta dos adventistas é: o sentido que Deus lhe da. Ele criou o homem, o salvou, e agora se prepara para lhe devolver definitivamente a felicidade que inicialmente teve e perdeu. Quando? A resposta é dada por Mateus.
Mateus 24:44. Por isso, estais também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.
Fonte: R. Lehmann, Les Adventistes du septième jour, éditions Brépols, 1987
A igreja adventista é uma igreja jovem, e, como outras igrejas evangélicas, não é uma igreja tradicional e nacional. Não se identifica com a cultura de um povo ou de uma nação como, por exemplo, a igreja católica romana na Itália, a igreja católica ortodoxa na Rússia ou a igreja luterana na Alemanha e na Suécia. Não obstante, seu nascimento está ligado à mentalidade e a cultura de um povo e de uma nação: Os Estados Unidos da América.
O mito americano foi plasmado por uma geração de homens firmemente radicados nas idéias protestantes: eram os calvinistas, os puritanos e os republicanos e humanistas. O chamado “novo mundo” é o seu testemunho mais evidente. Estavam convencidos de estar obrando para a fundação de um mundo novo de acordo com a vontade de Deus.
Quando em 1620 os padres peregrinos desembarcaram nas costas da “nova Inglaterra”, acreditavam que estavam sendo “chamados” para serem o povo de Deus, e estavam convencidos que seu dever era colaborar para estabelecer seu reino no mundo. Um reino de liberdade e justiça fundado sobre os princípios indiscutíveis da palavra de Deus.
Eles nutriam a esperança de poder viver com liberdade a própria fé, e construir, sobre os fundamentos da Bíblia, uma nova sociedade, diferente da que era vivida por aqueles que habitavam as nações da velha Europa da qual haviam fugido.
Identificando a sua historia com à do povo de Israel, eles estavam persuadidos que o continente que os hospedava era a terra prometida. Nela, Deus criaria um novo mundo, uma nova sociedade que se transformaria em uma luz pra as outras nações. Em outras palavras, um exemplo á seguir.
Com as gerações sucessivas, a força espiritual dos primeiros colonos do novo mundo enfraqueceu. A chegada de novos imigrantes, a difusão das idéias deistas inspiradas pela revolução francesa e, sobretudo, as crises políticas que uma nação em crescimento tinha que enfrentar - como as guerras de independência e as conseqüentes dificuldades econômicas – frearam o ímpeto daqueles religiosos. Por cerca de tres séculos na América se alternaram períodos de frieza religiosa e grandes retornos à fé que vieram a ser chamados: “Great Awakenings”. Em particular, estes fenômenos coletivos caracterizaram o XVIII e o XIX século com dois grandes movimentos que foram chamados “o primeiro grande despertar” - por volta de 1740 e o segundo “grande despertar” em 1800. Inúmeras igrejas evangélicas vieram à luz nestes dois momentos.
Nestes movimentos largamente populares, através do estudo da Bíblia, os americanos redescobriam o significado da sua missão e de seu dever patriótico. A convicção de que a nação americana havia sido eleita por Deus para uma missão mundial era indestrutível.
Desde o fim de 1700 e até a metade de 1800, ou seja, duas gerações, a onda do segundo grande despertar protestante percorreu a nação e uniu, em um único esforço para cristianizar a América, Batistas, Congregacionalistas, Metodistas, Presbiterianos e Quaquers, enquanto nos vários Estados floresciam as leis que apadrinhavam o controle dos costumes, particularmente no que dizia à respeito do repouso semanal e à proibição do consumo de bebidas alcoólicas. Concomitantemente, as reuniões sobre temáticas e reflexões religiosas uniam milhares de pessoas em grandes acampamentos chamados “Camp-meetings”.
O termo milenarismo define a fé daqueles que esperavam o segundo advento do Senhor sobre a Terra, estudando nas profecias bíblicas as épocas e os tempos desta chegada. As profecias relativas ao retorno de Jesus sempre estiveram no centro da atenção dos crentes, e, em quase todos os séculos da era cristã, o Milenarismo teve seus representantes.
Porém, no século que marcou o fim de 1700 e o inicio de 1800, um grande numero de estudiosos da Bíblia - no ocidente cristão - endereçou suas atenções às profecias do fim do mundo. Mesmo no meio do segundo grande despertar se desenvolveu um forte componente Milenarista.
Um agricultor do Massachussetts, William Miller, aborrecido pela violência e dramaticidade da guerra contra os ingleses - 1812-1814 - na qual combatera com o grau de capitão, não se sentiu satisfeito com as convicções deistas até então sustentadas, e decidiu procurar na Bíblia as respostas a respeito do sentido da vida humana.
Programou-se, então, para dedicar dois anos ao estudo das Sagradas Escrituras e buscar a sua verdadeira mensagem. Na sua concepção, os textos da Bíblia se auto-explicariam pela própria Bíblia, ou seja: ela se constitui em uma mensagem que contem em si mesma tudo o que é necessário para interpretá-la. Influenciado pela preocupação geral em relação a historia e ao fim do mundo, Miller endereçou sua atenção aos livros do profeta Daniel e do apocalipse. Do livro de Daniel, em particular, deduziu - baseado em cálculos cronológicos precisos - que o retorno de Cristo, e o conseqüente fim do mundo, se verificaria entre os anos 1843 e 1844.
Naqueles anos se desenvolveu um novo grande movimento, o “Second Great Awakenings”, e com ele voltou-se a ter como iminente o retorno de Cristo. Miller, por esta razão, foi convidado a discursar nas igrejas da maior parte das denominações religiosas.
O numero de pessoas que acolhiam satisfatoriamente a sua mensagem aumentou rapidamente, e com a mesma velocidade, seus pontos de vista acabaram sendo plagiados por muitos pastores das comunidades batistas, metodistas e presbiterianas. Simultaneamente, acreditando estar se aprofundando no estudo das profecias, Miller e seus discípulos chegaram a fixar a data do evento que eles anunciavam: seria o dia 22 de outubro de 1844.
Na iminência do acontecimento as conferencias se multiplicaram e alguns encontros passaram a contar com a presença de até 5000 ouvintes. Este sucesso, no entanto, provocou uma reação de rejeição por parte das igrejas protestantes tradicionais, e depois disso, as posições de intolerância recíproca se radicalizaram. Os que haviam aderido ao movimento passaram a ser chamados “mileritas” e foram expulsos das igrejas oficiais, e uma vez fora, passaram a afirmar que as igrejas que os haviam expulsado praticavam apostasia. Segundo os estudiosos, por volta de um milhão de americanos passaram a acreditar que a profecia de Miller se realizaria na data por ele anunciada.
Mas no dia 22 de outubro de 1844 nada aconteceu, e a desilusão dos mileritas foi indescritível. Com isso, Miller e os demais responsáveis pelo movimento, tiveram que fazer uma declaração publica admitindo seu erro. Apesar do acontecido, no entanto, William Miller não perdeu a fé, e continuou acreditando que o evento se realizaria. Morreu cego no dia 20 de dezembro de 1849. Muitos dos que haviam aderido ao movimento retornaram às suas igrejas de origem, e os demais formaram novos grupos. Entre estes, os que prosseguiram acreditando que Miller cometera um erro na interpretação das profecias, continuaram a fixar novas datas para o fim do mundo. Contudo, passou a existir uma nova interpretação em relação a data fixada por Miller: a data estava certa, mas ele cometera um erro ao acreditar que a Terra seria o plano de purificação, porque em verdade o santuário adequado era o céu, uma vez que era lá que Jesus vivia e iria aparecer.
Neste grupo amadureceram outras convicções relativas à ética cristã: a importância da saúde física como valor espiritual, o respeito integral aos mandamentos de Deus – incluindo o mandamento a respeito do dia de repouso, e a convicção que a desilusão que haviam experimentado era uma prova colocada por Deus diante deles para experimentar sua fé. Acreditaram ainda que a voz de uma moça chamada Hellen G. Harmon – que a eles se juntara - era uma inspiração divina.
O grupo dos mileritas que se convenceu da síntese destes quatro elementos, criou à igreja adventista do sétimo dia e conservou a crença que o evento que Miller havia sinalizado ainda estava para acontecer. Destarte, os expoentes deste pensamento em 1848 se reuniram ao redor de uma mesa: Joseph Bates - o feitor de uma reforma na área da saúde que discursou a respeito do quarto mandamento que prescrevia a observação ao sétimo dia, Hiran Edson - que defendia a tese que o santuário purificado no fim dos 2300 anos da profecia de Daniel não era a terra mas o céu, James White e a própria Ellen G. Harmon, persuadidos que estavam que a experiência dos mileritas havia sido obra de Deus com o objetivo de indicar o caminho que devia ser seguido. Acreditavam que os dons proféticos que reconheciam em Ellen, e em outros crentes, estavam se manifestando com este fim. Fortalecidos por estes pensamentos, dedicaram-se a novos estudos da Bíblia e estes lhe enrobusteceram suas convicções. A conseqüência foi a preparação do credo da igreja adventista do 7 dia.
Transcorreram ainda alguns anos antes que o grupo maturasse a decisão de autonomear-se e adotar uma estrutura organizativa. Finalmente, no ano de 1860, escolheram o nome da associação: “Igreja adventista do 7 dia”, e em 1863 definiram as bases da estrutura eclesiástica que a representaria, baseando-se no modelo presbiteriano. Nasceu assim - segundo eles - uma das igrejas mais ativas do mundo evangélico no plano da evangelização e do empenho social.
Dos Estados Unidos o espírito missionário dos adventistas alcançou a maior parte das nações do mundo, levando a mensagem de esperança abalizada na certeza que Deus dirige a história. Esta mensagem contém um convite para que as pessoas se preparem para a segunda vinda do Senhor, através da adoção de saudáveis hábitos de vida e o respeito à vontade de Deus segundo o que é expresso pela sua palavra.
Que sentido tem a vida? A resposta dos adventistas é: o sentido que Deus lhe da. Ele criou o homem, o salvou, e agora se prepara para lhe devolver definitivamente a felicidade que inicialmente teve e perdeu. Quando? A resposta é dada por Mateus.
Mateus 24:44. Por isso, estais também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.
Fonte: R. Lehmann, Les Adventistes du septième jour, éditions Brépols, 1987
( VIII ) BATISTAS
Quando John Smyth fundou a igreja batista no século XVI, não considerou que assim como ele - após Lutero - outros também haviam tido a possibilidade de possuir, analisar e interpretar a Bíblia como quisessem, e assim sendo, poderiam ter enriquecido os registros históricos a seu bel prazer através do tempo que ele não teve. Desta forma, poderiam ter cunhado o seu credo muito melhor do que ele fez. É por esta razão que o aspecto que caracteriza a igreja batista é o batismo de João: um novo batismo por imersão, uma “lavagem” para purificar os que se convertem a esta religião, ou religiões que lhe seguiram o caminho. Dai o nome de “anabatistas” ou “rebatizadores” que estes religiosos mantém, mesmo se este movimento sofreu forte repressão por parte de Lutero, Zuinglio e dos príncipes alemães, porque desencadeou, como vimos, revoltas fanáticas das quais a mais famosa é a dos camponeses, cujo chefe, Thomas Munzer, foi decapitado em 1525. Decapitação esta que provocou o êxodo para outros paises de não poucos anabatistas que se tornaram responsáveis pela propagação das suas idéias na Itália, Holanda, Inglaterra e na Escandinávia.
Hoje a presença desta igreja é mundial. As ramificações mais importantes que procederam do tronco anabatista são: os menonitas - de Memo Simons, os irmãos huterianos - de Tiago Hutter, a Igreja dos Irmãos, nos E.U.A., a Igreja dos Irmãos Evangélicos Unidos e a Igreja Batista que entre elas é a mais numerosa. A expressão: “cristão não se nasce, mas quem o deseja se torna”, usada pelos batistas, traduz seu pensamento como veremos a seguir.
Para utilizar o linguajar dos primeiros batistas, dizem, pode-se dizer que a igreja é a comunidade dos santos, os quais confessam Jesus Cristo como Senhor através do batismo e se empenham em uma vida de discípulos. Desta forma, para ter uma igreja assim, foi necessário repensar totalmente à praxe do batismo e os focos desta nova conceituação é: para passar a pertencer ao Cristo torna-se imprescindível o arrependimento, e depois dele passar a viver uma vida de apostolo, os seja, afastado dos modelos de impureza do mundo.
Desde suas origens, entre o fim do XVI e inicio do XVII século, os batistas inspiraram-se no modelo do Novo Testamento, através do qual a igreja é a comunidade de todos os que acolheram a palavra pregada e que, sob a guia do Espírito Santo, foram conduzidos ao arrependimento, á confissão de fé e ao batismo por imersão, segundo quanto é indicado em:
Atos 2:38. Pedro lhes respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vos seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”.
Mateus 28:19. “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
Marcos 16:16-17. “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão suas mãos aos enfermos e eles ficarão curados.
Os discípulos de Jesus Cristo - dizem os batistas - que vieram a ser designados pelo nome “batista” se caracterizavam pela sua fidelidade às Escrituras e por isso só recebiam em suas comunidades - como membros atuantes - pessoas convertidas pelo Espírito Santo de Deus. Somente essas pessoas eram por eles batizadas, e não reconheciam como válido o batismo administrado na infância por qualquer grupo cristão, pois, para eles, crianças recém-nascidas não tem consciência do pecado, da regeneração, da fé e da salvação.
A designação surgiu no século XVII, mas aqueles discípulos de Jesus Cristo estavam espiritualmente ligados a todos os que, através dos séculos, procuraram permanecer fiéis aos ensinamentos das Escrituras, repudiando, mesmo com risco da própria vida, os acréscimos e corrupções de origem humana.
Princípios batistas.
(1) A Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana. (2) É o registro da revelação que Deus fez de si mesmo aos homens. (3) Sendo Deus seu verdadeiro autor, foi escrita por homens inspirados e dirigidos pelo Espírito Santo. (4) Tem por finalidade revelar os propósitos de Deus, levar os pecadores à salvação, edificar os crentes e promover a glória de Deus. (5) Seu conteúdo é a verdade, sem mescla de erro e por isso é um perfeito tesouro de instrução divina. (6) Revela o destino final do mundo e os critérios pelos quais Deus julgará todos os homens. (7) A Bíblia é autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual deve ser aferida a doutrina e a conduta dos homens. (8) Ela deve ser interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus Cristo.
(1)-Mateus 24:35. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.
(2)-Lucas 24:44-45. Depois lhes disse: Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse o que de mim está escrito na Lei de Moises, nos profetas e nos Salmos. Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as escrituras.
(3)-Atos 3:21. É necessário, porem, que o céu o receba até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus, outrora, pela boca dos seus profetas.
(4)-Lucas 16:29. Abraão respondeu: Eles lá têm Moises e os profetas; ouçam-nos!
(5)-II Timoteo 3:15-17. Empenha-te em te apresentares diante de Deus como homem digno de aprovação, operário que não tem de que se envergonhar, integro distribuidor da palavra da verdade. Procura esquivar-te das conversas frívolas dos mundanos, que só contribuem para a impiedade. As palavras dessa gente destroem como gangrena. Entre eles estão Himeneu e Fileto.
(6)-Romanos 3:4.De modo algum. Porque Deus há de ser reconhecido como veraz, e todo homem como mentiroso, segundo está escrito: “Assim, serás reconhecido justo nas tuas palavras e vencerás, quando julgares”.
(7)-Mateus 5:17. Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas, mas sim para levá-los á perfeição.
(8)-Hebreus 1:1-2. Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas.
Deus.
(1) O único Deus vivo e verdadeiro é espírito pessoal, eterno, infinito e imutável; é onipotente, onisciente, e onipresente; é perfeito em santidade; justiça, verdade e amor. (2) Ele é criador, sustentador, redentor, juiz e senhor da história e do universo, que governa pelo Seu poder, dispondo de todas as coisas, de acordo com o seu eterno propósito e graça (3) Deus é infinito em santidade e em todas as demais perfeições. (4) Por isso, a Ele devemos todo o amor, culto e obediência. (5) Em sua trindade, o eterno Deus se revela como Pai, Filho e Espírito Santo, pessoas distintas mas sem divisão em sua essência.
(1)- Deuteronômio 6:4 = ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.
(2)-Efesios 3:11. De acordo com o designo eterno que Deus realizou em Jesus Cristo, nosso Senhor.
(3)-Êxodo 15:11. Quem entre os deuses é semelhante a vós Senhor? Quem é semelhante a vós, glorioso por sua santidade, temível por vossos feitos dignos de louvor, e que operais prodígios?
(4)-Mateus 28:19. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
(5)-Marcos 1:9-11.Ora, naqueles dias veio Jesus de Nazaré, da Galileia, e foi batizado por João no Jordão. No momento em que Jesus saia da água, João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre eles. E ouviu-se dos céus uma voz: Tu és meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição.
Deus Pai
(1) Deus, como Criador, manifesta disposição paternal para com todos os homens. (2) Historicamente Ele se revelou primeiro como Pai ao povo de Israel, que escolheu consoante os propósitos de sua graça. (3) Ele é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, a quem enviou a este mundo para salvar os pecadores e deles fazer filhos por adoção (4) Aqueles que aceitam Jesus Cristo e n’Ele crêem são feitos filhos de Deus, nascidos pelo seu Espírito, e, assim, passam a tê-lo como Pai celestial, d’Ele recebendo proteção e disciplina
(1)-I Corintios 8:6. Mas, para nos, há um só Deus, o Pai, do qual procedem todas as coisas e para o qual existimos, e um só Senhor, Jesus Cristo, por quem todas as coisas existem e nos também.
(2)-Êxodo 4:22-23. Tu lhes dirás: Assim fala o Senhor: Israel é meu primogênito. Eu te digo: deixa ir o meu Filho, para que ele me preste um culto. Se te recusas a deixá-lo partir, farei perecer teu filho primogênito.
(3)-João 1:12. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
(4)-Gálatas 3:26. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo.
Deus Filho
(1) Jesus Cristo, um em essência com o Pai, é o eterno Filho de Deus. (2) N’Ele, por Ele e para Ele, foram criadas todas as coisas. (3) Na plenitude dos tempos Ele se fez carne, na pessoa real e histórica de Jesus Cristo, gerado pelo Espírito Santo e nascido de Virgem Maria, sendo em sua pessoa verdadeiro Deus e verdadeiro homem. (4) Jesus é a imagem expressa do seu Pai, a revelação suprema de Deus ao homem. (5) Ele honrou e cumpriu plenamente a lei divina e obedeceu a toda a vontade de Deus. (6) Identificou-se perfeitamente com os homens, sofrendo o castigo e expiando as culpas de nossos pecados, conquanto Ele mesmo não tivesse pecado. (7) Para salvar-nos do pecado morreu na cruz, foi sepultado e ao terceiro dia ressurgiu dentre os mortos e, depois de aparecer muitas vezes a seus discípulos, ascendeu aos céus, onde, à destra do Pai, exerce o seu eterno Supremo Sacerdócio. (8) Jesus Cristo é o Único Mediador entre Deus e os homens e o Único suficiente Salvador e Senhor. (9) Pelo seu Espírito Ele está presente e habita no coração de cada crente e na Igreja. (10) Ele voltará visivelmente a este mundo em grande poder e glória, para julgar os homens e consumar sua obra redentora
(1)-João 11:27. Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu es o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.
(2)-João 1:3. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.
(3)-Isaias 7:14. Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará “Deus Conosco”.
(4)-Hebreus 1:3. Dou graças a Deus, a quem sirvo com pureza de consciência, tal como aprendi de meus pais, e me lembro de ti sem cessar nas minhas orações, de noite e de dia.
(5)-Hebreus 5:7-10. Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e suplicas, entre clamores e lacrimas, aquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, porque Deus o proclamou sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.
(6)-Hebreus 4:14-15. Temos, portanto, um grande Sumo-sacerdote que penetrou nos céus, Jesus, Filho de Deus. Conservemos firme a nossa fé. Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrario, passou pelas mesmas provações que nos, com exceção do pecado.
(7)-Lucas 24:46. Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.
(8)-João 14:6. Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai sem mim.
(9)-Mateus 28:20. Ensinai a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
(10)-Atos 1:11. Homens da Galileia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.
Deus Espírito Santo
(1) O Espírito Santo, em essência com o Pai e com o Filho, é pessoa divina. (2) É o Espírito da Verdade. (3) Atuou na criação do mundo e inspirou os homens a escreverem as Sagradas Escrituras. (4) Ele ilumina os homens e os capacita a compreenderem a verdade divina. No Dia de Pentecostes, em cumprimento final da profecia e das promessas quanto à descida do Espírito Santo, Ele se manifestou de maneira singular e irrepetível, quando os primeiros discípulos foram batizados no Espírito, passando a fazer parte do Corpo de Cristo que é a Igreja. (5) Suas outras manifestações, constantes no livro Atos, confirmam a evidência de universalidade do dom do Espírito Santo a todos os que crêem. (6) O batismo no Espírito Santo sempre ocorre quando os pecadores se convertem a Jesus Cristo, que os integra, regenerados pelo Espírito, à igreja. (7) Ele dá testemunho de Jesus Cristo e o glorifica. (8) Convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo. (9) opera a regeneração do pecador perdido. (10) sela o crente para o dia da redenção final. (11) habita no crente. (12) guia-o em toda a verdade. (13) capacita-o para obedecer à vontade de Deus. (14) Distribui dons aos filhos de Deus para a edificação do Corpo de Cristo e para o ministério da Igreja no mundo. (15) Sua plenitude e seu fruto na vida do crente constituem condições para a vida cristã vitoriosa e testemunhante.
(1)-Lucas 4:18-19. O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos do coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos restauração da vista, para por em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor.
(2)-João 14:17. É o espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vos o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.
(3)-II Timoteo 3:16. Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar a justiça.
(4)-Lucas 12:12. porque o Espírito Santo vos inspirará naquela hora o que deveis dizer.
(5)-Lucas 24:29. Mas eles forçaram-no a parar: “Fica conosco, já é tarde e já declina o dia.” Entrou então com eles.
(6)-Atos 2:38-39. Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós, para os vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor Nosso Deus.
(7)-João 16:13-14. Quando vier o paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.
(8)-João 16: 8-11. Inclinando-se novamente, escrevia na terra. A essas palavras, sentindo-se acusados pela força da sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o ultimo, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. Então ele se ergueu e vendo ali apenas à mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.
(9)-João 3:5. Respondeu Jesus: Em verdade, verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.
(10)-Efesios 4:30. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da redenção.
(11)-Romanos 8:9-11. Vós, porem, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pela justificação. Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vos, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.
(12)-João 16:13. Quando vier o paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.
(13)- Efesios 5:15-25. Vigiai, pois, com cuidado a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurais compreender qual seja à vontade de Deus. Não vós embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vós do Espírito. Recitai entre vos salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sujeitai-vos uns aos outros no temor a Cristo. As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos.
(14)-Efesios 4:11-13. A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo do Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito a estatura da maturidade de Cristo.
(15)-Gálatas 5:22-23. Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, a alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança, contra estas coisas não há lei.
O homem
(1) Por um ato especial, o homem foi criado por Deus à sua imagem e conforme a sua semelhança, e disso decorrem o seu valor e dignidade. (2) Seu corpo foi feito do pó da terra e para o mesmo pó há de voltar. (3) Seu espírito procede de Deus e para Ele retornará. (4) O Criador ordenou que o homem domine, desenvolva e guarde a obra criada. (5) Criado para a glorificação de Deus. (6) seu propósito é amar, conhecer e estar em comunhão com seu Criador, bem como cumprir sua divina vontade. (7) Ser pessoal e espiritual, o homem tem capacidade de perceber, conhecer e compreender, ainda que em parte, intelectual e experimentalmente, a verdade revelada, e para tomar suas decisões em matéria religiosa, sem a mediação, interferência ou imposição de qualquer poder humano, seja civil ou religioso.
(1)-Mateus 16:26. Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida?
(2)-Gênese 3:19. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e em pó te hás de tornar.
(3)-Eclesiastes 12:7. antes que a poeira retorne a terra para se tornar o que era; e antes que o sopro de vida retorne a Deus que o deu.
(4)- Gênese 2:1. Assim foram acabados os céus, a terra e todo o seu exercito.
(5)-João 1: 3, 6 e 7. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, afim de que todos cressem por meio dele.
(6)-Mateus 6:33. Buscais em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vós serão dadas em acréscimo.
(7)-I Timoteo 2:5. Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os Homens: Jesus Cristo, homem.
O pecado
(1) No princípio o homem vivia em estado de inocência e mantinha perfeita comunhão com Deus. (2) Mas, cedendo à tentação de Satanás, num ato livre de desobediência contra seu Criador, o homem caiu no pecado e assim perdeu a comunhão com Deus e dele ficou separado. (3) Em conseqüência da queda de nossos primeiros pais, todos somos, por natureza, pecadores e inclinados à prática do mal. (4) Todo pecado é cometido contra Deus, sua pessoa, sua vontade e sua lei. (5) Mas o mal praticado pelo homem atinge também o seu próximo. (6) O pecado maior consiste em não crer na pessoa de Cristo, o Filho de Deus, como Salvador pessoal. (7) Como resultado do pecado, da incredulidade e da desobediência do homem contra Deus, ele está sujeito à morte e à condenação eterna, além de se tornar inimigo do próximo e da própria criação de Deus. (8) Separado de Deus, o homem é absolutamente incapaz de salvar-se a si mesmo e assim depende da graça de Deus para ser salvo.
(1)-Gênese 2:15-17. O Senhor Deus tomou o homem e colocou no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo. Deu-lhe este preceito: Podes comer do fruto de todas as arvores do jardim; mas não comas do fruto da arvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente.
(2)-Romanos 3:23. Com efeito, todos pecaram e todos estão privados da gloria de Deus.
(3)-Romanos 3:12. Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram.
(4)-Romanos 8:22. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como as dores de parto até o presente dia.
(5)-Corintios 8:12. Assim, pecando vós contra os irmãos e ferindo sua débil consciência, pecais contra Cristo.
(6)-João 3:36. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.
(7)-Efesios 2:5. quando estávamos mortos em conseqüência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graças que fostes salvos.
(8)-Efesios 2:8-9. Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provem de vossos méritos , mas é puro dom de Deus.
A regeneração
(1) A regeneração é o ato inicial da salvação em que Deus faz nascer de novo no pecador perdido, dele fazendo uma nova criatura em Cristo. É obra do Espírito Santo em que o pecador recebe o perdão, a justificação, a adoção como filho de Deus, a vida eterna e o dom do Espírito Santo. Nesse ato o novo crente é batizado no Espírito Santo, é por ele selado para o dia da redenção final, e é liberto do castigo eterno dos seus pecados. (2) Há duas condições para o pecador ser regenerado; arrependimento e fé. O arrependimento implica em mudança radical do homem interior, e por força disso ele se afasta do pecado e se volta para Deus. A fé é a confiança levam a aceitação de Jesus Cristo como Salvador e a total entrega da personalidade a ele por parte do pecador. (3) Nessa experiência de conversão o homem perdido é reconciliado com Deus, que lhe concede perdão, justiça e paz .
(1)-Deuteronômio 30:6. O Senhor, teu Deus, circuncidar-te-á o coração e o de tua descendência, para que ames o Senhor de todo o teu coração e de toda a tua alma, afim de que possa viver.
(2)-Efesios 4:32. Antes, sedes uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoais-vos uns aos outros, como também Deus vós perdoou em Cristo.
(3)-Efesios 4:30. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção.
A santificação
(1) A santificação é o processo que, principiando na regeneração, leva o homem à realização dos propósitos de Deus para a sua vida, e o habilita a progredir em busca da perfeição moral e espiritual de Jesus Cristo, mediante a presença e o poder do Espírito Santo que nele habita. (2) Ela ocorre na medida da dedicação do crente, e se manifesta através de um caráter marcado pela presença e pelo fruto do Espírito, bem como por uma vida de testemunho fiel e serviço consagrado a Deus e ao próximo.
(1)- João 17:17. Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se a minha doutrina é de Deus ou se falo de mim mesmo.
(2)- Romanos 6:19. Vou me servir de linguagem corrente entre os homens, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois, como pusestes os vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer iniqüidades, assim ponde agora os vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade.
A igreja
(1) Igreja é uma congregação local de pessoas regeneradas e batizadas após profissão de fé. É nesse sentido que a palavra “igreja” é empregada no maior número de vezes nos livros do Novo Testamento. (2) Tais congregações são constituídas por livre vontade dessas pessoas com a finalidade de prestarem cultos a Deus, observarem as ordenanças de Jesus, meditarem nos ensinamentos da Bíblia para a edificação mútua e para a propagação do evangelho. (3) As igrejas neotestamentárias são autônomas, têm governo democrático, praticam a disciplina e se regem em todas as questões espirituais e doutrinárias exclusivamente pela Palavra de Deus, sob a orientação do Espírito Santo. (4) Há nas igrejas, segundo as Escrituras, duas espécies de oficiais: pastores e diáconos. As igrejas devem relacionar-se com as demais igrejas da mesma fé e ordem e cooperar, voluntariamente, nas atividades do reino de Deus. O relacionamento com outras entidades, quer sejam de natureza eclesiástica ou outra, não deve envolver a violação da consciência ou comprometimento de lealdade a Cristo e sua Palavra. Cada igreja é um templo do Espírito Santo. (5) Há também no Novo Testamento um outro sentido da palavra “igreja” em que ela aparece como a reunião universal dos remidos de todos os tempos, estabelecida por Jesus Cristo e sobre Ele edificada, constituindo-se no corpo espiritual do Senhor, do qual ele mesmo é a cabeça. Sua unidade é de natureza espiritual e se expressa pelo amor fraternal, pela harmonia e cooperação voluntária na realização dos propósitos comuns do reino de Deus
(1) Mateus 18:17. Se recusas ouvi-los, dize-o à igreja. E se recusar ouvir também a igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.
(2)-Atos dos Apóstolos 2:41-42 = Os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos tres mil o numero de adeptos. Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações.
(3)-Mateus 18:15-16. Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou tres testemunhas.
(4)- Atos dos Apóstolos 13:1-3. Havia então na igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o negro, Lucio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes e Saulo. Enquanto celebravam o culto ao Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado. Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram.
(5)-Mateus 16:18. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
A morte
(1) Todos os homens são marcados pela finitude, de vez que, em conseqüência do pecado, a morte se estende a todos. (2) A Palavra de Deus assegura a continuidade da consciência e da identidade pessoal após a morte, bem como a necessidade de todos os homens aceitarem a graça de Deus em Cristo enquanto estão neste mundo. (3) Com a morte está o destino eterno de cada homem. (4) Pela fé nos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a morte do crente deixa de ser tragédia, pois ela o transporta para um estado de completa e constante felicidade na presença de Deus. (5) A esse estado de felicidade as Escrituras chamam “dormir no Senhor”. Os incrédulos e impenitentes entram, a partir da morte, num estado de separação definitiva de Deus. (6) Na Palavra de Deus encontramos claramente expressa a proibição divina da busca de contato com os mortos, bem como a negação da eficácia de atos religiosos com relação aos que já morreram.
(1)-Tiago 4:14. E, entretanto, não sabei o que acontecerá amanha! Pois que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um instante e depois se desvanece.
(2)-Hebreus 9:27. Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo.
(3)-Lucas 23:39-46. Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva a nos! Mas o outro o repreendeu: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplicio? Para nos isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino! Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.
(4)-Apocalipse 14:13. Eu ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: felizes os mortos que doravante morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem.
(5)-João 5:28-29. Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham no sepulcro sairão deles ao som da sua voz: os que praticaram o bem irão parara a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados.
(6)-João 3:18. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já esta condenado; porque não crê no nome do Filho único de Deus.
Justos e ímpios
(1) Deus, no exercício de sua soberania, está conduzindo o mundo e a história a seu termo final. (2) Em cumprimento à sua promessa, Jesus Cristo voltará a este mundo, pessoal e visivelmente, em grande poder e glória. (3) Os mortos em Cristo serão ressuscitados e os crentes ainda vivos juntamente com eles serão transformados, arrebatados e se unirão ao Senhor. (4) Os mortos sem Cristo também ressuscitados. (5) Conquanto os crentes já estejam justificados pela fé, todos os homens comparecerão perante o tribunal de Jesus Cristo para serem julgados, cada um segundo suas obras, pois através destas é que se manifestam os frutos da fé ou os da incredulidade. (6) Os ímpios condenados e destinados ao inferno lá sofrerão o castigo eterno, separados de Deus. (7) Os justos, com os corpos glorificados, receberão seus galardões e habitarão para sempre no céu, com o Senhor.
(1)-II Pedro 3:10. Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contem.
(2)-Apocalipse 1:7. Ei-los que vem com as nuvens. Todos os olhos o verão, mesmo aqueles que o traspassaram. Por sua causa, hão de lamentar-se todas as raças da terra. Sim. Amém.
(3)-Filipenses 3:20-21. Nos, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso misero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura.
(4)-Atos dos Apóstolos 24:15. Tenho esperança em Deus, como também eles esperam de que há de haver a ressurreição dos justos e dos pecadores.
(5)-Atos dos Apóstolos = 10:42. Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos.
(6)- I Corintios 6:9-10. Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganei: nem os impuros, nem os idolatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus.
(7)-I Corintios 15:42-44. Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; semeado no desprezo, ressuscita glorioso; semeado da fraqueza, ressuscita vigoroso, semeado corpo anima, ressuscita corpo espiritual.
Evangelização e missões
(1) A missão primordial do povo de Deus é a evangelização do mundo, visando a reconciliação do homem com Deus. (2) É dever de todo discípulo de Jesus Cristo e de todas as igrejas proclamar, pelo exemplo e pelas palavras, a realidade do evangelho, procurando fazer novos discípulos de Jesus Cristo em todas as nações, cabendo às igrejas batizá-los e ensiná-los a observar todas as coisas que Jesus ordenou. (3) A responsabilidade da evangelização estende-se até aos confins da terra e por isso as igrejas devem promover a obra de missões, rogando sempre ao Senhor que envie obreiros para a sua seara.
(1)-João 20:21. Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.
(2)-Mateus 18-20. Porque onde dois ou tres estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
(3)-Mateus 28:19. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Liberdade religiosa.
(1) Deus e somente Deus é o Senhor da consciência. (2) A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual. (3) Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano. (4) Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie. (5) A Igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções. (6) É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo. (7) O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.
(1)-Romanos 14:4. Quem és tu, para julgares o servo de outros? Que esteja firme, ou caia, isto é lá com o seu senhor. Mas ele estará firme, porque poderoso é Deus para o sustentar.
(2)-Lucas 20:25. Então lhes disse: Daí, pois, a Cezar o que é de Cezar, e a Deus o que é de Deus.
(3)-Atos dos Apóstolos 5:29 = Pedro e os apóstolos replicaram: Importa obedecer antes a Deus do que aos homens.
(4)-Atos dos Apóstolos 19:34-41. quando perceberam que ele era judeu, todos a uma voz gritaram pelo espaço de quase duas horas: Viva a Ártemis dos Efesios! Então o escrivão da cidade (veio) para apaziguar a multidão e disse: Efesios, que homem há que não saiba que a cidade de Efeso cultua a grande Ártemis, e que a sua estatua caiu dos céus? Se isso é incontestável, convém que vós sossegueis e nada façais inconsideradamente. Estes homens, que aqui trouxestes, não são sacrílegos nem blasfemadores da vossa deusa. Mas, se Demetrio e os outros artífices tem alguma queixa contra alguém, os tribunais estão abertos e ai estão os magistrados: Institua-se um processo contra eles. Se tendes reclamação a fazer, a assembléia legal decidirá. Do que se deu hoje, até corremos o risco de sermos acusados de rebelião, porque não há motivo algum que nos permita justificar este concurso. A estas palavras, dissolveu-se a aglomeração.
(5)-Romanos 13:1-7. Cada qual seja submisso ás autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus. Assim, aquele que resiste à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus; e os que a ela se opõem, atraem sobre si a condenação. Em verdade, as autoridades inspiram temor, não porem a quem pratica o bem, e sim a quem faz o mal! Queres não ter o que temer a autoridade! Faze o bem e terás o seu louvor. Porque ela é instrumento de Deus para o teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, porque não é sem razão que leva a espada: é ministro de Deus, para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal. Portanto, é necessário submeter-se, não somente por temer o castigo, mas também por dever de consciência. É também por esta razão que pagamos impostos, pois os magistrados são ministros de Deus, quando exercem pontualmente este oficio. Pagai a cada um o que lhe compete: o imposto, a quem deveis o imposto; o tributo, a quem deveis o tributo; o temor e o respeito, a quem deveis o temor e o respeito.
(6)-Atos dos Apóstolos 19: 34-41. Mas quando perceberam que ele era judeu, todos a uma voz gritaram pelo espaço de quase duas horas: Viva a Ártemis dos Efesios! Então o escrivão da cidade (veio) para apaziguar a multidão e disse: Efesios, que homem há que não saiba que a cidade de Efeso cultua a grande Ártemis, e que a sua estatua caiu dos céus? Se isso é incontestável, convém que vós sossegueis e nada façais inconsideradamente. Estes homens, que aqui trouxestes, não são sacrílegos nem blasfemadores da vossa deusa. Mas, se Demetrio e os outros artífices tem alguma queixa contra alguém, os tribunais estão abertos e ai estão os magistrados: Institua-se um processo contra eles. Se tendes reclamação a fazer, a assembléia legal decidirá. Do que se deu hoje, até corremos o risco de sermos acusados de rebelião, porque não há motivo algum que nos permita justificar este concurso. A estas palavras, dissolveu-se a aglomeração.
(7)-Atos dos Apóstolos 4:18-20.= Paulo permaneceu ali (em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porem, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto. Chegaram a Efeso onde os viu. Ele entrou na sinagoga e entretinha-se com os judeus. Pediram-lhe estes que ficasse com eles ai por mais tempo, mas ele não quis.
Fonte:
• Associação Batista Brasileira
• Gilmore, Christian Baptism (1959).
• G. Beasley-Murray, Baptism in the New Testament (1962).
• D. Moody, Baptism: Foundation for Christian Unity (1967).
• Review and Expositor (1/1968) "Baptists and Baptism". "Consultation on Believers’ Baptism" (1/1980).
John Smyth, o fundador dessa doutrina, era um pastor anglicano que, discordando dos preceitos desta religião, criou um movimento ainda mais radical do que o anglicanismo, do qual, entre outros aspectos, discordava da sua organização episcopal e litúrgica.
Os batistas, hoje, estão entre as denominações protestantes mais ativas, e, mesmo se julgam que sua doutrina tem raízes em João o Batista, não há nenhum documento ou indicio de continuidade entre o trabalho daquele que segundo o Novo Testamento batizou Jesus, e os batistas de hoje. Ao contrario, o testemunho da historia, como veremos, parece apontar para uma outra direção, mesmo se os batistas acredita que foi Deus que historicamente os levou a batizar.
Diz-se que o ministério de Jesus teve início após ter sido batizado por João, porque dois Evangelhos começam com João pregando ás margens do rio Jordão. A imagem que os autores criam de João é a de um evangelista severo e asceta que deixou a vida de ermitão no deserto para conclamar o povo de Israel a arrepender-se de seus pecados e ser batizado.
Os relatos dos evangelhos pouco revelam sobre João Batista. Eles nos dizem que o batismo por ele ministrado era um sinal público de arrependimento, e os que responderam ao seu chamado foram ritualmente imersos nas águas do rio Jordão, inclusive Jesus.
Mateus 3: 13-15. Da Galileia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. João recusava-se: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!” Mas Jesus lhe respondeu: “Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa.” Então João cedeu.
João, tendo cumprido seu papel, praticamente desapareceu de cena, embora existam indicações que continuou a batizar durante algum tempo.
O Evangelho de Lucas conta-nos que Jesus e João eram primos, e, junto com o relato da concepção e do nascimento de Jesus, oferece uma descrição da concepção e nascimento de João – que acontece paralelamente ao de Jesus mas é claramente menos miraculoso. Os pais de João, o sacerdote Zacarias e Isabel, não procriaram, tem idade avançada, mas assim mesmo são informados pelo anjo Gabriel de que foram escolhidos para ter um filho. Pouco tempo depois, Isabel, já na menopausa, concebe. É ao encontro de Isabel que vai Maria quando se descobre grávida de Jesus. Isabel está então com seis meses de gravidez e na presença de Maria, seu filho ainda não nascido “saltou no seu ventre”. É assim que ela fica sabendo que a criança de Maria é o tão esperado Messias. Isabel então louva Maria, o que inspira a proclamar o “cântico” que hoje é conhecido como “Magnificat”.
Lemos nos Evangelhos que logo após ter batizado Jesus João foi preso a mando de Herodes de Antipa. A razão alegada é que João havia publicamente condenado o recente casamento de Herodes com Herodíades - ex-mulher de seu meio irmão Filipe – casamento que, sendo ela divorciada de Filipe, contrariava as leis judaicas. Após um período incerto dentro da prisão, João é executado.
Na história conhecida, Salomé, filha de Herodíades com o ex-marido, dança para o padrasto na comemoração do aniversário deste, deixando-o tão embevecido que ele promete dar a ela tudo o que ela desejar, até mesmo “metade de seu reino”. Induzida por Herodíades, ela pede a cabeça de João Batista em uma bandeja. Sem poder voltar atrás em suas palavras, Herodes, que a essa altura já começara a admirar o Batista, relutantemente concorda e manda decapitar João. Os discípulos de João obtêm permissão para levar seu corpo e sepultá-lo, embora não se saiba ao certo se levaram também à cabeça.
Entretanto há uma outra fonte facilmente acessível de informações acerca de João: O livro “Antiquities os the Jews”, de Josefo. É um relato impessoal que não faz elogios a João e difere de forma significativa do que é relatado nos Evangelhos. Josefo registra a pregação e o batismo ministrado por João e o fato de que sua popularidade e influência sobre as massas eram muitas. Alarmado, Herodes Antípas o manda prender e executar em uma espécie de manobra preventiva. Josefo não fornece detalhes de sua prisão ou das circunstancias, ou como foi executado, e não faz qualquer menção à suposta crítica de João ao casamento de Herodes. Ele enfatiza o enorme apoio popular a João e acrescenta que, não muito tempo depois da sua execução, Herodes sofreu uma séria derrota em batalha, que o povo tomou como punição divina pelo crime que ele cometera contra o Batista.
O que se pode concluir sobre João a partir dos relatos dos Evangelhos e de Josefo? Para começar, a historia de que ele batizou Jesus deve ser autêntica, pois sua inclusão sugere que esse fato era por demais conhecido para ser excluído – mesmo considerando a tendência dos autores dos Evangelhos em marginalizar João sempre que possível.
João pregava em Peréia, a leste do Jordão, um território que Herodes também governava além da Galileia A descrição em Mateus é contraditória, mas o Evangelho de João é mais especifico e cita duas pequenas cidades onde João batizava:
João 1:26-28. João respondeu: “Eu batizo com água, mas no meio de vos está quem vos não conheceis. Este dialogo se passou em Betânia, alem do Jordão, onde João estava batizando
João 3:23-24. Também João batizava em Enon, perto de Salim, porque havia ali muita água, e muitos vinham e eram batizados. Pois João ainda não tinha sido lançado ao cárcere.
Betânia era um vilarejo próximo à principal rota comercial, e Enon se localizava ao norte do vale do Jordão, dois lugares bastantes distantes um do outro o que demonstra que João viajava muito durante sua missão.
A impressão do eremita asceta fomentada pelas traduções gregas dos Evangelhos pode, de fato, representar um erro de conceito. A palavra grega “eremos”, traduzida como “deserto” ou “local despovoado”, pode significar qualquer lugar isolado. É significativo que a mesma palavra seja utilizada para designar o local onde Jesus alimentou os cinco mil. Carl Kraeling, em seu estudo sobre João, considerado um texto acadêmico de referencia sobre o assunto, também argumenta que a dieta de “gafanhoto e mel” que João supostamente consumia, não implica especificamente um estilo de vida ascético. É provável também que a missão de João não se limitasse apenas aos judeus. O relato de Josefo, embora de inicio apresente João exortando os judeus à piedade e a uma vida virtuosa, acrescenta que “outros se juntavam” ao redor dele, pois também ficavam extremamente entusiasmados ao ouvir seus ensinamentos. Alguns estudiosos acreditam que esses “outros” só podem ser não judeus, e com isso está de acordo o britânico Robert L. Webb, estudioso da Bíblia.
...não há nada no conteúdo a sugerir que não poderiam ser os gentios. A localização do ministério de João sugere que ele poderia estar em contato com os gentios que viajavam pelas rotas de comércio vindo do Oriente, bem como com os gentios que viviam na região da Transjordânia...
Uma outra concepção errônea é a idade de João porque se considera que é mais ou menos a mesma de Jesus. Entretanto, a conclusão a que se chega a partir dos quatro Evangelhos é de que João pregava já há muitos anos quando batizou Jesus e que era, talvez por uma grande margem de diferença, o mais velho dos dois? - A historia do nascimento de João no Evangelho de Lucas é, como veremos, em grande parte inventada e inverossímil.
Como a de Jesus, a mensagem de João era um ataque implícito ao culto que se praticava no Templo de Jerusalém, não apenas no que dizia respeito à possível corrupção de seus oficiantes, mas a tudo o que ele representava. A convocação de João ao batismo pode ter irritado as autoridades do Templo, não somente porque ele afirmava que o batismo era espiritualmente superior aos seus ritos, como também porque era gratuito. E há também as irregularidades presentes nas descrições a respeito da sua morte, especialmente quando comparadas com o relato de Josefo. Os motivos imputados a Herodes referem-se ao medo da influencia política de João, tese de Josefo, enquanto os Evangelhos afirmam que Herodes tinha raiva de João porque este criticava seu casamento, mesmo se as duas abordagens não são mutuamente excludentes.
Os arranjos conjugais de Herodes Antípas tiveram, realmente, implicações políticas, mas não por causa da mulher com quem ele se casara. A questão era a mulher de quem ele teve que se divorciar para se casar novamente. Sua primeira esposa era uma princesa do reino Árabe de Nabatéia, e o insulto que a separação representou para essa família real deflagrara uma guerra entre os dois reinos. Nabatéia fazia fronteira com o território de Peréia, governado por Herodes e onde João fazia suas pregações. Portanto, a censura de João ao casamento de Herodes efetivamente o colocou do lado do rei inimigo deste, Aretas, com a ameaça implícita de que, se a população concordasse com João, esta poderia acabar apoiando Aretas contra Antípas.
Talvez isso pareça por demais acadêmico, mas intriga o fato de que os Evangelhos tenham “suavizados” os verdadeiros motivos que levaram Herodes a executar João. Se reconhecermos que esses livros são essencialmente materiais de propaganda, e assim sendo, quando obscurecem algum acontecimento o fazem de modo deliberado, a outra possibilidade levanta uma questão: por que os autores dos Evangelhos se incomodariam com esse episódio. É compreensível que os autores dos Evangelhos quisessem censurar qualquer sugestão de que João gozava de grande popularidade – isto é compatível com o tratamento geral que dedicam a ele - mas se tivessem que inventar alguma coisa seria de esperar que tramassem uma história que apoiasse Jesus de algum modo. Por exemplo, poderiam ter dito que João fora preso por proclamar que Jesus era o Messias.
Os relatos dos Evangelhos também cometem um engano. Dizem que João criticava Herodes Antípas porque este se casara com a ex-mulher de seu meio-irmão Felipe. No entanto, embora as circunstancias do casamento sejam historicamente precisas, o meio-irmão em questão era na verdade um outro Herodes, não Felipe. Este segundo Herodes era o pai de Salomé.
Apesar do fato de João, como Madalena, terem sido deliberadamente marginalizado pelos autores dos Evangelhos, podem-se encontrar outras pistas acerca de sua influencia sobre os contemporâneos de Jesus. Em um episódio cujas implicações parecem não ter ocorrido à maioria dos cristãos, os discípulos de Jesus dizem a ele: “Senhor, ensina-nos a orar, assim como também João ensinou aos seus discípulos”. Lemos, então, que Jesus ensinou-lhes a oração que viria a ser conhecida como “Pai Nosso”.
Já no século XIX o grande egiptólogo Sir E. Wallis observou que as palavras iniciais do Pai Nosso tinham origem uma antiga oração Egípcia para Osíris-Amon. O deus Amon, que com as mudanças implementadas pelo Farão Akhenaton para destruir o culto politeísta se transformara no deus Aton, o disco solar que passara a ser adorado como deus único. “Amom, Amom que estais no céu”.
È claro que isso data de séculos antes de João e Jesus, e que o “pai” invocado na oração não é nem Jwhw nem seu suposto filho, Jesus. A critica mais recente à Bíblia assinala que João jamais fez sua famosa proclamação sobre a superioridade de Jesus, nem mesmo insinuou que este era o Messias. Esta idéia é corroborada por vários fatos.
Os Evangelhos, de modo bastante ingênuo, registram que quando João estava encarcerado, questionou a autenticidade do messiado de Jesus. A sugestão é de que ele duvidava da própria afirmação anterior de que Jesus era o Messias, mas isto poderia também ser um outro exemplo em que os autores dos Evangelhos precisaram adaptar um episódio para seus próprios propósitos. Teria João inequivocamente negado que Jesus era o Messias? Do ponto de vista da mensagem cristã as implicações relativas ao episodio são, ou deveriam ser, extremamente perturbadoras. Pois se por um lado os cristãos aceitam que João fora divinamente inspirado para reconhecer Jesus como o Messias, pelo outro o questionamento de João na prisão indica, no mínimo, que ele estava em dúvida.
Lucas 7: 18-23. Os discípulos de João referiram-lhe todas estas coisas. E João chamou dois dos seus discípulos e enviou-os a Jesus perguntando: “Es tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?” Chegando estes homens a ele, disseram: “João Batista enviou-nos a ti, perguntando: És tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?” Ora, naquele momento Jesus havia curado muitas pessoas de enfermidades, de doenças e de espíritos malignos, e dado a vista a muitos cegos. Respondeu-lhes ele: “Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho; e bem aventurado é aquele para quem eu não for ocasião de quedas”.
Como veremos, os últimos seguidores de João – os que Paulo encontra em Efeso e Corinto quando fazia seu trabalho missionário - nada sabiam sobre a suposta declaração de João proclamando que alguém maior viria depois dele.
Uma das evidencias mais fortes a indicar que o Batista nunca declarou que Jesus era o Messias esperado é a de que os próprios discípulos de Jesus não o reconheciam como tal, pelo menos no começo de seu ministério. Ele era seu líder, professor, mas não há qualquer sugestão de que o seguiam de inicio porque acreditavam que ele era o tão esperado Messias dos judeus. A identificação de Jesus como Messias parece ter se espalhado pouco a pouco entre os discípulos, à medida que seu ministério se desenvolvia. No entanto, Jesus deu inicio à sua missão após ter sido batizado por João: então por que, se João realmente havia anunciado Jesus como o Messia, ninguém mais na época sabia disso? - e os próprios Evangelhos deixam claro que as pessoas o seguiam não porque ele fosse o Messia, mas por outra razão. E há uma outra consideração que nos faz pensar bastante. Quando o movimento de Jesus começou a causar impacto, Herodes Antípas ficou temeroso e, aparentemente, começou a pensar que Jesus era João ressurrecto ou reencarnado.
Marcos 6:14-16. O rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tornara celebre. Dizia-se: João Batista ressurgiu dos mortos e por isso o poder de fazer milagres opera nele. Uns afirmavam: E Elias! Diziam outros: É um profeta como qualquer outro. Ouvindo isso, Herodes repetia: É João, a quem mandei decapitar. Ele ressuscitou.
Fonte: livro “A Grande Heresia” de Lynn Picknett & Clive Prince
Hoje a presença desta igreja é mundial. As ramificações mais importantes que procederam do tronco anabatista são: os menonitas - de Memo Simons, os irmãos huterianos - de Tiago Hutter, a Igreja dos Irmãos, nos E.U.A., a Igreja dos Irmãos Evangélicos Unidos e a Igreja Batista que entre elas é a mais numerosa. A expressão: “cristão não se nasce, mas quem o deseja se torna”, usada pelos batistas, traduz seu pensamento como veremos a seguir.
Para utilizar o linguajar dos primeiros batistas, dizem, pode-se dizer que a igreja é a comunidade dos santos, os quais confessam Jesus Cristo como Senhor através do batismo e se empenham em uma vida de discípulos. Desta forma, para ter uma igreja assim, foi necessário repensar totalmente à praxe do batismo e os focos desta nova conceituação é: para passar a pertencer ao Cristo torna-se imprescindível o arrependimento, e depois dele passar a viver uma vida de apostolo, os seja, afastado dos modelos de impureza do mundo.
Desde suas origens, entre o fim do XVI e inicio do XVII século, os batistas inspiraram-se no modelo do Novo Testamento, através do qual a igreja é a comunidade de todos os que acolheram a palavra pregada e que, sob a guia do Espírito Santo, foram conduzidos ao arrependimento, á confissão de fé e ao batismo por imersão, segundo quanto é indicado em:
Atos 2:38. Pedro lhes respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vos seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”.
Mateus 28:19. “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
Marcos 16:16-17. “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão suas mãos aos enfermos e eles ficarão curados.
Os discípulos de Jesus Cristo - dizem os batistas - que vieram a ser designados pelo nome “batista” se caracterizavam pela sua fidelidade às Escrituras e por isso só recebiam em suas comunidades - como membros atuantes - pessoas convertidas pelo Espírito Santo de Deus. Somente essas pessoas eram por eles batizadas, e não reconheciam como válido o batismo administrado na infância por qualquer grupo cristão, pois, para eles, crianças recém-nascidas não tem consciência do pecado, da regeneração, da fé e da salvação.
A designação surgiu no século XVII, mas aqueles discípulos de Jesus Cristo estavam espiritualmente ligados a todos os que, através dos séculos, procuraram permanecer fiéis aos ensinamentos das Escrituras, repudiando, mesmo com risco da própria vida, os acréscimos e corrupções de origem humana.
Princípios batistas.
(1) A Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana. (2) É o registro da revelação que Deus fez de si mesmo aos homens. (3) Sendo Deus seu verdadeiro autor, foi escrita por homens inspirados e dirigidos pelo Espírito Santo. (4) Tem por finalidade revelar os propósitos de Deus, levar os pecadores à salvação, edificar os crentes e promover a glória de Deus. (5) Seu conteúdo é a verdade, sem mescla de erro e por isso é um perfeito tesouro de instrução divina. (6) Revela o destino final do mundo e os critérios pelos quais Deus julgará todos os homens. (7) A Bíblia é autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual deve ser aferida a doutrina e a conduta dos homens. (8) Ela deve ser interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus Cristo.
(1)-Mateus 24:35. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.
(2)-Lucas 24:44-45. Depois lhes disse: Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse o que de mim está escrito na Lei de Moises, nos profetas e nos Salmos. Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as escrituras.
(3)-Atos 3:21. É necessário, porem, que o céu o receba até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus, outrora, pela boca dos seus profetas.
(4)-Lucas 16:29. Abraão respondeu: Eles lá têm Moises e os profetas; ouçam-nos!
(5)-II Timoteo 3:15-17. Empenha-te em te apresentares diante de Deus como homem digno de aprovação, operário que não tem de que se envergonhar, integro distribuidor da palavra da verdade. Procura esquivar-te das conversas frívolas dos mundanos, que só contribuem para a impiedade. As palavras dessa gente destroem como gangrena. Entre eles estão Himeneu e Fileto.
(6)-Romanos 3:4.De modo algum. Porque Deus há de ser reconhecido como veraz, e todo homem como mentiroso, segundo está escrito: “Assim, serás reconhecido justo nas tuas palavras e vencerás, quando julgares”.
(7)-Mateus 5:17. Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas, mas sim para levá-los á perfeição.
(8)-Hebreus 1:1-2. Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas.
Deus.
(1) O único Deus vivo e verdadeiro é espírito pessoal, eterno, infinito e imutável; é onipotente, onisciente, e onipresente; é perfeito em santidade; justiça, verdade e amor. (2) Ele é criador, sustentador, redentor, juiz e senhor da história e do universo, que governa pelo Seu poder, dispondo de todas as coisas, de acordo com o seu eterno propósito e graça (3) Deus é infinito em santidade e em todas as demais perfeições. (4) Por isso, a Ele devemos todo o amor, culto e obediência. (5) Em sua trindade, o eterno Deus se revela como Pai, Filho e Espírito Santo, pessoas distintas mas sem divisão em sua essência.
(1)- Deuteronômio 6:4 = ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.
(2)-Efesios 3:11. De acordo com o designo eterno que Deus realizou em Jesus Cristo, nosso Senhor.
(3)-Êxodo 15:11. Quem entre os deuses é semelhante a vós Senhor? Quem é semelhante a vós, glorioso por sua santidade, temível por vossos feitos dignos de louvor, e que operais prodígios?
(4)-Mateus 28:19. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
(5)-Marcos 1:9-11.Ora, naqueles dias veio Jesus de Nazaré, da Galileia, e foi batizado por João no Jordão. No momento em que Jesus saia da água, João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre eles. E ouviu-se dos céus uma voz: Tu és meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição.
Deus Pai
(1) Deus, como Criador, manifesta disposição paternal para com todos os homens. (2) Historicamente Ele se revelou primeiro como Pai ao povo de Israel, que escolheu consoante os propósitos de sua graça. (3) Ele é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, a quem enviou a este mundo para salvar os pecadores e deles fazer filhos por adoção (4) Aqueles que aceitam Jesus Cristo e n’Ele crêem são feitos filhos de Deus, nascidos pelo seu Espírito, e, assim, passam a tê-lo como Pai celestial, d’Ele recebendo proteção e disciplina
(1)-I Corintios 8:6. Mas, para nos, há um só Deus, o Pai, do qual procedem todas as coisas e para o qual existimos, e um só Senhor, Jesus Cristo, por quem todas as coisas existem e nos também.
(2)-Êxodo 4:22-23. Tu lhes dirás: Assim fala o Senhor: Israel é meu primogênito. Eu te digo: deixa ir o meu Filho, para que ele me preste um culto. Se te recusas a deixá-lo partir, farei perecer teu filho primogênito.
(3)-João 1:12. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
(4)-Gálatas 3:26. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo.
Deus Filho
(1) Jesus Cristo, um em essência com o Pai, é o eterno Filho de Deus. (2) N’Ele, por Ele e para Ele, foram criadas todas as coisas. (3) Na plenitude dos tempos Ele se fez carne, na pessoa real e histórica de Jesus Cristo, gerado pelo Espírito Santo e nascido de Virgem Maria, sendo em sua pessoa verdadeiro Deus e verdadeiro homem. (4) Jesus é a imagem expressa do seu Pai, a revelação suprema de Deus ao homem. (5) Ele honrou e cumpriu plenamente a lei divina e obedeceu a toda a vontade de Deus. (6) Identificou-se perfeitamente com os homens, sofrendo o castigo e expiando as culpas de nossos pecados, conquanto Ele mesmo não tivesse pecado. (7) Para salvar-nos do pecado morreu na cruz, foi sepultado e ao terceiro dia ressurgiu dentre os mortos e, depois de aparecer muitas vezes a seus discípulos, ascendeu aos céus, onde, à destra do Pai, exerce o seu eterno Supremo Sacerdócio. (8) Jesus Cristo é o Único Mediador entre Deus e os homens e o Único suficiente Salvador e Senhor. (9) Pelo seu Espírito Ele está presente e habita no coração de cada crente e na Igreja. (10) Ele voltará visivelmente a este mundo em grande poder e glória, para julgar os homens e consumar sua obra redentora
(1)-João 11:27. Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu es o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.
(2)-João 1:3. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.
(3)-Isaias 7:14. Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará “Deus Conosco”.
(4)-Hebreus 1:3. Dou graças a Deus, a quem sirvo com pureza de consciência, tal como aprendi de meus pais, e me lembro de ti sem cessar nas minhas orações, de noite e de dia.
(5)-Hebreus 5:7-10. Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e suplicas, entre clamores e lacrimas, aquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, porque Deus o proclamou sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.
(6)-Hebreus 4:14-15. Temos, portanto, um grande Sumo-sacerdote que penetrou nos céus, Jesus, Filho de Deus. Conservemos firme a nossa fé. Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrario, passou pelas mesmas provações que nos, com exceção do pecado.
(7)-Lucas 24:46. Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.
(8)-João 14:6. Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai sem mim.
(9)-Mateus 28:20. Ensinai a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
(10)-Atos 1:11. Homens da Galileia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.
Deus Espírito Santo
(1) O Espírito Santo, em essência com o Pai e com o Filho, é pessoa divina. (2) É o Espírito da Verdade. (3) Atuou na criação do mundo e inspirou os homens a escreverem as Sagradas Escrituras. (4) Ele ilumina os homens e os capacita a compreenderem a verdade divina. No Dia de Pentecostes, em cumprimento final da profecia e das promessas quanto à descida do Espírito Santo, Ele se manifestou de maneira singular e irrepetível, quando os primeiros discípulos foram batizados no Espírito, passando a fazer parte do Corpo de Cristo que é a Igreja. (5) Suas outras manifestações, constantes no livro Atos, confirmam a evidência de universalidade do dom do Espírito Santo a todos os que crêem. (6) O batismo no Espírito Santo sempre ocorre quando os pecadores se convertem a Jesus Cristo, que os integra, regenerados pelo Espírito, à igreja. (7) Ele dá testemunho de Jesus Cristo e o glorifica. (8) Convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo. (9) opera a regeneração do pecador perdido. (10) sela o crente para o dia da redenção final. (11) habita no crente. (12) guia-o em toda a verdade. (13) capacita-o para obedecer à vontade de Deus. (14) Distribui dons aos filhos de Deus para a edificação do Corpo de Cristo e para o ministério da Igreja no mundo. (15) Sua plenitude e seu fruto na vida do crente constituem condições para a vida cristã vitoriosa e testemunhante.
(1)-Lucas 4:18-19. O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos do coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos restauração da vista, para por em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor.
(2)-João 14:17. É o espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vos o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.
(3)-II Timoteo 3:16. Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar a justiça.
(4)-Lucas 12:12. porque o Espírito Santo vos inspirará naquela hora o que deveis dizer.
(5)-Lucas 24:29. Mas eles forçaram-no a parar: “Fica conosco, já é tarde e já declina o dia.” Entrou então com eles.
(6)-Atos 2:38-39. Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós, para os vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor Nosso Deus.
(7)-João 16:13-14. Quando vier o paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.
(8)-João 16: 8-11. Inclinando-se novamente, escrevia na terra. A essas palavras, sentindo-se acusados pela força da sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o ultimo, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. Então ele se ergueu e vendo ali apenas à mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.
(9)-João 3:5. Respondeu Jesus: Em verdade, verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.
(10)-Efesios 4:30. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da redenção.
(11)-Romanos 8:9-11. Vós, porem, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pela justificação. Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vos, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.
(12)-João 16:13. Quando vier o paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.
(13)- Efesios 5:15-25. Vigiai, pois, com cuidado a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurais compreender qual seja à vontade de Deus. Não vós embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vós do Espírito. Recitai entre vos salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sujeitai-vos uns aos outros no temor a Cristo. As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos.
(14)-Efesios 4:11-13. A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo do Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito a estatura da maturidade de Cristo.
(15)-Gálatas 5:22-23. Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, a alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança, contra estas coisas não há lei.
O homem
(1) Por um ato especial, o homem foi criado por Deus à sua imagem e conforme a sua semelhança, e disso decorrem o seu valor e dignidade. (2) Seu corpo foi feito do pó da terra e para o mesmo pó há de voltar. (3) Seu espírito procede de Deus e para Ele retornará. (4) O Criador ordenou que o homem domine, desenvolva e guarde a obra criada. (5) Criado para a glorificação de Deus. (6) seu propósito é amar, conhecer e estar em comunhão com seu Criador, bem como cumprir sua divina vontade. (7) Ser pessoal e espiritual, o homem tem capacidade de perceber, conhecer e compreender, ainda que em parte, intelectual e experimentalmente, a verdade revelada, e para tomar suas decisões em matéria religiosa, sem a mediação, interferência ou imposição de qualquer poder humano, seja civil ou religioso.
(1)-Mateus 16:26. Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida?
(2)-Gênese 3:19. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e em pó te hás de tornar.
(3)-Eclesiastes 12:7. antes que a poeira retorne a terra para se tornar o que era; e antes que o sopro de vida retorne a Deus que o deu.
(4)- Gênese 2:1. Assim foram acabados os céus, a terra e todo o seu exercito.
(5)-João 1: 3, 6 e 7. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, afim de que todos cressem por meio dele.
(6)-Mateus 6:33. Buscais em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vós serão dadas em acréscimo.
(7)-I Timoteo 2:5. Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os Homens: Jesus Cristo, homem.
O pecado
(1) No princípio o homem vivia em estado de inocência e mantinha perfeita comunhão com Deus. (2) Mas, cedendo à tentação de Satanás, num ato livre de desobediência contra seu Criador, o homem caiu no pecado e assim perdeu a comunhão com Deus e dele ficou separado. (3) Em conseqüência da queda de nossos primeiros pais, todos somos, por natureza, pecadores e inclinados à prática do mal. (4) Todo pecado é cometido contra Deus, sua pessoa, sua vontade e sua lei. (5) Mas o mal praticado pelo homem atinge também o seu próximo. (6) O pecado maior consiste em não crer na pessoa de Cristo, o Filho de Deus, como Salvador pessoal. (7) Como resultado do pecado, da incredulidade e da desobediência do homem contra Deus, ele está sujeito à morte e à condenação eterna, além de se tornar inimigo do próximo e da própria criação de Deus. (8) Separado de Deus, o homem é absolutamente incapaz de salvar-se a si mesmo e assim depende da graça de Deus para ser salvo.
(1)-Gênese 2:15-17. O Senhor Deus tomou o homem e colocou no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo. Deu-lhe este preceito: Podes comer do fruto de todas as arvores do jardim; mas não comas do fruto da arvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente.
(2)-Romanos 3:23. Com efeito, todos pecaram e todos estão privados da gloria de Deus.
(3)-Romanos 3:12. Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram.
(4)-Romanos 8:22. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como as dores de parto até o presente dia.
(5)-Corintios 8:12. Assim, pecando vós contra os irmãos e ferindo sua débil consciência, pecais contra Cristo.
(6)-João 3:36. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.
(7)-Efesios 2:5. quando estávamos mortos em conseqüência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graças que fostes salvos.
(8)-Efesios 2:8-9. Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provem de vossos méritos , mas é puro dom de Deus.
A regeneração
(1) A regeneração é o ato inicial da salvação em que Deus faz nascer de novo no pecador perdido, dele fazendo uma nova criatura em Cristo. É obra do Espírito Santo em que o pecador recebe o perdão, a justificação, a adoção como filho de Deus, a vida eterna e o dom do Espírito Santo. Nesse ato o novo crente é batizado no Espírito Santo, é por ele selado para o dia da redenção final, e é liberto do castigo eterno dos seus pecados. (2) Há duas condições para o pecador ser regenerado; arrependimento e fé. O arrependimento implica em mudança radical do homem interior, e por força disso ele se afasta do pecado e se volta para Deus. A fé é a confiança levam a aceitação de Jesus Cristo como Salvador e a total entrega da personalidade a ele por parte do pecador. (3) Nessa experiência de conversão o homem perdido é reconciliado com Deus, que lhe concede perdão, justiça e paz .
(1)-Deuteronômio 30:6. O Senhor, teu Deus, circuncidar-te-á o coração e o de tua descendência, para que ames o Senhor de todo o teu coração e de toda a tua alma, afim de que possa viver.
(2)-Efesios 4:32. Antes, sedes uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoais-vos uns aos outros, como também Deus vós perdoou em Cristo.
(3)-Efesios 4:30. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção.
A santificação
(1) A santificação é o processo que, principiando na regeneração, leva o homem à realização dos propósitos de Deus para a sua vida, e o habilita a progredir em busca da perfeição moral e espiritual de Jesus Cristo, mediante a presença e o poder do Espírito Santo que nele habita. (2) Ela ocorre na medida da dedicação do crente, e se manifesta através de um caráter marcado pela presença e pelo fruto do Espírito, bem como por uma vida de testemunho fiel e serviço consagrado a Deus e ao próximo.
(1)- João 17:17. Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se a minha doutrina é de Deus ou se falo de mim mesmo.
(2)- Romanos 6:19. Vou me servir de linguagem corrente entre os homens, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois, como pusestes os vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer iniqüidades, assim ponde agora os vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade.
A igreja
(1) Igreja é uma congregação local de pessoas regeneradas e batizadas após profissão de fé. É nesse sentido que a palavra “igreja” é empregada no maior número de vezes nos livros do Novo Testamento. (2) Tais congregações são constituídas por livre vontade dessas pessoas com a finalidade de prestarem cultos a Deus, observarem as ordenanças de Jesus, meditarem nos ensinamentos da Bíblia para a edificação mútua e para a propagação do evangelho. (3) As igrejas neotestamentárias são autônomas, têm governo democrático, praticam a disciplina e se regem em todas as questões espirituais e doutrinárias exclusivamente pela Palavra de Deus, sob a orientação do Espírito Santo. (4) Há nas igrejas, segundo as Escrituras, duas espécies de oficiais: pastores e diáconos. As igrejas devem relacionar-se com as demais igrejas da mesma fé e ordem e cooperar, voluntariamente, nas atividades do reino de Deus. O relacionamento com outras entidades, quer sejam de natureza eclesiástica ou outra, não deve envolver a violação da consciência ou comprometimento de lealdade a Cristo e sua Palavra. Cada igreja é um templo do Espírito Santo. (5) Há também no Novo Testamento um outro sentido da palavra “igreja” em que ela aparece como a reunião universal dos remidos de todos os tempos, estabelecida por Jesus Cristo e sobre Ele edificada, constituindo-se no corpo espiritual do Senhor, do qual ele mesmo é a cabeça. Sua unidade é de natureza espiritual e se expressa pelo amor fraternal, pela harmonia e cooperação voluntária na realização dos propósitos comuns do reino de Deus
(1) Mateus 18:17. Se recusas ouvi-los, dize-o à igreja. E se recusar ouvir também a igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.
(2)-Atos dos Apóstolos 2:41-42 = Os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos tres mil o numero de adeptos. Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações.
(3)-Mateus 18:15-16. Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou tres testemunhas.
(4)- Atos dos Apóstolos 13:1-3. Havia então na igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o negro, Lucio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes e Saulo. Enquanto celebravam o culto ao Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado. Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram.
(5)-Mateus 16:18. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
A morte
(1) Todos os homens são marcados pela finitude, de vez que, em conseqüência do pecado, a morte se estende a todos. (2) A Palavra de Deus assegura a continuidade da consciência e da identidade pessoal após a morte, bem como a necessidade de todos os homens aceitarem a graça de Deus em Cristo enquanto estão neste mundo. (3) Com a morte está o destino eterno de cada homem. (4) Pela fé nos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a morte do crente deixa de ser tragédia, pois ela o transporta para um estado de completa e constante felicidade na presença de Deus. (5) A esse estado de felicidade as Escrituras chamam “dormir no Senhor”. Os incrédulos e impenitentes entram, a partir da morte, num estado de separação definitiva de Deus. (6) Na Palavra de Deus encontramos claramente expressa a proibição divina da busca de contato com os mortos, bem como a negação da eficácia de atos religiosos com relação aos que já morreram.
(1)-Tiago 4:14. E, entretanto, não sabei o que acontecerá amanha! Pois que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um instante e depois se desvanece.
(2)-Hebreus 9:27. Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo.
(3)-Lucas 23:39-46. Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva a nos! Mas o outro o repreendeu: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplicio? Para nos isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino! Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.
(4)-Apocalipse 14:13. Eu ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: felizes os mortos que doravante morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem.
(5)-João 5:28-29. Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham no sepulcro sairão deles ao som da sua voz: os que praticaram o bem irão parara a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados.
(6)-João 3:18. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já esta condenado; porque não crê no nome do Filho único de Deus.
Justos e ímpios
(1) Deus, no exercício de sua soberania, está conduzindo o mundo e a história a seu termo final. (2) Em cumprimento à sua promessa, Jesus Cristo voltará a este mundo, pessoal e visivelmente, em grande poder e glória. (3) Os mortos em Cristo serão ressuscitados e os crentes ainda vivos juntamente com eles serão transformados, arrebatados e se unirão ao Senhor. (4) Os mortos sem Cristo também ressuscitados. (5) Conquanto os crentes já estejam justificados pela fé, todos os homens comparecerão perante o tribunal de Jesus Cristo para serem julgados, cada um segundo suas obras, pois através destas é que se manifestam os frutos da fé ou os da incredulidade. (6) Os ímpios condenados e destinados ao inferno lá sofrerão o castigo eterno, separados de Deus. (7) Os justos, com os corpos glorificados, receberão seus galardões e habitarão para sempre no céu, com o Senhor.
(1)-II Pedro 3:10. Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contem.
(2)-Apocalipse 1:7. Ei-los que vem com as nuvens. Todos os olhos o verão, mesmo aqueles que o traspassaram. Por sua causa, hão de lamentar-se todas as raças da terra. Sim. Amém.
(3)-Filipenses 3:20-21. Nos, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso misero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura.
(4)-Atos dos Apóstolos 24:15. Tenho esperança em Deus, como também eles esperam de que há de haver a ressurreição dos justos e dos pecadores.
(5)-Atos dos Apóstolos = 10:42. Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos.
(6)- I Corintios 6:9-10. Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganei: nem os impuros, nem os idolatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus.
(7)-I Corintios 15:42-44. Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; semeado no desprezo, ressuscita glorioso; semeado da fraqueza, ressuscita vigoroso, semeado corpo anima, ressuscita corpo espiritual.
Evangelização e missões
(1) A missão primordial do povo de Deus é a evangelização do mundo, visando a reconciliação do homem com Deus. (2) É dever de todo discípulo de Jesus Cristo e de todas as igrejas proclamar, pelo exemplo e pelas palavras, a realidade do evangelho, procurando fazer novos discípulos de Jesus Cristo em todas as nações, cabendo às igrejas batizá-los e ensiná-los a observar todas as coisas que Jesus ordenou. (3) A responsabilidade da evangelização estende-se até aos confins da terra e por isso as igrejas devem promover a obra de missões, rogando sempre ao Senhor que envie obreiros para a sua seara.
(1)-João 20:21. Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.
(2)-Mateus 18-20. Porque onde dois ou tres estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
(3)-Mateus 28:19. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Liberdade religiosa.
(1) Deus e somente Deus é o Senhor da consciência. (2) A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual. (3) Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano. (4) Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie. (5) A Igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções. (6) É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo. (7) O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.
(1)-Romanos 14:4. Quem és tu, para julgares o servo de outros? Que esteja firme, ou caia, isto é lá com o seu senhor. Mas ele estará firme, porque poderoso é Deus para o sustentar.
(2)-Lucas 20:25. Então lhes disse: Daí, pois, a Cezar o que é de Cezar, e a Deus o que é de Deus.
(3)-Atos dos Apóstolos 5:29 = Pedro e os apóstolos replicaram: Importa obedecer antes a Deus do que aos homens.
(4)-Atos dos Apóstolos 19:34-41. quando perceberam que ele era judeu, todos a uma voz gritaram pelo espaço de quase duas horas: Viva a Ártemis dos Efesios! Então o escrivão da cidade (veio) para apaziguar a multidão e disse: Efesios, que homem há que não saiba que a cidade de Efeso cultua a grande Ártemis, e que a sua estatua caiu dos céus? Se isso é incontestável, convém que vós sossegueis e nada façais inconsideradamente. Estes homens, que aqui trouxestes, não são sacrílegos nem blasfemadores da vossa deusa. Mas, se Demetrio e os outros artífices tem alguma queixa contra alguém, os tribunais estão abertos e ai estão os magistrados: Institua-se um processo contra eles. Se tendes reclamação a fazer, a assembléia legal decidirá. Do que se deu hoje, até corremos o risco de sermos acusados de rebelião, porque não há motivo algum que nos permita justificar este concurso. A estas palavras, dissolveu-se a aglomeração.
(5)-Romanos 13:1-7. Cada qual seja submisso ás autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus. Assim, aquele que resiste à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus; e os que a ela se opõem, atraem sobre si a condenação. Em verdade, as autoridades inspiram temor, não porem a quem pratica o bem, e sim a quem faz o mal! Queres não ter o que temer a autoridade! Faze o bem e terás o seu louvor. Porque ela é instrumento de Deus para o teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, porque não é sem razão que leva a espada: é ministro de Deus, para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal. Portanto, é necessário submeter-se, não somente por temer o castigo, mas também por dever de consciência. É também por esta razão que pagamos impostos, pois os magistrados são ministros de Deus, quando exercem pontualmente este oficio. Pagai a cada um o que lhe compete: o imposto, a quem deveis o imposto; o tributo, a quem deveis o tributo; o temor e o respeito, a quem deveis o temor e o respeito.
(6)-Atos dos Apóstolos 19: 34-41. Mas quando perceberam que ele era judeu, todos a uma voz gritaram pelo espaço de quase duas horas: Viva a Ártemis dos Efesios! Então o escrivão da cidade (veio) para apaziguar a multidão e disse: Efesios, que homem há que não saiba que a cidade de Efeso cultua a grande Ártemis, e que a sua estatua caiu dos céus? Se isso é incontestável, convém que vós sossegueis e nada façais inconsideradamente. Estes homens, que aqui trouxestes, não são sacrílegos nem blasfemadores da vossa deusa. Mas, se Demetrio e os outros artífices tem alguma queixa contra alguém, os tribunais estão abertos e ai estão os magistrados: Institua-se um processo contra eles. Se tendes reclamação a fazer, a assembléia legal decidirá. Do que se deu hoje, até corremos o risco de sermos acusados de rebelião, porque não há motivo algum que nos permita justificar este concurso. A estas palavras, dissolveu-se a aglomeração.
(7)-Atos dos Apóstolos 4:18-20.= Paulo permaneceu ali (em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porem, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto. Chegaram a Efeso onde os viu. Ele entrou na sinagoga e entretinha-se com os judeus. Pediram-lhe estes que ficasse com eles ai por mais tempo, mas ele não quis.
Fonte:
• Associação Batista Brasileira
• Gilmore, Christian Baptism (1959).
• G. Beasley-Murray, Baptism in the New Testament (1962).
• D. Moody, Baptism: Foundation for Christian Unity (1967).
• Review and Expositor (1/1968) "Baptists and Baptism". "Consultation on Believers’ Baptism" (1/1980).
John Smyth, o fundador dessa doutrina, era um pastor anglicano que, discordando dos preceitos desta religião, criou um movimento ainda mais radical do que o anglicanismo, do qual, entre outros aspectos, discordava da sua organização episcopal e litúrgica.
Os batistas, hoje, estão entre as denominações protestantes mais ativas, e, mesmo se julgam que sua doutrina tem raízes em João o Batista, não há nenhum documento ou indicio de continuidade entre o trabalho daquele que segundo o Novo Testamento batizou Jesus, e os batistas de hoje. Ao contrario, o testemunho da historia, como veremos, parece apontar para uma outra direção, mesmo se os batistas acredita que foi Deus que historicamente os levou a batizar.
Diz-se que o ministério de Jesus teve início após ter sido batizado por João, porque dois Evangelhos começam com João pregando ás margens do rio Jordão. A imagem que os autores criam de João é a de um evangelista severo e asceta que deixou a vida de ermitão no deserto para conclamar o povo de Israel a arrepender-se de seus pecados e ser batizado.
Os relatos dos evangelhos pouco revelam sobre João Batista. Eles nos dizem que o batismo por ele ministrado era um sinal público de arrependimento, e os que responderam ao seu chamado foram ritualmente imersos nas águas do rio Jordão, inclusive Jesus.
Mateus 3: 13-15. Da Galileia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. João recusava-se: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!” Mas Jesus lhe respondeu: “Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa.” Então João cedeu.
João, tendo cumprido seu papel, praticamente desapareceu de cena, embora existam indicações que continuou a batizar durante algum tempo.
O Evangelho de Lucas conta-nos que Jesus e João eram primos, e, junto com o relato da concepção e do nascimento de Jesus, oferece uma descrição da concepção e nascimento de João – que acontece paralelamente ao de Jesus mas é claramente menos miraculoso. Os pais de João, o sacerdote Zacarias e Isabel, não procriaram, tem idade avançada, mas assim mesmo são informados pelo anjo Gabriel de que foram escolhidos para ter um filho. Pouco tempo depois, Isabel, já na menopausa, concebe. É ao encontro de Isabel que vai Maria quando se descobre grávida de Jesus. Isabel está então com seis meses de gravidez e na presença de Maria, seu filho ainda não nascido “saltou no seu ventre”. É assim que ela fica sabendo que a criança de Maria é o tão esperado Messias. Isabel então louva Maria, o que inspira a proclamar o “cântico” que hoje é conhecido como “Magnificat”.
Lemos nos Evangelhos que logo após ter batizado Jesus João foi preso a mando de Herodes de Antipa. A razão alegada é que João havia publicamente condenado o recente casamento de Herodes com Herodíades - ex-mulher de seu meio irmão Filipe – casamento que, sendo ela divorciada de Filipe, contrariava as leis judaicas. Após um período incerto dentro da prisão, João é executado.
Na história conhecida, Salomé, filha de Herodíades com o ex-marido, dança para o padrasto na comemoração do aniversário deste, deixando-o tão embevecido que ele promete dar a ela tudo o que ela desejar, até mesmo “metade de seu reino”. Induzida por Herodíades, ela pede a cabeça de João Batista em uma bandeja. Sem poder voltar atrás em suas palavras, Herodes, que a essa altura já começara a admirar o Batista, relutantemente concorda e manda decapitar João. Os discípulos de João obtêm permissão para levar seu corpo e sepultá-lo, embora não se saiba ao certo se levaram também à cabeça.
Entretanto há uma outra fonte facilmente acessível de informações acerca de João: O livro “Antiquities os the Jews”, de Josefo. É um relato impessoal que não faz elogios a João e difere de forma significativa do que é relatado nos Evangelhos. Josefo registra a pregação e o batismo ministrado por João e o fato de que sua popularidade e influência sobre as massas eram muitas. Alarmado, Herodes Antípas o manda prender e executar em uma espécie de manobra preventiva. Josefo não fornece detalhes de sua prisão ou das circunstancias, ou como foi executado, e não faz qualquer menção à suposta crítica de João ao casamento de Herodes. Ele enfatiza o enorme apoio popular a João e acrescenta que, não muito tempo depois da sua execução, Herodes sofreu uma séria derrota em batalha, que o povo tomou como punição divina pelo crime que ele cometera contra o Batista.
O que se pode concluir sobre João a partir dos relatos dos Evangelhos e de Josefo? Para começar, a historia de que ele batizou Jesus deve ser autêntica, pois sua inclusão sugere que esse fato era por demais conhecido para ser excluído – mesmo considerando a tendência dos autores dos Evangelhos em marginalizar João sempre que possível.
João pregava em Peréia, a leste do Jordão, um território que Herodes também governava além da Galileia A descrição em Mateus é contraditória, mas o Evangelho de João é mais especifico e cita duas pequenas cidades onde João batizava:
João 1:26-28. João respondeu: “Eu batizo com água, mas no meio de vos está quem vos não conheceis. Este dialogo se passou em Betânia, alem do Jordão, onde João estava batizando
João 3:23-24. Também João batizava em Enon, perto de Salim, porque havia ali muita água, e muitos vinham e eram batizados. Pois João ainda não tinha sido lançado ao cárcere.
Betânia era um vilarejo próximo à principal rota comercial, e Enon se localizava ao norte do vale do Jordão, dois lugares bastantes distantes um do outro o que demonstra que João viajava muito durante sua missão.
A impressão do eremita asceta fomentada pelas traduções gregas dos Evangelhos pode, de fato, representar um erro de conceito. A palavra grega “eremos”, traduzida como “deserto” ou “local despovoado”, pode significar qualquer lugar isolado. É significativo que a mesma palavra seja utilizada para designar o local onde Jesus alimentou os cinco mil. Carl Kraeling, em seu estudo sobre João, considerado um texto acadêmico de referencia sobre o assunto, também argumenta que a dieta de “gafanhoto e mel” que João supostamente consumia, não implica especificamente um estilo de vida ascético. É provável também que a missão de João não se limitasse apenas aos judeus. O relato de Josefo, embora de inicio apresente João exortando os judeus à piedade e a uma vida virtuosa, acrescenta que “outros se juntavam” ao redor dele, pois também ficavam extremamente entusiasmados ao ouvir seus ensinamentos. Alguns estudiosos acreditam que esses “outros” só podem ser não judeus, e com isso está de acordo o britânico Robert L. Webb, estudioso da Bíblia.
...não há nada no conteúdo a sugerir que não poderiam ser os gentios. A localização do ministério de João sugere que ele poderia estar em contato com os gentios que viajavam pelas rotas de comércio vindo do Oriente, bem como com os gentios que viviam na região da Transjordânia...
Uma outra concepção errônea é a idade de João porque se considera que é mais ou menos a mesma de Jesus. Entretanto, a conclusão a que se chega a partir dos quatro Evangelhos é de que João pregava já há muitos anos quando batizou Jesus e que era, talvez por uma grande margem de diferença, o mais velho dos dois? - A historia do nascimento de João no Evangelho de Lucas é, como veremos, em grande parte inventada e inverossímil.
Como a de Jesus, a mensagem de João era um ataque implícito ao culto que se praticava no Templo de Jerusalém, não apenas no que dizia respeito à possível corrupção de seus oficiantes, mas a tudo o que ele representava. A convocação de João ao batismo pode ter irritado as autoridades do Templo, não somente porque ele afirmava que o batismo era espiritualmente superior aos seus ritos, como também porque era gratuito. E há também as irregularidades presentes nas descrições a respeito da sua morte, especialmente quando comparadas com o relato de Josefo. Os motivos imputados a Herodes referem-se ao medo da influencia política de João, tese de Josefo, enquanto os Evangelhos afirmam que Herodes tinha raiva de João porque este criticava seu casamento, mesmo se as duas abordagens não são mutuamente excludentes.
Os arranjos conjugais de Herodes Antípas tiveram, realmente, implicações políticas, mas não por causa da mulher com quem ele se casara. A questão era a mulher de quem ele teve que se divorciar para se casar novamente. Sua primeira esposa era uma princesa do reino Árabe de Nabatéia, e o insulto que a separação representou para essa família real deflagrara uma guerra entre os dois reinos. Nabatéia fazia fronteira com o território de Peréia, governado por Herodes e onde João fazia suas pregações. Portanto, a censura de João ao casamento de Herodes efetivamente o colocou do lado do rei inimigo deste, Aretas, com a ameaça implícita de que, se a população concordasse com João, esta poderia acabar apoiando Aretas contra Antípas.
Talvez isso pareça por demais acadêmico, mas intriga o fato de que os Evangelhos tenham “suavizados” os verdadeiros motivos que levaram Herodes a executar João. Se reconhecermos que esses livros são essencialmente materiais de propaganda, e assim sendo, quando obscurecem algum acontecimento o fazem de modo deliberado, a outra possibilidade levanta uma questão: por que os autores dos Evangelhos se incomodariam com esse episódio. É compreensível que os autores dos Evangelhos quisessem censurar qualquer sugestão de que João gozava de grande popularidade – isto é compatível com o tratamento geral que dedicam a ele - mas se tivessem que inventar alguma coisa seria de esperar que tramassem uma história que apoiasse Jesus de algum modo. Por exemplo, poderiam ter dito que João fora preso por proclamar que Jesus era o Messias.
Os relatos dos Evangelhos também cometem um engano. Dizem que João criticava Herodes Antípas porque este se casara com a ex-mulher de seu meio-irmão Felipe. No entanto, embora as circunstancias do casamento sejam historicamente precisas, o meio-irmão em questão era na verdade um outro Herodes, não Felipe. Este segundo Herodes era o pai de Salomé.
Apesar do fato de João, como Madalena, terem sido deliberadamente marginalizado pelos autores dos Evangelhos, podem-se encontrar outras pistas acerca de sua influencia sobre os contemporâneos de Jesus. Em um episódio cujas implicações parecem não ter ocorrido à maioria dos cristãos, os discípulos de Jesus dizem a ele: “Senhor, ensina-nos a orar, assim como também João ensinou aos seus discípulos”. Lemos, então, que Jesus ensinou-lhes a oração que viria a ser conhecida como “Pai Nosso”.
Já no século XIX o grande egiptólogo Sir E. Wallis observou que as palavras iniciais do Pai Nosso tinham origem uma antiga oração Egípcia para Osíris-Amon. O deus Amon, que com as mudanças implementadas pelo Farão Akhenaton para destruir o culto politeísta se transformara no deus Aton, o disco solar que passara a ser adorado como deus único. “Amom, Amom que estais no céu”.
È claro que isso data de séculos antes de João e Jesus, e que o “pai” invocado na oração não é nem Jwhw nem seu suposto filho, Jesus. A critica mais recente à Bíblia assinala que João jamais fez sua famosa proclamação sobre a superioridade de Jesus, nem mesmo insinuou que este era o Messias. Esta idéia é corroborada por vários fatos.
Os Evangelhos, de modo bastante ingênuo, registram que quando João estava encarcerado, questionou a autenticidade do messiado de Jesus. A sugestão é de que ele duvidava da própria afirmação anterior de que Jesus era o Messias, mas isto poderia também ser um outro exemplo em que os autores dos Evangelhos precisaram adaptar um episódio para seus próprios propósitos. Teria João inequivocamente negado que Jesus era o Messias? Do ponto de vista da mensagem cristã as implicações relativas ao episodio são, ou deveriam ser, extremamente perturbadoras. Pois se por um lado os cristãos aceitam que João fora divinamente inspirado para reconhecer Jesus como o Messias, pelo outro o questionamento de João na prisão indica, no mínimo, que ele estava em dúvida.
Lucas 7: 18-23. Os discípulos de João referiram-lhe todas estas coisas. E João chamou dois dos seus discípulos e enviou-os a Jesus perguntando: “Es tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?” Chegando estes homens a ele, disseram: “João Batista enviou-nos a ti, perguntando: És tu o que há de vir ou devemos esperar por outro?” Ora, naquele momento Jesus havia curado muitas pessoas de enfermidades, de doenças e de espíritos malignos, e dado a vista a muitos cegos. Respondeu-lhes ele: “Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho; e bem aventurado é aquele para quem eu não for ocasião de quedas”.
Como veremos, os últimos seguidores de João – os que Paulo encontra em Efeso e Corinto quando fazia seu trabalho missionário - nada sabiam sobre a suposta declaração de João proclamando que alguém maior viria depois dele.
Uma das evidencias mais fortes a indicar que o Batista nunca declarou que Jesus era o Messias esperado é a de que os próprios discípulos de Jesus não o reconheciam como tal, pelo menos no começo de seu ministério. Ele era seu líder, professor, mas não há qualquer sugestão de que o seguiam de inicio porque acreditavam que ele era o tão esperado Messias dos judeus. A identificação de Jesus como Messias parece ter se espalhado pouco a pouco entre os discípulos, à medida que seu ministério se desenvolvia. No entanto, Jesus deu inicio à sua missão após ter sido batizado por João: então por que, se João realmente havia anunciado Jesus como o Messia, ninguém mais na época sabia disso? - e os próprios Evangelhos deixam claro que as pessoas o seguiam não porque ele fosse o Messia, mas por outra razão. E há uma outra consideração que nos faz pensar bastante. Quando o movimento de Jesus começou a causar impacto, Herodes Antípas ficou temeroso e, aparentemente, começou a pensar que Jesus era João ressurrecto ou reencarnado.
Marcos 6:14-16. O rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tornara celebre. Dizia-se: João Batista ressurgiu dos mortos e por isso o poder de fazer milagres opera nele. Uns afirmavam: E Elias! Diziam outros: É um profeta como qualquer outro. Ouvindo isso, Herodes repetia: É João, a quem mandei decapitar. Ele ressuscitou.
Fonte: livro “A Grande Heresia” de Lynn Picknett & Clive Prince
( VII ) METODISTAS
O movimento metodista nasceu em 1739 quando foram constituídas as primeiras sociedades que em verdade eram grupos cristãos sob a liderança de um guia leigo. Quem inspirou o movimento foi John Wesley - um ex-pastor anglicano - protagonista da segunda fase da Reforma e criador daquele que se tornou um dos maiores movimentos protestantes atuais. O movimento metodista nasceu no seio do anglicanismo e com ele coexistiu por muito tempo sem rupturas. Hoje o metodismo no mundo é mais difundido do que o anglicanismo.
O metodismo precedeu os tres grandes movimentos que convulsionaram o mundo ocidental moderno: a guerra de independência Americana - 1775-1783, a revolução industrial da Inglaterra - 1760-1830 e a revolução francesa – 1789. Preanunciando as mudanças, acompanhando-as, mas mantendo, entretanto, a própria identidade.
O metodismo, desde sua origem, é um movimento popular que zela pelo melhoramento do homem na sua plenitude, uma vez que é impossível que cada individuo situe a si mesmo em relação à salvação, ao amor de Deus e a irmandade com o Cristo, se não se aprimora em relação a estes aspectos a ponto de se tornar apto a pregá-los ao seu próximo com a finalidade de contribuir para o estabelecimento de uma sociedade que respeite a dignidade, o valor e os direitos individuais. Desta forma, o metodismo pode ser considerado uma igreja com as características de uma sociedade, ou uma sociedade com as características de uma igreja.
Wesley endereçou sua atenção para as classes mais pobres, não aos privilegiados, e seus cenários, no inicio, estavam cheios de mendigos, de marinheiros e prostitutas. Entretanto, logo depois, o movimento se tornou burguês e passou a atrair cada vez mais empreendedores e industriais. Não podia ser diferente, porque o lema de Wesley era conhecido: Ganhe tudo o que você puder, economize tudo o que você puder e presenteie tudo o que você puder.
A sobriedade dos metodistas os levou inevitavelmente a um melhoramento econômico e este melhoramento a um certo desequilíbrio conceitual entre o elemento social, o elemento espiritual e o elemento moral. Mesmo sendo um credo de supostos diversos, tornou-se a religião da classe media conservadora.
Em 1789 wesley legalizou e distribuiu um documento que regularizava e perpetuava a constituição das sociedades metodistas. Foi constituído um corpo de 100 pastores - Legal Hundred - nomeados pessoalmente por ele, aos quais delegou autoridade em termos de disciplina e de administração. Estes 100 pastores representavam o órgão que governava o credo metodista.
Na conferencia de 1836 decidiram que seus pregadores deveriam ser ordenados - como eram os pastores das demais religiões - e estabeleceram as condições, no que diz respeito a estudos e tirocínio, para a aceitação dos candidatos. Passariam a ser ordenados depois de confirmarem, através de sua atuação e comportamento, a aceitação da organização, a doutrina e a disciplina metodista.
Feito isso, nomearam alguns pregadores para a administração dos sacramentos na Escócia e na América. A igreja metodista tornava-se assim autônoma em relação à igreja da Inglaterra, continuando a manter com ela, porém, um bom relacionamento.
A decisão a respeito do principio de autonomia em relação à igreja anglicana, foi tomada na conferencia de 1775, mas na pratica a separação foi muito mais lenta, mesmo porque, em 1799, houve uma tentativa de reaproximação. A célula que sempre originou as igrejas metodistas - “wesleyana” - sempre fora uma reunião onde um grupo assumia a tarefa de dar consistência a uma nova sociedade – igreja - e as sociedades eram agrupadas em áreas com um ministro que as superintendia através de uma conferencia trimestral na qual participavam os membros eleitos imitando um órgão administrativo.
As áreas eram, por sua vez, agrupadas em distritos comparáveis com as dioceses anglicanas com um ministro na função de presidente e um sínodo que se reunia duas vezes ao ano. A conferencia, finalmente, era composta pelos 100 pastores e representantes de todas as igrejas metodistas wesleyana na Grã Bretanha.
Na Irlanda a igreja passou a contar com uma conferencia própria que se reunia anualmente, organizada com um presidente – que era um pastor, um vice-presidente – que era um leigo e um secretario – que era outro pastor. Estes eram eleitos anualmente. A conferencia se articulava em duas sessões: pastoral - “Ministerial Session” e plenária - “Representative Session”, compostas por 690 membros -pastores e leigos em numero igual - que eram eleitos pelos sínodos dos distritos.
O metodismo conheceu sua fase de máxima expansão ao longo da segunda metade de 1800 graças ao aumento do numero de adeptos - empresários e da pequena burguesia - mas sobretudo pelo sucesso da típica evangelização que era realizada em todas as camadas da sociedade, seja através de campanhas publicitárias, como pela atuação pessoal dos pastores.
Por meio dessa atuação o metodismo conseguiu sedimentar-se, consolidar-se e crescer sem se chocar com nenhum dos muitos nacionalismos políticos e religiosos existentes no continente europeu e em todas as demais partes do mundo, chegando a ser uma grande igreja missionária sustentada pela generosa contribuição dos fieis - através das coletas organizadas periodicamente. O homem responsável pela historia de sucessos do metodismo no alem mar foi Thomas Coke, secretario de Wesley e seu principal lugar-tenente.
Na América George Whitefield conseguiu dar ao movimento um novo aspecto, e este causou o fim do puritanismo e o inicio do metodismo. A situação social na América diferenciava-se acentuadamente da que era vivida na Europa, por isso o metodismo teve que se adaptar às exigências locais - estas exigências eram predominantemente inglesas porque eram inglesas as primeiras grandes colônias neste país - sem se preocupar demasiadamente com as tradições. Acentuaram-se mais os aspectos morais em detrimento dos dogmáticos - algo que a própria sociedade almejava – tendo em vista a fase de periculosidade e instabilidade que era vivida.
O litoral do Novo Mundo havia começado a ser explorado a partir do século XVI pelos navegadores espanhóis e franceses, e muitos ingleses emigraram para este país a partir do inicio do século XVII, onde fundaram, de 1607 a 1733, treze colônias: Virginia, Massachusetts, New Hampshire, Maryland, Conecticut, Rhode Island, Carolina do Norte, Carolina do Sul, New York, Delaware, New Jersey, Pensilvânia e Geórgia.
Estas colônias entraram em conflito com os estabelecimentos franceses sediados no Canadá e na Louisiana, ganhando a causa através do tratado de Paris de 1763. A Inglaterra, no entanto, pretendia continuar acentuando a sua política colonial exclusivista, mas a resistência dos colonos, sustentada pelo primeiro congresso continental reunido em Filadélfia em 1774, teve como conseqüência a guerra da independência
Com esta guerra - 1775-1783 - o metodismo passou por uma fase difícil. Seus ministros e pregadores foram obrigados a voltar para a Inglaterra enquanto os fieis passaram a ser perseguidos da mesma forma que o eram os pacifistas, os quaquers, os menonitas e moravios. Esta realidade demonstrou a Wesley que era necessário tornar o movimento metodista Americano independente do Inglês.
Com o nascimento dos Estados Unidos da América como entidade política e territorial em 4 de julho de 1776, nasceu também uma nova igreja metodista independente e autonomamente organizada: A igreja metodista episcopal.
O metodismo americano se apresentou desde o inicio como uma corporação liderada por um bispo que presidia a conferencia e nomeava ou suspendia os pregadores. O trabalho de evangelização, desde que teve inicio, foi muito forte, mas as obras sociais, a cultura e a informação, representaram elementos que decididamente favoreceram o avanço desta religião.
A igreja metodista episcopal, por exemplo, proibiu a seus seguidores de manterem escravos - a mesma proibição que foi cunhada na Constituição dos EUA em 1784 - e montou a primeira editora religiosa. Desta forma, os predicadores que atravessavam a cavalo as grandes extensões territoriais americanas eram os únicos que levavam e utilizavam livros na sua obra de evangelização e conversão.
Os negros americanos que representavam 10% da população – que na época era formada por aproximadamente 40 milhões de imigrantes europeus - haviam sido levados para o sul como escravos mesmo se possuíam os mesmos direitos de cidadania dos brancos. Maltratados pelos patrões e perseguidos até a morte quando fugiam, encontraram na igreja metodista um respaldo espiritual, material e político que os fortaleceu. Logo passaram a freqüentá-la como fieis.
O metodismo americano continuou realizando com eficiência o trabalho que até então havia sido realizado pelos ingleses, e o crescente desejo de liberdade política deste povo, acompanhado pelo espírito de tolerância religiosa existente - alem de todos os demais aspectos - permitiram que as missões metodistas se expandissem acentuadamente entre 1876 e 1919. De fato, a coragem dos pioneiros, a iniciativa individual, a austeridade dos costumes e a necessidade de autonomia local baseada na responsabilidade individual, em paralelo ao reconhecimento e aceitação de uma autoridade central interessada no desenvolvimento democrático do país, foram os elementos constitutivos da estrutura político-social-religiosa desta nova nação.
Os pregadores.
Os pregadores eram uma espécie de cavaleiros errantes que a sos, ou com um aprendiz, partiam à procura de almas que tivessem a necessidade daquilo que a palavra de Deus, e a fraternidade humana, podiam oferecer quando a fé no Cristo era compartilhada. Deslocando-se de uma fazenda à outra sem preferências étnicas, mesmo quando não havia estradas ou ferrovias, encontravam freqüentemente pessoas rudes, não eruditas, brutas, velhos revolucionários, ateus endurecidos etc., que muito dificilmente permitiam que lhe fosse transmitido o conjunto doutrinário. Só noções extremamente simples do tipo: a graça de Deus é oferecida a todos pelo Cristo; o homem é livre para aceitar Deus ou recusá-lo; se o aceita Ele lhe propõe que se reconheça pecador, que quebre o vinculo com o passado e aceite o dom de Deus para progredir no caminho da perfeição.
Perfil doutrinário.
O metodismo é um movimento cristão ao qual são estranhos os interesses pela reflexão teológica e o misticismo: É caracterizado, segundo os metodistas, por uma extrema clareza através da qual se posta diante de todas as situações da vida.
Para os metodistas, as dificuldades sociais e religiosas representam um problema de consciência individual, problema que se configura essencialmente por uma pergunta de caráter religioso, uma pergunta cuja única resposta está inserida no relacionamento pessoal que cada um tem com Deus. Porque o homem, em síntese, segundo Paulo, só tem um problema que está nele mesmo.
• Romanos 1:23-26 = Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homens corruptíveis, de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus os entregou aos desejos de seus corações, à imundície, de modo que desonram entre si os próprios corpos. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. - Paulo repete o que os sacerdotes hebreus afirmavam ao seu povo, os que em suas origens, ou depois durante o exílio na Babilônia, se prostravam diante de ídolos pagãos.
• Romanos 8:1-4 = De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito da Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nos, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito.
• Romanos 8:18-19 = Tenho para mim que o sofrimento da presente vida não tem proporção alguma com a gloria futura que nos deve ser manifestada. Por isso, à criação guarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus
Partindo da afirmação de Paulo, ou seja, que o homem é um pecador perdoado e a criação aguarda a sua manifestação, se forma um pensamento social muito interessante: se a criação - que é o quadro dentro do qual o homem vive - tem a esperança de ser libertada, mais do que ela é a sociedade que merece ser libertada porque esta é constituída pelo próprio homem. Reflete-se dessa forma a primeira característica que é a corrupção, aguardando a manifestação da segunda característica que é a redenção. Desse modo é demonstrada a universalidade do pecado e a universalidade da salvação.
O metodismo sublinha ainda a gratuidade da misericórdia divina que como conseqüência oferece uma dupla mutação comportamental: Mutação da atitude espiritual do crente - testemunho da obra do Espírito Santo, e mutação do seu próprio comportamento prático que é um instrumento de progressão social.
O metodismo afirma que a salvação do homem só acontece através da fé, enquanto que a igreja católica diz que é através da fé, desde que o crente participe de todos os sacramentos.
Se Deus deseja salvar o homem, dizem, com certeza saberá se fazer entender por ele. Sobre este principio se baseia a teoria metodista da certeza.
O primeiro passo desta doutrina, no entanto, não é expresso pelo alto, mas acontece aqui em baixo, no sentido que o metodismo não acusa o homem com o seu pecado, mas prega o designo de Deus para que seja salvo, afirmando, ainda, que este pode ter a certeza da sua salvação, através do testemunho que o Espírito Santo dá ao espírito do homem.
O cerne da teologia metodista, assim sendo, não é o pecado que tornou o homem indigno de ser filho de Deus, mas á graça de Deus que restitui para aquele mesmo homem a filiação de Deus através da fé em Cristo.
Outro conceito da teologia metodista é o da perfeição cristã, que não deve ser entendida como uma nova condição, mas um novo poder. Quem aceita a graça de Deus e percorreu todo o caminho para se tornar crente, transforma-se em uma nova criatura que passa a viver e operar em uma nova conjuntura, completamente diversa e totalmente melhorada em relação à que vivia antes da sua conversão. É por isso que dizem que a pessoa renasce.
O metodismo precedeu os tres grandes movimentos que convulsionaram o mundo ocidental moderno: a guerra de independência Americana - 1775-1783, a revolução industrial da Inglaterra - 1760-1830 e a revolução francesa – 1789. Preanunciando as mudanças, acompanhando-as, mas mantendo, entretanto, a própria identidade.
O metodismo, desde sua origem, é um movimento popular que zela pelo melhoramento do homem na sua plenitude, uma vez que é impossível que cada individuo situe a si mesmo em relação à salvação, ao amor de Deus e a irmandade com o Cristo, se não se aprimora em relação a estes aspectos a ponto de se tornar apto a pregá-los ao seu próximo com a finalidade de contribuir para o estabelecimento de uma sociedade que respeite a dignidade, o valor e os direitos individuais. Desta forma, o metodismo pode ser considerado uma igreja com as características de uma sociedade, ou uma sociedade com as características de uma igreja.
Wesley endereçou sua atenção para as classes mais pobres, não aos privilegiados, e seus cenários, no inicio, estavam cheios de mendigos, de marinheiros e prostitutas. Entretanto, logo depois, o movimento se tornou burguês e passou a atrair cada vez mais empreendedores e industriais. Não podia ser diferente, porque o lema de Wesley era conhecido: Ganhe tudo o que você puder, economize tudo o que você puder e presenteie tudo o que você puder.
A sobriedade dos metodistas os levou inevitavelmente a um melhoramento econômico e este melhoramento a um certo desequilíbrio conceitual entre o elemento social, o elemento espiritual e o elemento moral. Mesmo sendo um credo de supostos diversos, tornou-se a religião da classe media conservadora.
Em 1789 wesley legalizou e distribuiu um documento que regularizava e perpetuava a constituição das sociedades metodistas. Foi constituído um corpo de 100 pastores - Legal Hundred - nomeados pessoalmente por ele, aos quais delegou autoridade em termos de disciplina e de administração. Estes 100 pastores representavam o órgão que governava o credo metodista.
Na conferencia de 1836 decidiram que seus pregadores deveriam ser ordenados - como eram os pastores das demais religiões - e estabeleceram as condições, no que diz respeito a estudos e tirocínio, para a aceitação dos candidatos. Passariam a ser ordenados depois de confirmarem, através de sua atuação e comportamento, a aceitação da organização, a doutrina e a disciplina metodista.
Feito isso, nomearam alguns pregadores para a administração dos sacramentos na Escócia e na América. A igreja metodista tornava-se assim autônoma em relação à igreja da Inglaterra, continuando a manter com ela, porém, um bom relacionamento.
A decisão a respeito do principio de autonomia em relação à igreja anglicana, foi tomada na conferencia de 1775, mas na pratica a separação foi muito mais lenta, mesmo porque, em 1799, houve uma tentativa de reaproximação. A célula que sempre originou as igrejas metodistas - “wesleyana” - sempre fora uma reunião onde um grupo assumia a tarefa de dar consistência a uma nova sociedade – igreja - e as sociedades eram agrupadas em áreas com um ministro que as superintendia através de uma conferencia trimestral na qual participavam os membros eleitos imitando um órgão administrativo.
As áreas eram, por sua vez, agrupadas em distritos comparáveis com as dioceses anglicanas com um ministro na função de presidente e um sínodo que se reunia duas vezes ao ano. A conferencia, finalmente, era composta pelos 100 pastores e representantes de todas as igrejas metodistas wesleyana na Grã Bretanha.
Na Irlanda a igreja passou a contar com uma conferencia própria que se reunia anualmente, organizada com um presidente – que era um pastor, um vice-presidente – que era um leigo e um secretario – que era outro pastor. Estes eram eleitos anualmente. A conferencia se articulava em duas sessões: pastoral - “Ministerial Session” e plenária - “Representative Session”, compostas por 690 membros -pastores e leigos em numero igual - que eram eleitos pelos sínodos dos distritos.
O metodismo conheceu sua fase de máxima expansão ao longo da segunda metade de 1800 graças ao aumento do numero de adeptos - empresários e da pequena burguesia - mas sobretudo pelo sucesso da típica evangelização que era realizada em todas as camadas da sociedade, seja através de campanhas publicitárias, como pela atuação pessoal dos pastores.
Por meio dessa atuação o metodismo conseguiu sedimentar-se, consolidar-se e crescer sem se chocar com nenhum dos muitos nacionalismos políticos e religiosos existentes no continente europeu e em todas as demais partes do mundo, chegando a ser uma grande igreja missionária sustentada pela generosa contribuição dos fieis - através das coletas organizadas periodicamente. O homem responsável pela historia de sucessos do metodismo no alem mar foi Thomas Coke, secretario de Wesley e seu principal lugar-tenente.
Na América George Whitefield conseguiu dar ao movimento um novo aspecto, e este causou o fim do puritanismo e o inicio do metodismo. A situação social na América diferenciava-se acentuadamente da que era vivida na Europa, por isso o metodismo teve que se adaptar às exigências locais - estas exigências eram predominantemente inglesas porque eram inglesas as primeiras grandes colônias neste país - sem se preocupar demasiadamente com as tradições. Acentuaram-se mais os aspectos morais em detrimento dos dogmáticos - algo que a própria sociedade almejava – tendo em vista a fase de periculosidade e instabilidade que era vivida.
O litoral do Novo Mundo havia começado a ser explorado a partir do século XVI pelos navegadores espanhóis e franceses, e muitos ingleses emigraram para este país a partir do inicio do século XVII, onde fundaram, de 1607 a 1733, treze colônias: Virginia, Massachusetts, New Hampshire, Maryland, Conecticut, Rhode Island, Carolina do Norte, Carolina do Sul, New York, Delaware, New Jersey, Pensilvânia e Geórgia.
Estas colônias entraram em conflito com os estabelecimentos franceses sediados no Canadá e na Louisiana, ganhando a causa através do tratado de Paris de 1763. A Inglaterra, no entanto, pretendia continuar acentuando a sua política colonial exclusivista, mas a resistência dos colonos, sustentada pelo primeiro congresso continental reunido em Filadélfia em 1774, teve como conseqüência a guerra da independência
Com esta guerra - 1775-1783 - o metodismo passou por uma fase difícil. Seus ministros e pregadores foram obrigados a voltar para a Inglaterra enquanto os fieis passaram a ser perseguidos da mesma forma que o eram os pacifistas, os quaquers, os menonitas e moravios. Esta realidade demonstrou a Wesley que era necessário tornar o movimento metodista Americano independente do Inglês.
Com o nascimento dos Estados Unidos da América como entidade política e territorial em 4 de julho de 1776, nasceu também uma nova igreja metodista independente e autonomamente organizada: A igreja metodista episcopal.
O metodismo americano se apresentou desde o inicio como uma corporação liderada por um bispo que presidia a conferencia e nomeava ou suspendia os pregadores. O trabalho de evangelização, desde que teve inicio, foi muito forte, mas as obras sociais, a cultura e a informação, representaram elementos que decididamente favoreceram o avanço desta religião.
A igreja metodista episcopal, por exemplo, proibiu a seus seguidores de manterem escravos - a mesma proibição que foi cunhada na Constituição dos EUA em 1784 - e montou a primeira editora religiosa. Desta forma, os predicadores que atravessavam a cavalo as grandes extensões territoriais americanas eram os únicos que levavam e utilizavam livros na sua obra de evangelização e conversão.
Os negros americanos que representavam 10% da população – que na época era formada por aproximadamente 40 milhões de imigrantes europeus - haviam sido levados para o sul como escravos mesmo se possuíam os mesmos direitos de cidadania dos brancos. Maltratados pelos patrões e perseguidos até a morte quando fugiam, encontraram na igreja metodista um respaldo espiritual, material e político que os fortaleceu. Logo passaram a freqüentá-la como fieis.
O metodismo americano continuou realizando com eficiência o trabalho que até então havia sido realizado pelos ingleses, e o crescente desejo de liberdade política deste povo, acompanhado pelo espírito de tolerância religiosa existente - alem de todos os demais aspectos - permitiram que as missões metodistas se expandissem acentuadamente entre 1876 e 1919. De fato, a coragem dos pioneiros, a iniciativa individual, a austeridade dos costumes e a necessidade de autonomia local baseada na responsabilidade individual, em paralelo ao reconhecimento e aceitação de uma autoridade central interessada no desenvolvimento democrático do país, foram os elementos constitutivos da estrutura político-social-religiosa desta nova nação.
Os pregadores.
Os pregadores eram uma espécie de cavaleiros errantes que a sos, ou com um aprendiz, partiam à procura de almas que tivessem a necessidade daquilo que a palavra de Deus, e a fraternidade humana, podiam oferecer quando a fé no Cristo era compartilhada. Deslocando-se de uma fazenda à outra sem preferências étnicas, mesmo quando não havia estradas ou ferrovias, encontravam freqüentemente pessoas rudes, não eruditas, brutas, velhos revolucionários, ateus endurecidos etc., que muito dificilmente permitiam que lhe fosse transmitido o conjunto doutrinário. Só noções extremamente simples do tipo: a graça de Deus é oferecida a todos pelo Cristo; o homem é livre para aceitar Deus ou recusá-lo; se o aceita Ele lhe propõe que se reconheça pecador, que quebre o vinculo com o passado e aceite o dom de Deus para progredir no caminho da perfeição.
Perfil doutrinário.
O metodismo é um movimento cristão ao qual são estranhos os interesses pela reflexão teológica e o misticismo: É caracterizado, segundo os metodistas, por uma extrema clareza através da qual se posta diante de todas as situações da vida.
Para os metodistas, as dificuldades sociais e religiosas representam um problema de consciência individual, problema que se configura essencialmente por uma pergunta de caráter religioso, uma pergunta cuja única resposta está inserida no relacionamento pessoal que cada um tem com Deus. Porque o homem, em síntese, segundo Paulo, só tem um problema que está nele mesmo.
• Romanos 1:23-26 = Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homens corruptíveis, de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus os entregou aos desejos de seus corações, à imundície, de modo que desonram entre si os próprios corpos. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. - Paulo repete o que os sacerdotes hebreus afirmavam ao seu povo, os que em suas origens, ou depois durante o exílio na Babilônia, se prostravam diante de ídolos pagãos.
• Romanos 8:1-4 = De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito da Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nos, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito.
• Romanos 8:18-19 = Tenho para mim que o sofrimento da presente vida não tem proporção alguma com a gloria futura que nos deve ser manifestada. Por isso, à criação guarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus
Partindo da afirmação de Paulo, ou seja, que o homem é um pecador perdoado e a criação aguarda a sua manifestação, se forma um pensamento social muito interessante: se a criação - que é o quadro dentro do qual o homem vive - tem a esperança de ser libertada, mais do que ela é a sociedade que merece ser libertada porque esta é constituída pelo próprio homem. Reflete-se dessa forma a primeira característica que é a corrupção, aguardando a manifestação da segunda característica que é a redenção. Desse modo é demonstrada a universalidade do pecado e a universalidade da salvação.
O metodismo sublinha ainda a gratuidade da misericórdia divina que como conseqüência oferece uma dupla mutação comportamental: Mutação da atitude espiritual do crente - testemunho da obra do Espírito Santo, e mutação do seu próprio comportamento prático que é um instrumento de progressão social.
O metodismo afirma que a salvação do homem só acontece através da fé, enquanto que a igreja católica diz que é através da fé, desde que o crente participe de todos os sacramentos.
Se Deus deseja salvar o homem, dizem, com certeza saberá se fazer entender por ele. Sobre este principio se baseia a teoria metodista da certeza.
O primeiro passo desta doutrina, no entanto, não é expresso pelo alto, mas acontece aqui em baixo, no sentido que o metodismo não acusa o homem com o seu pecado, mas prega o designo de Deus para que seja salvo, afirmando, ainda, que este pode ter a certeza da sua salvação, através do testemunho que o Espírito Santo dá ao espírito do homem.
O cerne da teologia metodista, assim sendo, não é o pecado que tornou o homem indigno de ser filho de Deus, mas á graça de Deus que restitui para aquele mesmo homem a filiação de Deus através da fé em Cristo.
Outro conceito da teologia metodista é o da perfeição cristã, que não deve ser entendida como uma nova condição, mas um novo poder. Quem aceita a graça de Deus e percorreu todo o caminho para se tornar crente, transforma-se em uma nova criatura que passa a viver e operar em uma nova conjuntura, completamente diversa e totalmente melhorada em relação à que vivia antes da sua conversão. É por isso que dizem que a pessoa renasce.
( VI ) QUEQUERS
O movimento quaquers foi fundado por George Fox - 1624-1691 - nascido em Drayton-in-the-Clay, hoje Fenny Drayton - no condado inglês de Leicestershire - no mês de julho de 1624 de uma família de tecelões de credo puritano. O sonho de seus genitores era tornar George um pastor religioso, mas este, que precocemente repudiou a idéia, acabou sendo enviado para aprender o oficio de sapateiro.
Em 1643, com 19 anos, dois amigos puritanos o convidaram para tomar uma bebedeira. Chocado, percebeu que as atitudes adotadas pela maioria dos homens não o satisfaziam. Preocupado com este aspecto, deixou a casa dos pais mesmo sem ter dinheiro e, com a Bíblia entre as mãos, saiu sem destino tentando encontrar a si mesmo. Em um primeiro momento vagou ao acaso tentando esclarecer suas duvidas, e depois passou a comparar os ensinamentos da igreja anglicana com aqueles dos demais credos religiosos que naquela epoca participavam da constelação do protestantismo inglês.
Depois de algum tempo concluiu que nenhum deles o satisfazia, e quando perguntou a si mesmo o porque, deu-se conta que seus anseios o levavam a discordar de todas elas, especialmente do calvinismo, porque este afirmava que só os eleitos estavam pré-destinados à salvação eterna o que significava dizer que o comportamento moral, seja no bem, como no mal, era irrelevante. Neste caso, deduzia ele, mesmo se o não eleito mantiver uma vida regrada e cheia de boas obras permanecerá interdito, enquanto um eleito, mesmo se for assassino, continuaria com a prerrogativa pré- estabelecida. Ele não conseguia justificar, portanto aceitar, uma separação entre religiosidade e moralidade, porque entendia que o homem deve se empenhar para vencer suas imperfeições.
Em 1646 George chegou a um consenso: freqüentar os cultos nas igrejas ou ler as sagradas escrituras, não traziam como decorrência a paz interior, porque esta se originava em uma luz, uma fagulha divina que existe no cerne de cada individuo: a pequena parcela de Deus que está dentro de todos os homens e que cada um deve desenvolver e expandir. Este pensamento o levou a se convencer da inutilidade de uma estrutura eclesiástica formal e de um clero treinado para evangelizar. Finalmente achara a resposta que procurava.
Em 1647 começou a pregar sua doutrina no centro norte da Inglaterra – nesta epoca reinava Carlos I - e por isso teve que enfrentar a revolução armada que havia sido estimulada pelos puritanos e os presbiterianos escoceses. Foi perseguido e aprisionado em Nottingham, colocado na guina e quase lapidado em Mansfield, e depois ficou seis meses no cárcere - em Derby - acusado de blasfêmia. Foi nesta ultima cidade que o juiz Gervase Bennet chamou “quaquers” Fox e seus companheiros com o intuito de humilhá-lo, apelido esse que mais tarde se tornou o nome desta religião.
“Tu quaker”, em inglês, significa “estar tremendo ou você treme”, porque eles tremavam, ou melhor, seus corpos eram percorridos por vibrações quando, através do pensamento, encontravam o espírito de Deus (os Kardecistas e os adeptos da ala carismática da igreja católica conhecem bem isso). Contudo, Fox e seus companheiros preferiam serem chamados “gente de Deus”, “amigos da verdade” ou “filhos da luz”, optando finalmente pela denominação que se tornou oficial: “sociedade dos amigos”.
Entre 1660 e 1675, portanto sob o reinado de Carlos II, com o anglicanismo restabelecido com a condição que o rei prestasse juramento contra a doutrina da “transubstanciação”, o dogma estabelecido no concilio de Trento que afirmava que na eucaristia a substancia do pão e do vinho se transforma na substancia do corpo e do sangue de Jesus, George foi aprisionado oito vezes. Mas isso não lhe impediu de difundir sua doutrina, sobretudo no Lancashire, West Yorkshire e Cumberland, onde conseguiu converter muitos “seekers” - batistas e puritanos - além de se tornar amigo de Swarthmoor Hall - seu primeiro protetor - e do Juiz puritano Thomas Fell e de sua esposa Margaret. Esta, a quanto consta, teria se tornado a esposa de Fox após a morte de seu consorte em 1669, tendo-o ajudado na organização central do movimento. Entre os anos 1650 e 1660, os quaquers se difundiram em Londres e no sul do país, e com isso o numero de adeptos superou a marca de 60.000.
Fox decidiu então expandir a sua atividade missionária em outros continentes, e por este motivo foi para o país de Gales, na Escócia, enquanto seus missionários passaram a pregar no Massachusetts, ilhas Barbados, Holanda, Alemanha e Polônia.
No mesmo período, entretanto, os quaquers foram os que mais foram perseguidos na Inglaterra. Calcula-se que mais de 2000 deles foram detidos e destes 32 vieram a falecer devido aos maus tratos sofridos.
Entre os quaquers, como nas demais religiões, também ouve os radicais e o caso mais celebre é o de James Nayler. Preso em 1656 porque organizara uma entrada na cidade de Bristol no dorso de um asno - plagiando o que fizera Jesus quando retornou a Jerusalém - permaneceu retido até 1659. Um ano depois da sua soltura se reconciliou com Fox mas faleceu em seguida.
Nos anos seguintes as persecuções contra os quaquers tornaram-se cada vez mais freqüentes, como alias passou a acontecer com os demais credos, até que o rei Jaime II fez promulgar a “declaração de indulgência” através da qual todos os súditos da coroa passaram a serem considerados iguais diante da lei, sem nenhuma discriminação inclusive a religiosa. Este ato beneficiou os principais quatro grupos dissidentes do Anglicanismo: presbiterianos, congregacionalistas, batistas e quaquers.
Quando George Fox morreu, no dia 13 de janeiro de 1691, os quaquers, só nas ilhas britânicas, somavam cerca de 50 mil.
No tempo, Fox, ao perceber que o homem portava o mal em si mesmo, passou a proclamar que o ser humano devia combatê-lo sem trégua. Por isso o quaquerismo não se limitou a ser um credo, mas uma maneira de vida que se baseava na verdade e sinceridade; na negação do luxo para favorecer a simplicidade até na forma de se vestir; no comportamento pessoal; na forma de falar; e no relacionamento interpessoal. Os quaquers foram os primeiros a não fazer distinção entre sexos, raças, nações e classes sociais.
As reuniões de culto, até hoje, continuam sendo realizadas uma ou duas vezes por semana e seu objetivo è fazer sentir aos presentes a presença de Deus, que é o guia espiritual.
A partir de 1660, os quaquers começaram a migrar para os Estados Unidos da América - nas colônias fundadas pelos seus compatriotas - e em 1675 alguns deles já eram proprietários de terras em New Jersey. Mas foi William Penn que lhes abriu as portas da sua colônia chamada Pensilvânia: Só neste local, por volta de 1684, se estabeleceram cerca de 7 mil “amigos da verdade”. Os quaquers se estabeleceram também em outras colônias, a exceção do Massachusetts, porque neste local foram perseguidos.
A partir de 1690, entre os Quaquers encontrou espaço um outro movimento, um novo conceito chamado “quietude”, ou seja, uma maior introspecção que redundava em menor atividade publica. Este conceito, somado as rígidas disciplinas internas: a proibição do matrimonio com pessoas não quaquers ou o casamento sem o consentimento dos genitores - que quando não obedecidas eram punidas com a expulsão - provocaram o abandono do credo por parte de muitos seguidores a ponto de ameaçar de extinção da doutrina.
Entretanto, o impacto das idéias metodistas de John Wesley teve o efeito de reaquecer o movimento dos quaquers. Porém, no inicio do século XIX, mais exatamente em 1827, se acentuaram as divergências internas e o resultado foi que o movimento se dividiu em tres grupos:
1. Os seguidores das idéias de Elias Hichs, chamados “hichsitas”, que contestavam a autenticidade e a autoridade divina da Bíblia e da figura histórica de Jesus, preferindo ater-se ao conceito da luz interior.
2. Os seguidores de Joseph John Gurney, os “gurneytas”, mais ligados aos Evangelhos.
3. Os seguidores de John Wilbur, os “wilburitas”, que se mantinham fieis à rígida tradição quaquers do XVII século.
Hoje, a sociedade dos amigos conta com aproximadamente 250 mil fieis no mundo, dos quais cerca de 100 mil nos Estados Unidos, divididos em tres confrarias:
1. A “Society os Friends”, o grupo ortodoxo com 65 mil membros e 500 igrejas.
2. A “Friends General Conference” – hichsitas - com 26 mil fiéis.
3. A “Religious Society of Friends - wilburitas - com 5 mil fiéis.
Fora dos Estados Unidos da América o movimento quaquers está presente na Inglaterra e na África.
Uma importante organização quaquers - premiada com o Premio Nobel da Paz em 1947 - criada com a finalidade de oferecer oportunidade de emprego a seus jovens, tem duas sedes: na América a “American Friends Service Committe” e na Inglaterra “The Friends Service Council”.
Para o desenvolvimento dos Estados Unidos da América os Quaquers contribuíram com dois Presidentes: Herbert Hoover e Richard Nixon.
Em 1643, com 19 anos, dois amigos puritanos o convidaram para tomar uma bebedeira. Chocado, percebeu que as atitudes adotadas pela maioria dos homens não o satisfaziam. Preocupado com este aspecto, deixou a casa dos pais mesmo sem ter dinheiro e, com a Bíblia entre as mãos, saiu sem destino tentando encontrar a si mesmo. Em um primeiro momento vagou ao acaso tentando esclarecer suas duvidas, e depois passou a comparar os ensinamentos da igreja anglicana com aqueles dos demais credos religiosos que naquela epoca participavam da constelação do protestantismo inglês.
Depois de algum tempo concluiu que nenhum deles o satisfazia, e quando perguntou a si mesmo o porque, deu-se conta que seus anseios o levavam a discordar de todas elas, especialmente do calvinismo, porque este afirmava que só os eleitos estavam pré-destinados à salvação eterna o que significava dizer que o comportamento moral, seja no bem, como no mal, era irrelevante. Neste caso, deduzia ele, mesmo se o não eleito mantiver uma vida regrada e cheia de boas obras permanecerá interdito, enquanto um eleito, mesmo se for assassino, continuaria com a prerrogativa pré- estabelecida. Ele não conseguia justificar, portanto aceitar, uma separação entre religiosidade e moralidade, porque entendia que o homem deve se empenhar para vencer suas imperfeições.
Em 1646 George chegou a um consenso: freqüentar os cultos nas igrejas ou ler as sagradas escrituras, não traziam como decorrência a paz interior, porque esta se originava em uma luz, uma fagulha divina que existe no cerne de cada individuo: a pequena parcela de Deus que está dentro de todos os homens e que cada um deve desenvolver e expandir. Este pensamento o levou a se convencer da inutilidade de uma estrutura eclesiástica formal e de um clero treinado para evangelizar. Finalmente achara a resposta que procurava.
Em 1647 começou a pregar sua doutrina no centro norte da Inglaterra – nesta epoca reinava Carlos I - e por isso teve que enfrentar a revolução armada que havia sido estimulada pelos puritanos e os presbiterianos escoceses. Foi perseguido e aprisionado em Nottingham, colocado na guina e quase lapidado em Mansfield, e depois ficou seis meses no cárcere - em Derby - acusado de blasfêmia. Foi nesta ultima cidade que o juiz Gervase Bennet chamou “quaquers” Fox e seus companheiros com o intuito de humilhá-lo, apelido esse que mais tarde se tornou o nome desta religião.
“Tu quaker”, em inglês, significa “estar tremendo ou você treme”, porque eles tremavam, ou melhor, seus corpos eram percorridos por vibrações quando, através do pensamento, encontravam o espírito de Deus (os Kardecistas e os adeptos da ala carismática da igreja católica conhecem bem isso). Contudo, Fox e seus companheiros preferiam serem chamados “gente de Deus”, “amigos da verdade” ou “filhos da luz”, optando finalmente pela denominação que se tornou oficial: “sociedade dos amigos”.
Entre 1660 e 1675, portanto sob o reinado de Carlos II, com o anglicanismo restabelecido com a condição que o rei prestasse juramento contra a doutrina da “transubstanciação”, o dogma estabelecido no concilio de Trento que afirmava que na eucaristia a substancia do pão e do vinho se transforma na substancia do corpo e do sangue de Jesus, George foi aprisionado oito vezes. Mas isso não lhe impediu de difundir sua doutrina, sobretudo no Lancashire, West Yorkshire e Cumberland, onde conseguiu converter muitos “seekers” - batistas e puritanos - além de se tornar amigo de Swarthmoor Hall - seu primeiro protetor - e do Juiz puritano Thomas Fell e de sua esposa Margaret. Esta, a quanto consta, teria se tornado a esposa de Fox após a morte de seu consorte em 1669, tendo-o ajudado na organização central do movimento. Entre os anos 1650 e 1660, os quaquers se difundiram em Londres e no sul do país, e com isso o numero de adeptos superou a marca de 60.000.
Fox decidiu então expandir a sua atividade missionária em outros continentes, e por este motivo foi para o país de Gales, na Escócia, enquanto seus missionários passaram a pregar no Massachusetts, ilhas Barbados, Holanda, Alemanha e Polônia.
No mesmo período, entretanto, os quaquers foram os que mais foram perseguidos na Inglaterra. Calcula-se que mais de 2000 deles foram detidos e destes 32 vieram a falecer devido aos maus tratos sofridos.
Entre os quaquers, como nas demais religiões, também ouve os radicais e o caso mais celebre é o de James Nayler. Preso em 1656 porque organizara uma entrada na cidade de Bristol no dorso de um asno - plagiando o que fizera Jesus quando retornou a Jerusalém - permaneceu retido até 1659. Um ano depois da sua soltura se reconciliou com Fox mas faleceu em seguida.
Nos anos seguintes as persecuções contra os quaquers tornaram-se cada vez mais freqüentes, como alias passou a acontecer com os demais credos, até que o rei Jaime II fez promulgar a “declaração de indulgência” através da qual todos os súditos da coroa passaram a serem considerados iguais diante da lei, sem nenhuma discriminação inclusive a religiosa. Este ato beneficiou os principais quatro grupos dissidentes do Anglicanismo: presbiterianos, congregacionalistas, batistas e quaquers.
Quando George Fox morreu, no dia 13 de janeiro de 1691, os quaquers, só nas ilhas britânicas, somavam cerca de 50 mil.
No tempo, Fox, ao perceber que o homem portava o mal em si mesmo, passou a proclamar que o ser humano devia combatê-lo sem trégua. Por isso o quaquerismo não se limitou a ser um credo, mas uma maneira de vida que se baseava na verdade e sinceridade; na negação do luxo para favorecer a simplicidade até na forma de se vestir; no comportamento pessoal; na forma de falar; e no relacionamento interpessoal. Os quaquers foram os primeiros a não fazer distinção entre sexos, raças, nações e classes sociais.
As reuniões de culto, até hoje, continuam sendo realizadas uma ou duas vezes por semana e seu objetivo è fazer sentir aos presentes a presença de Deus, que é o guia espiritual.
A partir de 1660, os quaquers começaram a migrar para os Estados Unidos da América - nas colônias fundadas pelos seus compatriotas - e em 1675 alguns deles já eram proprietários de terras em New Jersey. Mas foi William Penn que lhes abriu as portas da sua colônia chamada Pensilvânia: Só neste local, por volta de 1684, se estabeleceram cerca de 7 mil “amigos da verdade”. Os quaquers se estabeleceram também em outras colônias, a exceção do Massachusetts, porque neste local foram perseguidos.
A partir de 1690, entre os Quaquers encontrou espaço um outro movimento, um novo conceito chamado “quietude”, ou seja, uma maior introspecção que redundava em menor atividade publica. Este conceito, somado as rígidas disciplinas internas: a proibição do matrimonio com pessoas não quaquers ou o casamento sem o consentimento dos genitores - que quando não obedecidas eram punidas com a expulsão - provocaram o abandono do credo por parte de muitos seguidores a ponto de ameaçar de extinção da doutrina.
Entretanto, o impacto das idéias metodistas de John Wesley teve o efeito de reaquecer o movimento dos quaquers. Porém, no inicio do século XIX, mais exatamente em 1827, se acentuaram as divergências internas e o resultado foi que o movimento se dividiu em tres grupos:
1. Os seguidores das idéias de Elias Hichs, chamados “hichsitas”, que contestavam a autenticidade e a autoridade divina da Bíblia e da figura histórica de Jesus, preferindo ater-se ao conceito da luz interior.
2. Os seguidores de Joseph John Gurney, os “gurneytas”, mais ligados aos Evangelhos.
3. Os seguidores de John Wilbur, os “wilburitas”, que se mantinham fieis à rígida tradição quaquers do XVII século.
Hoje, a sociedade dos amigos conta com aproximadamente 250 mil fieis no mundo, dos quais cerca de 100 mil nos Estados Unidos, divididos em tres confrarias:
1. A “Society os Friends”, o grupo ortodoxo com 65 mil membros e 500 igrejas.
2. A “Friends General Conference” – hichsitas - com 26 mil fiéis.
3. A “Religious Society of Friends - wilburitas - com 5 mil fiéis.
Fora dos Estados Unidos da América o movimento quaquers está presente na Inglaterra e na África.
Uma importante organização quaquers - premiada com o Premio Nobel da Paz em 1947 - criada com a finalidade de oferecer oportunidade de emprego a seus jovens, tem duas sedes: na América a “American Friends Service Committe” e na Inglaterra “The Friends Service Council”.
Para o desenvolvimento dos Estados Unidos da América os Quaquers contribuíram com dois Presidentes: Herbert Hoover e Richard Nixon.
( V ) PURITANISMO
Muitos protestantes ingleses que no reinado de Maria Tudor - posteriormente executada pela rainha Elisabeth I - haviam abandonado o continente e no exterior, freqüentaram igrejas calvinistas, ao retornar à Inglaterra passaram a exigiram uma igreja mais coerente com a reforma: sem episcopado e sem as cerimônias religiosas similares as católicas.
Estes se tornaram responsáveis pelo nascimento da seita dos “puritanos” - 1580 - que já nos últimos anos do reinado de Elisabeth I passaram a solicitar a purificação de todas as coisas que, interiormente ou externamente, recordavam o culto católico. Foram os puritanos que em seguida, no reinado de Jaime I - o que sucedeu Elisabeth I entre os anos 1603 a 1625, traduziram a Bíblia para a língua inglesa.
Os puritanos eram contrários a qualquer tipo de adorno, templos, imagens, altares, vidros coloridos, órgãos, rituais, sinal da cruz, genuflexão etc. deste modo, oficiavam somente em residências privadas. A atividade comercial e industrial, para eles, era uma espécie de vocação divina e a lucratividade um sinal que estavam no caminho certo. Entre os expoentes que mais se destacaram podem ser citados John Ponet, Edmund Spenser, George Buchanan e Henry Parker.
Os puritanos, por sua vez, também se dividiram em algumas correntes.
• Os presbiterianos: exigiam a substituição dos bispos anglicanos por sínodos presbiterianos, idosos, escolhidos pelos fieis entre os mais ricos, aceitando depois disso manter um relacionamento do tipo organizativo com os anglicanos
• Os separatistas independentes: se negavam a manter qualquer tipo de relacionamento, seja com os anglicanos como com os sínodos presbiterianos. Sua igreja era organizada similarmente a uma confederação de unidades autônomas e independentes entre elas, administradas segundo o desejo da maioria.
Resumindo, o puritanismo pregava a necessidade de um contrato social entre a coroa e a sociedade, prevendo, inclusive, a insurreição armada se a coroa viesse a transgredir o acordo. Neste sentido, durante o reinado de Carlos I - 1625-1649 - o filho de Maria Stuart que sucedeu Jaime I e reuniu as coroas da Inglaterra e da Escócia, teve que enfrentar a revolução armada que fora estimulada pela oposição puritana e os presbiterianos escoceses - os calvinistas mais radicais guiados por John Knox - que instauraram o calvinismo da “Confissão de Westminster” depois de executar Carlos I e o arcebispo Laud.
Na Escócia o calvinismo havia se fortalecido acentuadamente e, como no mesmo território não podia existir mais do que uma religião, o conflito com os anglicanos tornara-se inevitável. Este conflito, que tinha suas raízes fincadas mais na liturgia do que na teologia, tornara-se totalmente intolerante em relação à organização eclesiástica: os escoceses viam a expressão fundamental de uma religião na confissão de fé, mesmo porque entendiam que desta forma teriam mais chances de se manterem autônomos em relação ao Governo de Londres, enquanto que para os anglicanos era suficiente um manual litúrgico.
Naquele momento John Knox era o capelão de um bando que havia sido o responsável pela morte do cardeal católico Beaton, um radical que abertamente pregava a rebelião contra os governos que tentavam obstácular a difusão do calvinismo.
Com o rei Carlos II - 1660-1685 - foi restabelecido o anglicanismo com a condição que o rei prestasse juramento contra a doutrina da “transubstanciação” o dogma estabelecido no concilio de Trento que afirmava que na eucaristia a substancia do pão e do vinho se transforma na substancia do corpo e do sangue de Jesus, porém este conceito continuo sendo observado até o inicio do século XX. Na contrapartida, o rei exigia que todos os empregados estatais, que como vimos incluía os ministros religiosos, aceitassem o ”Prayer Book”. Depois disso, quando os puritanos começaram a ser perseguidos, a grande maioria migrou para a Holanda e para os Estados Unidos.
Jaime II - 1685-1688 - fez promulgar a “declaração de indulgência” e através dela, todos os súditos da coroa passaram a serem considerados iguais diante da lei, sem nenhuma discriminação, inclusive a religiosa. A conseqüência foi à suspensão do juramento que proibia a transubstanciação. Este ato beneficiou os principais quatro grupos dissidentes: presbiterianos, congregacionalistas, batistas e quaquers, mas a minoridade católica e os socinianos antitrinitários - a igreja unitária - foram excluídos. Todavia, com a revolução de 1866, a que colocou no poder Guilherme III - 1689-1702 - o calvinismo retomou seu vigor porque se adaptava perfeitamente à nova mentalidade burguesa que se desenvolvia na Inglaterra. Quem permanecia pondo obstáculos era a plenipotenciária aristocracia feudal e a monarquia.
Com a morte de Guilherme de Nassau, que não deixou herdeiros, assumiu o trono Ana Stuart -1702-1714 - e ela conseguiu que legalmente fosse confirmada a plena submissão da igreja à coroa. “Ato de Uniformidade”- 1713 - e “Ato do cisma” -1714. Não faltaram, porem, tentativas de resistência. No fim do século XVIII a predicação dos irmãos Wesley e Law fortaleceu o metodismo, enquanto o partido evangélico, que constituía a chamada igreja baixa “Low Church”, valorizava a tradição calvinista. Foi só após a morte da rainha que os interessados chegaram ao consenso que permitiu a definição das tres tendência que se mantém até hoje:
• A igreja alta que, preferida pela aristocracia e o alto clero, mantém a colaboração entre a igreja e o estado; apóia os conservadores; acentua sua continuidade com a igreja antiga; admite sete sacramentos e assim se considera uma variante do cristianismo em linha com o catolicismo e a ortodoxia. Não desdenha a vida monástica e é de fato à que é mais similar à igreja católica porque, depois de 1860, pelo influxo do movimento litúrgico, chegou perto de Roma no plano do ritualismo, das invocações a Maria e aos santos, da confissão auricular e outras manifestações.
• A igreja baixa, ou seja, o movimento evangélico que, nascido no fim do XVIII século é substancialmente calvinista, ainda se aceita os sacramentos do batismo e da eucaristia, mesmo se este ultimo é simbólico. Outras características são a simplicidade dos rituais, uma acentuadissima ação missionária e um forte empenho social favorecendo os mais pobres, além de pouco interesse à especulação teológica. A eles deve-se a abolição da escravatura em 1833, a lei que em 1847 limitou a jornada de trabalho a dez horas e a fundação da maior sociedade missionária em 1799.
Esta igreja considera o anglicanismo uma corrente do protestantismo, e em 1804 fundou a sociedade para a difusão da Bíblia traduzindo-a para mais de mil línguas e dialetos.
• A igreja larga, nascida no inicio do XIX século, que se posiciona perto do deismo racionalista - os que crêem em Deus mas rejeitam toda à revelação - porque tenta exprimir a fé cristã de forma que seja compreensível ao homem moderno. No campo social afirma um socialismo cristão que a levou a se chocar com a igreja Alta. É a menor das tres e é também chamada igreja modernista.
Contudo, na medida em que seguem a orientação ritualística da igreja Alta, ou a simplicidade dos cultos da igreja Baixa, as varias comunidades anglicanas ostentam notáveis diferencias litúrgicas, em particular a igreja episcopal da Escócia, enquanto que as igrejas do País de Gales e da Irlanda - mesmo fazendo parte da comunidade anglicana - são separadas da igreja da Inglaterra.
Com a morte de Ana Stuart em 1714, a casa de Hanóver subiu ao trono com Jorge I - 1714-1727 - e durante o seu reinado o anglicanismo foi quase sufocado devido à controvérsia de Bangor; pela suspensão das convocações decenais dos bispos decidida por Jorge I; pelo advento das teorias racionalistas de Locke; as antitrinitárias de Clarke e as deistas de Toland. Resumindo, desde a metade do século XVII e até meados do século XVIII, as dificuldades perseguiram o anglicanismo.
Da reação contra esta crise nasceu o “metodismo”, um movimento “pietista” fundado sobre a experiência mística que acredita que todos serão salvos. E a partir de 1833 cresceu o chamado “anglo-catolicismo”, um movimento espiritual de Oxford com o objetivo de reivindicar a independência da igreja do Estado, de obstácular a secularização da igreja e favorecer uma reabertura para o catolicismo romano no campo doutrinal e litúrgico. Este movimento, entre seus maiores expoentes, teve J. Newman, J. Keble e E. Pusey, que pertenciam à igreja Alta. Newman tornou-se católico em 1845, enquanto os outros dois fundaram o Anglo-catolicismo que, em muitos aspectos doutrinais e litúrgicos, é similar ao catolicismo.
Com a imigração inglesa aos vários continentes do mundo, e através da intensa obra missionária, o anglicanismo difundiu-se ao redor do Planeta. Surgiram assim 16 igrejas internacionais autônomas que não dependem do governo inglês e que reconhecem no arcebispo de Canterbury tão somente uma autoridade moral. A mais importante destas igrejas é a igreja protestante episcopal dos Estados Unidos e depois dela a igreja anglicana do Canadá.
Estima-se que o numero de anglicanos no mundo é superior a 50 milhões, dos quais 30 milhões estão na Inglaterra. 1/3 dos presidentes dos EUA foram anglicanos.
Fonte:
http://www.tudorhistory.org/
www.englishhistory.net/tudor
www.britainexpress.com/History/Tudor_index.htm
www.geocities.com/marilee-cody/images.html
www.pinkmonkey.com/studyguides/subjects/euro_his/chap1/e0101801.htm
www.historylearningsite.co.uk/Mary1.htm
www.cronologia.it/cronobio1.htm
www.culturacristiana.net/galleria.html
www.likesbooks.com/tudor.html
www.utenti.rete039.it/plankton/elisab.htm
www.luminarium.org/renlit/eliza.htm
www.istitutogriselli.it/Riforma/
Estes se tornaram responsáveis pelo nascimento da seita dos “puritanos” - 1580 - que já nos últimos anos do reinado de Elisabeth I passaram a solicitar a purificação de todas as coisas que, interiormente ou externamente, recordavam o culto católico. Foram os puritanos que em seguida, no reinado de Jaime I - o que sucedeu Elisabeth I entre os anos 1603 a 1625, traduziram a Bíblia para a língua inglesa.
Os puritanos eram contrários a qualquer tipo de adorno, templos, imagens, altares, vidros coloridos, órgãos, rituais, sinal da cruz, genuflexão etc. deste modo, oficiavam somente em residências privadas. A atividade comercial e industrial, para eles, era uma espécie de vocação divina e a lucratividade um sinal que estavam no caminho certo. Entre os expoentes que mais se destacaram podem ser citados John Ponet, Edmund Spenser, George Buchanan e Henry Parker.
Os puritanos, por sua vez, também se dividiram em algumas correntes.
• Os presbiterianos: exigiam a substituição dos bispos anglicanos por sínodos presbiterianos, idosos, escolhidos pelos fieis entre os mais ricos, aceitando depois disso manter um relacionamento do tipo organizativo com os anglicanos
• Os separatistas independentes: se negavam a manter qualquer tipo de relacionamento, seja com os anglicanos como com os sínodos presbiterianos. Sua igreja era organizada similarmente a uma confederação de unidades autônomas e independentes entre elas, administradas segundo o desejo da maioria.
Resumindo, o puritanismo pregava a necessidade de um contrato social entre a coroa e a sociedade, prevendo, inclusive, a insurreição armada se a coroa viesse a transgredir o acordo. Neste sentido, durante o reinado de Carlos I - 1625-1649 - o filho de Maria Stuart que sucedeu Jaime I e reuniu as coroas da Inglaterra e da Escócia, teve que enfrentar a revolução armada que fora estimulada pela oposição puritana e os presbiterianos escoceses - os calvinistas mais radicais guiados por John Knox - que instauraram o calvinismo da “Confissão de Westminster” depois de executar Carlos I e o arcebispo Laud.
Na Escócia o calvinismo havia se fortalecido acentuadamente e, como no mesmo território não podia existir mais do que uma religião, o conflito com os anglicanos tornara-se inevitável. Este conflito, que tinha suas raízes fincadas mais na liturgia do que na teologia, tornara-se totalmente intolerante em relação à organização eclesiástica: os escoceses viam a expressão fundamental de uma religião na confissão de fé, mesmo porque entendiam que desta forma teriam mais chances de se manterem autônomos em relação ao Governo de Londres, enquanto que para os anglicanos era suficiente um manual litúrgico.
Naquele momento John Knox era o capelão de um bando que havia sido o responsável pela morte do cardeal católico Beaton, um radical que abertamente pregava a rebelião contra os governos que tentavam obstácular a difusão do calvinismo.
Com o rei Carlos II - 1660-1685 - foi restabelecido o anglicanismo com a condição que o rei prestasse juramento contra a doutrina da “transubstanciação” o dogma estabelecido no concilio de Trento que afirmava que na eucaristia a substancia do pão e do vinho se transforma na substancia do corpo e do sangue de Jesus, porém este conceito continuo sendo observado até o inicio do século XX. Na contrapartida, o rei exigia que todos os empregados estatais, que como vimos incluía os ministros religiosos, aceitassem o ”Prayer Book”. Depois disso, quando os puritanos começaram a ser perseguidos, a grande maioria migrou para a Holanda e para os Estados Unidos.
Jaime II - 1685-1688 - fez promulgar a “declaração de indulgência” e através dela, todos os súditos da coroa passaram a serem considerados iguais diante da lei, sem nenhuma discriminação, inclusive a religiosa. A conseqüência foi à suspensão do juramento que proibia a transubstanciação. Este ato beneficiou os principais quatro grupos dissidentes: presbiterianos, congregacionalistas, batistas e quaquers, mas a minoridade católica e os socinianos antitrinitários - a igreja unitária - foram excluídos. Todavia, com a revolução de 1866, a que colocou no poder Guilherme III - 1689-1702 - o calvinismo retomou seu vigor porque se adaptava perfeitamente à nova mentalidade burguesa que se desenvolvia na Inglaterra. Quem permanecia pondo obstáculos era a plenipotenciária aristocracia feudal e a monarquia.
Com a morte de Guilherme de Nassau, que não deixou herdeiros, assumiu o trono Ana Stuart -1702-1714 - e ela conseguiu que legalmente fosse confirmada a plena submissão da igreja à coroa. “Ato de Uniformidade”- 1713 - e “Ato do cisma” -1714. Não faltaram, porem, tentativas de resistência. No fim do século XVIII a predicação dos irmãos Wesley e Law fortaleceu o metodismo, enquanto o partido evangélico, que constituía a chamada igreja baixa “Low Church”, valorizava a tradição calvinista. Foi só após a morte da rainha que os interessados chegaram ao consenso que permitiu a definição das tres tendência que se mantém até hoje:
• A igreja alta que, preferida pela aristocracia e o alto clero, mantém a colaboração entre a igreja e o estado; apóia os conservadores; acentua sua continuidade com a igreja antiga; admite sete sacramentos e assim se considera uma variante do cristianismo em linha com o catolicismo e a ortodoxia. Não desdenha a vida monástica e é de fato à que é mais similar à igreja católica porque, depois de 1860, pelo influxo do movimento litúrgico, chegou perto de Roma no plano do ritualismo, das invocações a Maria e aos santos, da confissão auricular e outras manifestações.
• A igreja baixa, ou seja, o movimento evangélico que, nascido no fim do XVIII século é substancialmente calvinista, ainda se aceita os sacramentos do batismo e da eucaristia, mesmo se este ultimo é simbólico. Outras características são a simplicidade dos rituais, uma acentuadissima ação missionária e um forte empenho social favorecendo os mais pobres, além de pouco interesse à especulação teológica. A eles deve-se a abolição da escravatura em 1833, a lei que em 1847 limitou a jornada de trabalho a dez horas e a fundação da maior sociedade missionária em 1799.
Esta igreja considera o anglicanismo uma corrente do protestantismo, e em 1804 fundou a sociedade para a difusão da Bíblia traduzindo-a para mais de mil línguas e dialetos.
• A igreja larga, nascida no inicio do XIX século, que se posiciona perto do deismo racionalista - os que crêem em Deus mas rejeitam toda à revelação - porque tenta exprimir a fé cristã de forma que seja compreensível ao homem moderno. No campo social afirma um socialismo cristão que a levou a se chocar com a igreja Alta. É a menor das tres e é também chamada igreja modernista.
Contudo, na medida em que seguem a orientação ritualística da igreja Alta, ou a simplicidade dos cultos da igreja Baixa, as varias comunidades anglicanas ostentam notáveis diferencias litúrgicas, em particular a igreja episcopal da Escócia, enquanto que as igrejas do País de Gales e da Irlanda - mesmo fazendo parte da comunidade anglicana - são separadas da igreja da Inglaterra.
Com a morte de Ana Stuart em 1714, a casa de Hanóver subiu ao trono com Jorge I - 1714-1727 - e durante o seu reinado o anglicanismo foi quase sufocado devido à controvérsia de Bangor; pela suspensão das convocações decenais dos bispos decidida por Jorge I; pelo advento das teorias racionalistas de Locke; as antitrinitárias de Clarke e as deistas de Toland. Resumindo, desde a metade do século XVII e até meados do século XVIII, as dificuldades perseguiram o anglicanismo.
Da reação contra esta crise nasceu o “metodismo”, um movimento “pietista” fundado sobre a experiência mística que acredita que todos serão salvos. E a partir de 1833 cresceu o chamado “anglo-catolicismo”, um movimento espiritual de Oxford com o objetivo de reivindicar a independência da igreja do Estado, de obstácular a secularização da igreja e favorecer uma reabertura para o catolicismo romano no campo doutrinal e litúrgico. Este movimento, entre seus maiores expoentes, teve J. Newman, J. Keble e E. Pusey, que pertenciam à igreja Alta. Newman tornou-se católico em 1845, enquanto os outros dois fundaram o Anglo-catolicismo que, em muitos aspectos doutrinais e litúrgicos, é similar ao catolicismo.
Com a imigração inglesa aos vários continentes do mundo, e através da intensa obra missionária, o anglicanismo difundiu-se ao redor do Planeta. Surgiram assim 16 igrejas internacionais autônomas que não dependem do governo inglês e que reconhecem no arcebispo de Canterbury tão somente uma autoridade moral. A mais importante destas igrejas é a igreja protestante episcopal dos Estados Unidos e depois dela a igreja anglicana do Canadá.
Estima-se que o numero de anglicanos no mundo é superior a 50 milhões, dos quais 30 milhões estão na Inglaterra. 1/3 dos presidentes dos EUA foram anglicanos.
Fonte:
http://www.tudorhistory.org/
www.englishhistory.net/tudor
www.britainexpress.com/History/Tudor_index.htm
www.geocities.com/marilee-cody/images.html
www.pinkmonkey.com/studyguides/subjects/euro_his/chap1/e0101801.htm
www.historylearningsite.co.uk/Mary1.htm
www.cronologia.it/cronobio1.htm
www.culturacristiana.net/galleria.html
www.likesbooks.com/tudor.html
www.utenti.rete039.it/plankton/elisab.htm
www.luminarium.org/renlit/eliza.htm
www.istitutogriselli.it/Riforma/
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